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Morre Toots Thielemans, o rei da harmônica no jazz

Famoso por seus solos de gaita e parcerias com grandes nomes da música mundial, como Elis Regina, Thielemans faleceu aos 94, nesta segunda, em Bruxelas

Morreu na madrugada desta segunda-feira o gaitista belga Toots Thielemans, aos 94 anos. Grande fã do Brasil e da música brasileira, Toots tem entre seus trabalhos um LP com Elis Regina, Elis & Toots (1959), com sucessos como Aquarela do Brasil e O Barquinho. O chamado “rei da harmônica” gravou também outros dois discos pautados pela música brasileira, com participação de nomes como Dorival Caymmi, João Bosco e Gilberto Gil.

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Mas Toots era do mundo — e, em especial, do jazz. Ao longo de seus 70 anos de carreira, Toots trabalhou com gigantes como Frank Sinatra, Ella Fitzgerald, Stevie Wonder, Billy Joel, Quincy Jones, Bill Evans e Ray Charles. Também podemos ouvir o solo de gaita de Thielemans no tema de abertura do programa infantil Vila Sésamo, na famosa Everybody’s Talkin’, trilha sonora do filme Perdidos na Noite, ou na trilha de Bonequinha de Luxo (1961), clássico com Audrey Hepburn. O músico ainda é conhecido como assoviador profissional.

O músico belga Toots Thielemans

O gaitista belga Toots Thielemans durante o South East Jazz Festival em Amsterdã, em 2013 (Evert Elzinga/AFP)

Nascido em 29 de abril de 1922 em um bairro popular de Bruxelas onde seus pais trabalhavam em um café, Thielemans, também guitarrista, foi o primeiro músico a elevar a gaita cromática ao reconhecimento geral. Thielemans descobriu este instrumento em 1938. Seduzido em um primeiro momento pela música de Ray Ventura, foi picado pelo vírus do jazz durante a Segunda Guerra Mundial e, com uma guitarra nas mãos, adotou como modelo o cigano Django Reinhardt.

No fim da década de 1940, se instalou nos Estados Unidos, onde acompanhou o saxofonista Charlie Parker. Retornou posteriormente à Europa para uma turnê com o clarinetista Benny Goodman. Após o êxito de Bluesette em 1962, interpretou com sua gaita a trilha sonora do filme Perdidos na Noite, de John Schlesinger (1969) e, mais tarde, de Jean de Florette, de Claude Berri (1986).

Em 2001, foi condecorado Barão pelo Rei Albert II.

Em 2009, os Estados Unidos concederam a ele o prêmio “jazz master award”, uma distinção dada poucas vezes a europeus, e a Academia Charles Cros entregou ao belga em 2012 um prêmio em homenagem a sua carreira. Em 2014, ao sentir que perdia forças e “para não decepcionar seu público”, cancelou seus shows e colocou um ponto final na carreira. Ele morreu enquanto dormia, em hospital de sua cidade natal.

(Com informações da agência France-Presse)