Jovem que fez Shakira chorar no ‘The Voice USA’ ganha chance no Brasil

Sam Alves, que nasceu em Fortaleza e cresceu em Massachusetts, participou das audições às cegas americanas, mas não viu nenhuma das cadeiras se virar. Nesta 5ª, tenta conquistar Carlinhos Brown, Claudia Leitte, Daniel e Lulu Santos

Sam Alves vai cantar no 'The Voice Brasil'

Sam Alves vai cantar no ‘The Voice Brasil’ (VEJA)

Em uma das chamadas para o segundo episódio de The Voice Brasil, Tiago Leifert pergunta a um dos candidatos: “Você participou do The Voice nos Estados Unidos, né? Como foi?”. O jovem, de cabelos castanhos encaracolados, sorriso largo e pinta de galã, fica meio cabisbaixo ao se lembrar: “Nenhuma cadeira virou para mim”. É Sam Alves, de 24 anos, que promete arrepiar o público em seu país natal. No Twitter, fãs do reality show já manifestam ansiedade pela apresentação do cantor. Ele também começou sua contagem regressiva e, na mesma rede social, o apresentador prometeu que o programa desta semana, gravado previamente, está “absurdo”.

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Foi em abril deste ano que Sam chegou ao The Voice USA. De costas para ele estavam os técnicos Adam Levine, Blake Shelton, Usher e Shakira. Ele cantou Feeling Good, clássico na voz de Nina Simone. Todos demonstram estar gostando. Shakira chega a colocar a mão sobre o botão, mas não aperta. Terminada a canção, Sam se decepciona ao constatar que ninguém se virou. Com os olhos marejados, Shakira está visivelmente arrependida. O jovem diz o nome e que nasceu no Brasil. A latina abre um largo sorriso e pede licença aos colegas para falar em português: “Eu adorei você. Acho que você é um cantor realmente bom”. Todos o elogiam e, na saída, Shakira lhe pede um beijo e um abraço. “Muita sorte! Você vai triunfar. Tenho certeza disso”, diz a ele.


Sam Alves mostra o bilhete deixado com ele, quando foi abandonado com dois dias de vida

Sam Alves mostra o bilhete deixado com ele, quando foi abandonado com dois dias de vida (VEJA)

História – Sam garante não estar desapontado. Nem de longe essa foi a pior rejeição que já sofreu na vida. Quando tinha somente dois dias de vida, foi abandonado em uma caixa de sapatos na porta de uma casa, em Fortaleza, Ceará. Com ele, uma carta escrita com dificuldade dizia que ele havia nascido no dia 3 de junho de 1989 e tomado mingau às 13h daquele dia 5, quando Luis e Raquel Alves o encontraram. “Abri a caixa e o bebê estava lá, quietinho. Ele é um milagre”, contou a mãe adotiva, no reality show americano. O menino havia acabado de completar 4 anos quando sua nova família decidiu tentar a vida nos Estados Unidos. Cresceu e foi educado em Massachusetts. O pai havia virado pastor e a mãe fazia limpeza.

Aos 14 anos, Raquel começou a treiná-lo para cantar na igreja, e em 2003, os dois voltaram para o Brasil para um trabalho missionário. Sam continuou se aperfeiçoando, na Escola de Música de Brasília, e chegou a gravar um álbum independente de música gospel. Quatro anos depois, os dois voltaram para os Estados Unidos, onde Luis havia ficado sozinho. Logo em seguida, o casal se separou. Sam ficou com a mãe, com quem chegou a enfrentar algumas dificuldades financeiras para que pudesse seguir seu sonho de cantar profissionalmente. Fez parte de alguns grupos de coral em sua cidade, mas nunca chegou a deslanchar como realmente quer.

O jovem gosta de dizer que é um “sobrevivente”. E tem razão. Deixou para trás a eliminação no The Voice USA e agora se concentra na nova chance de mostrar seu trabalho e, quem sabe, ser finalmente reconhecido. “Depois que meu pai saiu de casa, minha mãe passou a depender ainda mais de mim. Eu quero ser capaz de ajudá-la fazendo o que mais amo. Ela foi a única pessoa que se importou comigo, e sou muito grato por isso”, falou, com a voz embargada na apresentação da versão americana, onde contou um pouco de sua história – que deve ser destaque também nesta quinta-feira, logo depois da novela Amor à Vida.


