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George Clooney expõe privilégio branco em ‘Suburbicon’

Diretor volta a 1962 para criticar os americanos que querem tornar a América grande novamente

Já deu para notar que George Clooney é apaixonado pelo passado – os filmes dirigidos por ele são ambientados nos anos 1940, 1950 e 1960. Todos têm certa nostalgia, mesmo quando eventualmente tocam em assuntos pesados. Não é o caso de Suburbicon, seu sexto longa-metragem atrás das câmeras. A produção mostra que só pode ter saudades daquele tempo quem é branco, homem, heterossexual.

Alguém como Gardner (Matt Damon), por exemplo. Ele trabalha na área financeira, vive numa casa confortável na Suburbicon do título com a mulher Rose (Julianne Moore), que ficou paraplégica num acidente de carro, e o filho Nicky (Noah Jupe). A irmã gêmea de Rose, Margaret (Julianne Moore de novo), está visitando.

É 1962, quando o movimento pelos direitos civis começa a pegar fogo. Para a casa ao lado, mudam-se os Meyers (Leith M. Burke, Karimah Westbrook e Tony Espionsa), uma família negra. Em pouco tempo, há grupos de pessoas do lado de fora, vigiando o que eles fazem. Enquanto isso, a casa de Gardner é invadida, e Rose acaba morrendo. As suspeitas recaem sobre os novos vizinhos, ainda que os meninos Nicky e Andy tenham firmado uma amizade. Claro que os Meyers não são culpados.

Suburbicon trata de preconceito racial e do ambiente opressivo dos subúrbios americanos de maneira cômica – o roteiro é dos irmãos Joel e Ethan Coen e, óbvio, não falta gente fazendo maldade de jeito patético. Há momentos bem engraçados e ácidos e uma bela cena envolvendo um muro e um varal de roupas. Mas a verdade é que Clooney não dá conta de conectar totalmente o puro preconceito sofrido pelos Meyers com o privilégio branco desfrutado por Gardner, perdendo a chance de ser mais contundente na sua crítica a quem quer tornar a América grande novamente.