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Mulheres e franceses têm presença forte em Cannes

Com filme sobre Grace Kelly na abertura e forte presença feminina nos júris, festival tenta amenizar a fama de machista

Para driblar a fama de machista, o 67º Festival de Cannes, que começa nesta quarta-feira e vai até sábado, dia 24, decidiu investir pesado na presença feminina. Elas estão em maioria no júri da competição, que este ano acaba um dia antes que o habitual por causa das eleições europeias no domingo (25). A cineasta Jane Campion, a única diretora do sexo feminino a receber a Palma de Ouro (por O Piano, de 1993), é a presidente do grupo de jurados que vai escolher os vencedores. O grupo inclui a também cineasta Sofia Coppola, primeira mulher americana a ser indicada ao Oscar de direção (por Encontros e Desencontros, de 2013), a atriz francesa Carole Bouquet, a atriz iraniana Leila Hatami e a atriz sul-coreana Jeon Do-Yeon. Completam o júri quatro homens: o diretor chinês Jia Zhangke, o cineasta dinamarquês Nicolas Winding Refn, o ator e diretor mexicano Gael García Bernal e o ator americano Willem Dafoe.

Depois de ser duramente criticado por não incluir nenhum filme dirigido por uma mulher em 2012, o delegado-geral Thierry Frémaux desta vez selecionou duas para concorrer à Palma de Ouro: a italiana Alice Rohrwacher (Le Meraviglie, ou As Maravilhas na tradução literal) e a japonesa Naomi Kawase (Futatsume no Mado, ou Still the Water, Acalme a Água, em tradução livre do inglês). Só não dá para saber se a maior presença feminina nos bastidores vai se refletir em personagens femininas importantes nas telas, ainda que haja algumas atrizes bem estreladas entre os 18 longas concorrentes, como Hilary Swank, duas vezes ganhadora do Oscar, em The Homesman, de Tommy Lee Jones; Juliette Binoche e Chloë Grace Moretz em Sils Maria, de Olivier Assayas; e Marion Cotillard, vencedora do Oscar por Piaf – Um Hino ao Amor, em Deux Jours, Une Nuit (Dois Dias, Uma Noite, na tradução literal), de Jean-Pierre e Luc Dardenne.

Fora isso, Nicole Kidman tenta convencer como Grace Kelly no filme de abertura, hors concours, Grace de Mônaco, de Olivier Dahan.

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Competição – Entre os concorrentes estão alguns nomes bem consagrados, como Jean-Luc Godard, um dos cineastas fundadores do cinema contemporâneo, com Adieu au Langage (Adeus à Linguagem, em tradução literal); os ingleses Ken Loach, Palma de Ouro em 2006 por Ventos da Liberdade, com Jimmy’s Hall; e Mike Leigh, Palma de Ouro em 1996 com Segredos e Mentiras, com Mr. Turner; o canadense David Cronenberg, com Maps to the Stars; e os belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne, que levaram Palmas de Ouro por Rosetta em 1999 e A Criança em 2005, com o já citado Deux Jours, Une Nuit.

Mais mulheres – A mostra Um Certo Olhar, que é a paralela da seleção oficial, conta com cinco longas dirigidos por mulheres – Amour Fou (Amor Louco, na tradução livre), de Jessica Hausner; Bird People, de Pascale Ferran; Dohee-ya (ou A Girl at my Door, ou Uma Garota à Minha Porta, em tradução literal do inglês), de July Jung; Harhek mi Headro (That Lovely Girl, Aquela Garota Adorável), de Keren Yedaya; e Incompresa (Incompreendida em tradução literal), de Asia Argento; além de Party Girl (Garota Festeira, em tradução livre), codirigido por duas cineastas, Marie Amachoukeli e Claire Burger, ao lado de um diretor, Samuel Theis.

O júri da Caméra d’Or, que premia o melhor trabalho de cineasta estreante, incluindo as paralelas Quinzena dos Realizadores e Semana da Crítica, também é presidido por uma mulher, a atriz e diretora francesa Nicole Garcia. A cineasta inglesa Andrea Arnold é a presidente do júri da Semana da Crítica.

Sem brasileiros – Não há nenhuma produção nacional na seleção oficial deste ano, mas Juliano Ribeiro Salgado, nascido na França, apresenta na mostra Um Certo Olhar The Salt of the Earth (O Sal da Terra, em tradução livre), um documentário sobre seu pai, o fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, dirigido em parceria com Wim Wenders.

Fora de competição, em sessão especial, é exibido El Ardor, coprodução entre Brasil, Argentina, México, França e Estados Unidos de Pablo Fendrik, estrelada por Gael García Bernal e a brasileira Alice Braga. Na seção paralela Semana dos Realizadores, os pernambucanos Nara Normande e Tião apresentam o curta-metragem Sem Coração.

A competição tem apenas um latino-americano, o argentino Relatos Salvajes (Relatos Selvagens, em tradução literal), de Damián Szifrón. É um ano forte para os filmes franceses. Na competição, há Adieu au Langage, de Jean-Luc Godard; Saint Laurent, de Bertrand Bonello; Sils Maria, de Olivier Assayas; e The Search, de Michel Hazanavicius. Além da coprodução França-Mauritânia Timbuktu, de Abderrahmane Sissako. O filme de abertura, Grace de Mônaco, também é francês. São falados em francês o belga Deux Jours, Une Nuit e o canadense Mommy, de Xavier Dolan.