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Sam Alves

Quando as cadeiras dos quatro técnicos se viraram nas audições às cegas, todos já sabiam que Sam Alves estava garantido na final da segunda temporada do The Voice Brasil. Conforme o programa avançava – e sua torcida crescia nas redes sociais – a vitória ficava mais perto. Até que se consumou fácil. Saiu do time de Claudia Leitte para gravar o primeiro CD pela Universal, com as versões apresentadas no programa e uma música autoral: Be With Me, que já teve clipe lançado no YouTube. Faz shows pelo Brasil e concorre ao Prêmio Multishow 2014, na categoria Experimente.

Gustavo Fagundes

O estudante de Medicina encantou técnicos e público não só pela voz, mas também pela beleza envolta em um belo par de olhos claros. Foi pupilo de Lulu Santos, acabou eliminado e resgatado por Claudia Leitte, mas caiu antes da final da primeira temporada da competição. Ainda assim, foi contratado pela Universal – a mesma gravadora que fecha com o campeão -, lançou um EP e foi eleito uma das apostas do ano pelo iTunes.

Dom Paulinho Lima

Arrebatou os quatro técnicos nas audições às cegas da segunda temporada, com a voz moldada para a black music. Avançou até a semifinal, quando o técnico Lulu Santos não perdoou erros na letra da música BR3 e decidiu cortá-lo – foi um dos momentos mais controversos do programa, com grande revolta dos fãs pelas redes sociais. Vida que segue, fechou com a gravadora do vencedor Sam Alves e ainda teve o CD lançado ao mesmo tempo.

Lucy Alves

Com a inseparável sanfona, Lucy Alves fez de suas apresentações uma reverência à música nordestina, e se tornou a queridinha do técnico Carlinhos Brown na segunda temporada. Chegou à final, mas foi superada por Sam Alves. Ao lado dele e dos outros dois finalistas, Rubens Daniel e Pedro Lima, correu o Brasil com a The Voice Tour. Foi contratada pela Universal e teve o CD lançado na mesma leva de Dom Paulinho Lima e Sam. Tem uma agenda movimentada de shows desde então.

Pedro Lima

Saiu de um concurso de cantar no chuveiro, promovido pelo Mais Você de Ana Maria Braga, direto para o palco do The Voice Brasil. Só viu a cadeira de Lulu Santos se virar, e encontrou no técnico o maior apoiador. Era um dos favoritos da segunda temporada, saiu em turnê pelo Brasil com os finalistas, mas viu a vitória ficar com Sam. Cruzou a Europa em uma série de shows e voltou ao país lançando uma canção inédita, Inverno.

Ellen Oléria

Foi a vencedora da primeira temporada do programa, o que lhe garantiu contrato com a gravadora Universal (além de um carro e 500.000 reais em dinheiro). O CD, lançado em julho de 2013 com participação do ex-tutor Carlinhos Brown em uma das faixas, arrebatou crítica e público. Tem clipe novo lançado este ano, para a música Córrego Rico. Antes de participar do reality, já havia gravado outros dois álbuns: Peça (2009) e Ellen Oléria e Pretutu ao Vivo no Garagem (2012).

Ju Moraes

Tinha só três anos de carreira quando chegou ao The Voice Brasil e escolheu compor a equipe de Claudia Leitte. Assinou contrato com a mesma gravadora da vencedora Ellen Oléria. Lançou o CD e DVD Em Cada Canto um Samba, com participações da ex-técnica e de Carlinhos Brown.

Danilo Dyba

Único homem a conquistar uma das oito vagas da final da primeira temporada do programa, vibrou quando o sertanejo Daniel bateu para ele nas audições às cegas. Manteve contato de perto com o técnico mesmo depois do programa, e chegou a abrir alguns shows dele. Assinou também com a Universal, para gravar o primeiro CD e já prepara o segundo álbum.

Ludmillah Anjos

Babado, Confusão e Gritaria era o bordão usado por ela no The Voice Brasil, e virou também o nome do seu CD. Ex-pupila de Carlinhos Brown, perdeu a vaga final para a campeã Ellen Oléria. Sempre foi mais reconhecida pelo show no palco do que essencialmente pela voz. Já cantou com Daniela Mercury e foi a atração principal de um festival de música brasileira na Europa.

Mira Callado

Era do time de Carlinhos Brown, mas foi por Cláudia Leitte que ela foi mais abraçada depois do programa – Mira Callado tem a carreira agenciada pela cantora. “Gosto muito dela e acredito no seu trabalho”, disse a técnica.