Favoritos vencem e ‘Game of Thrones’ faz história no Emmy

Série de fantasia da HBO, laureada com a estatueta de melhor seriado dramático, acumula o número recorde de 38 troféus na premiação

Conhecido por ser uma cerimônia que não costuma surpreender, o Emmy não fugiu à sua tradição neste domingo. Nas categorias mais importantes, série dramática e série cômica, venceram Game of Thrones e Veep, respectivamente, produções da HBO que já haviam sido premiadas em 2015 e que vinham fortes novamente neste ano. A série de fantasia, aliás, fez história no Emmy: contando com os três prêmios desta noite – melhor série, direção em série dramática e roteiro em série dramática – a produção chega a 38 estatuetas na premiação, um recorde. Antes, o título de maior vencedor do “Oscar da televisão” era Frasier (1993-2004), com 37 troféus.

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Nas categorias de ator e atriz de série dramática, os vencedores foram Rami Malek, pela primeira temporada de Mr. Robot, e Tatiana Maslany, em sua segunda indicação por Orphan Black. Foram vitórias inéditas, mas de nenhuma maneira surpreendentes: Malek foi muito elogiado por sua performance como o programador/hacker perturbado Elliot e Tatiana mostra muita versatilidade ao dar vida a oito personagens com personalidades completamente diferentes no seriado.

As categorias de atores coadjuvantes em séries dramáticas possuíam vários representantes de Game of Thrones, mas, no fim, nenhum deles ficou com os prêmios. Ben Mendelsohn, de Bloodline, deixou para trás Peter Dinklage e Kit Harington (além de Jon Voight, por Ray Donovan, Michael Kelly, de House of Cards, e Jonathan Banks, por Better Call Saul). Já a veterana Maggie Smith, de Downton Abbey, levou seu quarto Emmy e fez comer poeira o trio Lena Headey, Emilia Clarke e Maisie Williams (além de Maura Tierney, de The Affair, e Constance Zimmer, de UnREAL).

Veep ficou com a estatueta de melhor atriz em série cômica para Julia Louis-Dreyfus. Desde que a produção de sátira política estreou, em 2012, Julia está invicta nessa categoria – sim, são cinco troféus. Apesar de tantas vitórias, a atriz pareceu se esforçar para fazer um discurso que fugisse do protocolar, fazendo piadas e emocionando ao oferecer o prêmio a seu pai, William Louis-Dreyfus, que morreu na sexta-feira passada. “Fico tão feliz por ele gostar de Veep porque a opinião dele era a única que realmente importava”, disse, com lágrimas nos olhos.

Já o troféu de melhor ator de série cômica ficou com Jeffrey Tambor, pela segunda vez consecutiva por Transparent, que também levou o prêmio de direção em seriado cômico. Tambor, uma vitória previsível, mas merecida, consegue o perfeito equilíbrio entre o humor e o drama para sua personagem Maura, que se descobre mulher transgênero quando já está na casa dos 60 anos, com ex-mulher e filhos criados. Nos coadjuvantes das séries cômicas, saíram vencedores Louie Anderson, por Baskets, e Kate McKinnon por Saturday Night Live.

Minisséries, telefilmes e variedades

Como esperado, as categorias de série limitada (minisséries e telefilmes) foram dominadas por American Crime Story: The People vs. O.J. Simpson, que conta a história real do ex-jogador de futebol americano que foi acusado de matar sua mulher em 1992. Vencedora do troféu de melhor série limitada, a produção também levou neste domingo os prêmios de melhor ator (Courtney B. Vance), atriz (Sarah Paulson), ator coadjuvante (Sterling K. Brown) e roteiro (D.V. DeVincentis pelo episódio Marcia, Marcia, Marcia). Só perdeu o de melhor direção de série limitada para a dinamarquesa Susanne Bier, de The Night Manager.

Regina King levou seu segundo troféu consecutivo de atriz coadjuvante por American Crime, série antológica, que muda de enredo a cada temporada, de John Ridley. Sherlock: The Abominable Bride, protagonizado por Benedict Cumberbatch, ficou com a estatueta de melhor telefilme, atropelando o favorito All the Way, produção da HBO sobre o ex-presidente americano Lyndon B. Johnson, vivido por Bryan Cranston. Last Week Tonight With John Oliver ganhou o prêmio de melhor talk show e The Voice de melhor reality.

A festa

Apresentada pelo comediante Jimmy Kimmel, a cerimônia correu sem surpresas e também sem muita graça. Como são muitos prêmios a distribuir, não há espaço para longas brincadeiras, apresentações ou discursos, como acontece em outras premiações, como o Oscar. Uma das partes mais engraçadinhas foi a abertura, com um clipe em que Kimmel aparece “pedindo carona” aos personagens das séries para chegar à festa – chegou a parar o carro presidencial de Selina Meyer (Julia Louis-Dreyfus) e até mesmo o dragão de Daenerys (Emilia Clarke).

Outro momento digno de nota foi quando o apresentador, reconhecendo que a cerimônia era longa e que os convidados poderiam estar com fome, pediu ao elenco infantil de Stranger Things para distribuir sanduíches pelo teatro – os atores apareceram caracterizados como os personagens e de bicicleta. Foi fofo, mas um déjà vu do Oscar de 2014, quando Ellen DeGeneres fez a mesma coisa durante a festa, mas com pizza.