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Morre o Nobel de Literatura Gabriel García Márquez, aos 87 anos

Autor de ‘Cem Anos de Solidão’ e ‘O Amor nos Tempos do Cólera’, escritor colombiano é aclamado como um dos mais importantes do século XX

Morreu nesta quinta-feira na Cidade do México, aos 87 anos, o escritor colombiano Gabriel García Márquez, vencedor do prêmio Nobel de Literatura em 1982 e um dos criadores da corrente literária conhecida como realismo mágico. Considerado um dos mais importantes autores do século XX, Márquez estava com a saúde debilitada. A idade avançada e a condição frágil do autor levaram a família a abrir mão de um tratamento oncológico para optar por cuidados paliativos em casa. Casado há 56 anos com Mercedes Barcha, o escritor deixa dois filhos, Rodrigo e Gonzalo. Em nota, a família informou que o corpo de García Márquez será cremado em uma cerimônia particular. Uma homenagem ao escritor está marcada para a segunda-feira no Palácio de Bellas Artes, na capital mexicana.

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Márquez nasceu em 6 de março de 1927, no pequeno município de Aracataca, na Colômbia. Autor de obras aclamadas como Cem Anos de Solidão e O Amor nos Tempos do Cólera, Gabo, como é chamado por amigos e fãs, diz que começou a escrever depois de um desafio lançado em um artigo de jornal em 1947. No livro Eu Não Vim Fazer Um Discurso, de 2010, publicado no Brasil pela editora Record, o autor relembra que, ainda estudante, viu um texto do jornalista Eduardo Zalamea Borda, no diário El Espectador, de Bogotá, em que ele diz que o futuro literário estaria em perigo, já que não conhecia nenhum bom jovem escritor. Márquez, que ainda não tinha certeza de suas aptidões, nem qual caminho seguiria profissionalmente, topou o desafio em um sentimento de “solidariedade com os companheiros de geração”. Escreveu um conto e mandou para o jornal. Para sua surpresa, no domingo seguinte, o texto estava publicado juntamente com um pedido de desculpas de Borda, que, enfim, retomou sua fé em talentos da juventude.

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Família – O mais velho entre onze irmãos, Márquez foi criado pelos avós, enquanto seus pais, Luisa Santiaga Márquez e Gabriel Eligio García, se mudaram para a cidade de Barranquilha para administrar uma farmácia. Os esforços do pai em economizar para investir na educação do filho, sonhando com um futuro advogado, foram em vão. Em 1949, aos 22 anos, Gabo deixou a faculdade de direito depois de cursar seis semestres. A atitude fez com que o pai cortasse relações com ele por um tempo.

“Havia desertado da universidade, com a ilusão temerária de viver do jornalismo e da literatura sem necessidade de aprendê-los, animado por uma frase que creio ter lido em Bernard Shaw: ‘Desde pequeno tive que interromper minha educação para ir à escola'”, afirmou Márquez em um trecho do livro Viver para Contar (Editora Record), em que o escritor narrou o período da saída da Universidade até o início do seu fazer literário, permeado por lembranças da infância e da adolescência.

Uma viagem com sua mãe até Aracataca, narrada no início de Viver para Contar, em 1950, foi destacada por ele como o marco que o fez entender que, sim, seria um escritor e como escreveria. O retorno ao cenário da infância lhe revelou que seus esforços literários deveriam ser calcados “em uma verdade poética”, fagulha que iniciou o movimento realismo mágico, em que a realidade se funde com elementos fabulosos. A viagem também serviu de influência para o nascimento de um dos povoados mais famosos da ficção: Macondo. A aldeia descrita em Cem Anos de Solidão e seus integrantes apresentam elementos autobiográficos e fazem uma referência direta a Aracataca.

Primeiros livros – Em 1955, Márquez publicou seu primeiro livro, A Revoada – O Enterro do Diabo (Editora Record), que, apesar da pouca visibilidade, recebeu boas críticas. Alguns anos depois, ele foi para a Europa trabalhar como correspondente internacional. Na época, chegou a pensar em ficar por definitivo no velho continente, não fosse sua grande paixão da adolescência, Mercedes Barcha, com quem se casou em 1958 e permaneceu até o final da vida. Um ano após o casamento, nasceu seu primeiro filho, Rodrigo.

No início dos anos 1960, Márquez foi para Nova York trabalhar como correspondente nos Estados Unidos. Contudo, sua amizade com o ditador Fidel Castro, de Cuba, o tornou persona non grata no país. De lá, partiu para o México, onde publicou o livro Ninguém Escreve ao Coronel, em 1961. Três anos depois, nasce seu segundo filho, Gonzalo.

Obra-prima – É também neste período que a necessidade de escrever sobre suas origens voltou a incomodar o escritor. Em 1968, é lançada sua obra-prima, o livro Cem Anos de Solidão. Márquez disse que a obra demorou dezenove anos para ser feita, entre o idealizar da história e a sua concretização. Para se dedicar inteiramente à ideia, o escritor empenhou seu carro, esperando que o dinheiro durasse seis meses, período calculado por ele para escrever o livro. No fim, ele demorou um ano e meio escrevendo. Enquanto isso, sua esposa segurou as pontas das finanças na família e se encarregava até mesmo de trazer com frequência as folhas de papel em que o marido trabalhava.

Segundo a biografia Gabriel García Márquez: Uma Vida, de Gerald Martin, publicada no Brasil pela Ediouro, o casal foi até o correio com o calhamaço de 490 páginas datilografadas, porém a taxa de envio ficava acima do valor que possuíam. Por isso, começaram a tirar páginas do pacote, até atingir o peso que eles poderiam pagar. Acabaram mandando só metade. Depois, penhoraram alguns objetos domésticos, e enviaram o restante. “Ei, Gabo, tudo o que nos falta agora é o livro fracassar”, disse Mercedes após o esforço.

O livro não fracassou. Pelo contrário, se tornou um dos maiores sucessos da literatura latina-americana e rende ao seu autor status de grande escritor. Em 1982, ele ganhou o prêmio de Nobel de Literatura pelo conjunto de sua obra.