Neschling acusa Haddad de não ter caráter

'O prefeito não tem nada contra mim', disse o maestro em entrevista à 'Folha de S. Paulo'

Demitido recentemente da direção artística do Teatro Municipal e levado a depor na CPI que investiga desvios de 15 milhões de reais na instituição, sob a acusação de ter usado seu cargo para tráfico de influência, o maestro John Neschling contra-ataca e se diz perseguido por “bandidos”, que não fez “por** nenhuma de errado” e que o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, não teve caráter para manter sua palavra e preservá-lo à frente do Municipal até que algo de concreto surgisse contra ele. O maestro soltou o verbo em entrevista publicada neste domingo na Folha de S.Paulo.

LEIA TAMBÉM:
John Neschling é levado a depor na CPI do Teatro Municipal
Demissão de John Neschling teve o dedo de Fernando Haddad
John Neschling diz que fica à frente do Teatro Municipal
John Neschling falta à CPI e pode ser conduzido coercitivamente

“Pediram a minha cabeça mais de uma vez e o prefeito não queria dar. Houve um momento em que a coisa virou. Telefonei para ele: ‘Fernando, por**, e nosso trato?’. Ele colocou a responsabilidade no IBGC (Instituto Brasileiro de Gestão Cultural). Mentiu para mim. Minha saída já estava decidida. Essa é minha mágoa. O prefeito, nesse caso, não teve caráter”, disse Neschling. “Ele está numa campanha complicada e o teatro estava pesando. O Ministério Público e a CPI pressionavam pelo meu afastamento. Só que o prefeito não tem nada contra mim.”

Sobre as acusações de tráfico de influência — de contratar artistas agenciados pelas mesmas pessoas que o representam no exterior –, Neschling disse serem descabidas. “Trabalho com esses agentes há mais de 30 anos! Não comecei a trabalhar com eles quando entrei no Municipal! Trabalho com três, quatro agentes. E, no Municipal, contratei artistas de 60 agentes. Por exemplo, o agente que está trazendo “Elektra”, de Nova York: nunca trabalhei com ele na minha vida. Nenhum empresário teve mais que 12% de participação de artistas nesses três anos em que eu estive no teatro.”