‘Manchester by the Sea’ trata de luto e trauma sem melodrama

Filme escrito e dirigido por Kenneth Lonergan tem boas atuações de Casey Affleck e Michelle Williams

Dois filmes lideraram os comentários no Sundance Festival, em janeiro: The Birth of a Nation, do estreante Nate Parker, e Manchester by the Sea, terceiro longa-metragem do dramaturgo, roteirista e diretor de teatro Kenneth Lonergan (de Conte Comigo, de 2000, e Margaret, de 2011). Não poderiam ser mais diferentes: enquanto o primeiro mostra a heroica trajetória do líder de uma revolta de escravos nos Estados Unidos, o segundo é um drama contido sobre luto, trauma e culpa.

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Originalmente, era um projeto que deveria ser dirigido e protagonizado por Matt Damon. Quando sua agenda não permitiu que assumisse a tarefa, ele convocou Lonergan, autor da peça This is Our Youth, em que atuou, e Casey Affleck, irmão de seu grande amigo Ben e companheiro de palco na mesma montagem.

Affleck tem o papel de sua vida em Lee, faz-tudo de um complexo de apartamentos em Boston, cuja comunicação se divide entre grunhidos e insultos e que é dado a arroubos de violência. Quando Joe (Kyle Chandler, sempre ótimo), seu irmão mais velho, morre, Lee é obrigado a cuidar do sobrinho adolescente Patrick (Lucas Hedges) na pequena cidade à beira-mar que dá título ao filme.

Lee fica incomodado em Manchester by the Sea, por motivos que são revelados aos poucos em flashbacks que, como fluxos de memória, invadem a tela sem pedir permissão e revelam um homem diferente anos atrás, quando era casado com Randi (Michelle Williams, que faz muito em poucas cenas).

Personagens que lidam com o luto e fogem de seu passado não são novidade no cinema. Mas Lonergan escreveu diálogos fortes, que vão do drama ao humor em segundos, e evitou a todo custo o melodrama e os caminhos fáceis, ajeitadinhos, que costumam ser usados no cinema americano. Com um elenco afiadíssimo, Manchester by the Sea deve marcar presença entre os indicados ao Oscar do ano que vem.