Morre Max Nunes, roteirista do ‘Programa do Jô’

Aos 92 anos, ele estava internado por complicações após sofrer uma queda

Morreu nesta quarta-feira, no Rio, o humorista, diretor e roteirista Max Nunes, que atualmente produzia com Jô Soares os textos para o Programa do Jô. Nunes tinha 92 anos, 38 dos quais passou trabalhando para a Rede Globo. Ele estava internado desde o dia 20 de maio no Hospital Samaritano, em Botafogo, Zona Sul, por complicações após sofrer uma queda e fraturar a tíbia (osso da canela).

O enterro está marcado para o meio-dia desta quinta, no cemitério São João Batista, também em Botafogo. “É uma perda de um grande amigo e de um grande talento. O Max esteve entre os maiores humoristas, no nível do Millôr Fernandes e do Chico Anysio. Tirando isso, é difícil comentar, pois éramos muito próximos”, lamentou o apresentador, segundo a assessoria da TV Globo. Os dois escreviam juntos para o talk show desde o ano 2000.

Nunes foi um dos redatores do programa Balança Mas Não Cai, sucesso entre os anos 60 e 70 na Globo e na Tupi. Costumava dizer que nem sempre que pedia a palavra a devolvia em boas condições. Ele escolheu duas profissões antagônicas: médico, para salvar vidas, e humorista, para matar de rir. Fez uma trajetória de sucesso que começou no rádio e passou pelo teatro até chegar à televisão. Um criador de tipos e bordões que jamais serão esquecidos.

Biografia – Max Newton Figueiredo Pereira Nunes nasceu em 17 de abril de 1922, no bairro de Vila Isabel, no Rio de Janeiro. Herdou a veia artística do pai, Lauro Nunes, jornalista e roteirista de esquetes para a Rádio Mayrink Veiga, que ficou conhecido no início do século XX como o humorista Terra de Sena. Em 1948, formou-se em Medicina e se especializou em Cardiologia, chegando a exercer a profissão até a década de 1980 e a dirigir a seção de Ipanema do Instituto Brasileiro de Cardiologia.

Nunca, porém, deixou de lado a carreira artística. Vizinho de Noel Rosa, Max foi incentivado a cantar e chegou a participar de programas de rádio. Aos 48 anos, compôs, ao lado de Laércio Alves, Bandeira Branca, gravada por Dalva de Oliveira nos anos 70. Passou pelas rádios Tupi e Nacional, quando escreveu o programa Balança, Mas Não Cai, humorístico que marcou a história do gênero e ganhou versões para o cinema, teatro de revista e a televisão.

No teatro, sua participação foi consequência do trabalho na Rádio Nacional. Em toda sua carreira, escreveu 36 peças. Produziu pela primeira vez para a televisão em 1962, quando criou os programas My Fair Show e Times Square, na TV Excelsior. Estreou na Globo em 1964. Ao lado de Haroldo Barbosa, passou a roteirizar e dirigir o humorístico Bairro Feliz (1965), pelo qual passaram Paulo Monte, Grande Otelo e Berta Loran.

Em 1972, Max Nunes integrou a equipe de redação do Faça Humor, Não Faça Guerra, ao lado de Jô Soares. O humorístico, inicialmente transmitido ao vivo, foi um dos primeiros a utilizar o videoteipe (VT) – introduzido no Brasil em 1957 – e revolucionou o gênero na televisão, criando um humor moderno característico de programas como Satiricom (1973), Planeta dos Homens (1976) e Viva o Gordo (1981), todos com a colaboração de Nunes.

No mesmo período, participou de Uau, a Companhia (1972) e A Grande Família (1972). Já na década de 1980 escreveu, ao lado de Afonso Brandão, Hilton Marques e José Mauro, o primeiro programa comandado exclusivamente por Jô Soares: Viva o Gordo (1981), sob a direção de Cecil Thiré. Em 1988, seguiu Jô para o SBT, onde lançou Veja o Gordo e Jô Onze e Meia. Em 2000, ambos voltaram à Globo para estrear o Programa do Jô, com quem trabalhou lado a lado até seus últimos dias.