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Festival de Cannes é acusado de discriminar mulheres pelo sapato

Convidadas sem salto alto estariam sendo vetadas da escadaria do evento. Organização nega

Um grupo de mulheres de cerca de 50 anos teria sido barrado no Festival de Cannes por usar sapatos sem salto, antes da exibição do filme Carol, que traz a atriz Cate Blanchett em um romance lésbico com Rooney Mara. A notícia, divulgada pelo site da revista Screen, resultou em críticas de atores e diretores que participam do evento. A organização nega.

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“O rumor segundo o qual o Festival de Cannes exige salto alto para as mulheres é infundado”, esclareceu em um tuíte o diretor artístico do festival, Thierry Frémaux. Os convites de gala do evento informam, sem mais detalhes, que os frequentadores devem trajar “smoking, vestido de festa”, mas não faz menção a saltos.

As redes sociais estão repletas de comentários sobre a nota da revista Screen, que chegou a ser mencionada na coletiva do filme Sicario, do diretor canadense Denis Villeneuve, com Emily Blunt, Benicio Del Toro e Josh Brolin. “Francamente, todos deveriam usar sapatos baixos”, disse na entrevista Emily Blunt, que chegou caminhando com dificuldade justamente por estar usando saltos muito altos. “Não deveríamos usar saltos altos”, comentou a atriz britânica em resposta a um repórter.

Villeneuve se apressou em acrescentar, desencadeando um riso generalizado: “Em sinal de protesto, Benicio, Josh e eu vamos subir a escadaria de salto alto nesta noite”.

O diretor Asif Kapadia, do documentário Amy, sobre a cantora Amy Winehouse, somou-se à controvérsia afirmando em um tuíte que sua esposa também teve o mesmo problema, mas que acabou conseguindo entrar na sala.

Indústria fashion – A moda também é assunto do festival por causa do documentário The True Cost, que critica a indústria fashion atual, e as precárias condições dos trabalhadores do leste asiático, região de mão de obra barata onde as marcas produzem suas peças.

Dirigido por Andrew Morgan, The True Cost foi produzido de maneira colaborativa através do site de financiamento coletivo Kickstarter e a sua produtora executiva, Livia Firth, questionou a rapidez com que as pessoas compram e se desfazem de roupas: “Nossas mentes têm sido lavadas para acreditarmos que temos que consumir em ritmo rápido. Mas nós, como consumidores, precisamos perceber o quão poderosos somos”.