‘Estou pronto para a luta’, diz Gianecchini sobre tumor

Ator foi internado com sintomas de faringite e teve diagnóstico de linfoma

O ator Reynaldo Gianecchini, de 38 anos, foi diagnosticado com linfoma do tipo não-Hodgkin. O tumor, que atinge os gânglios linfáticos, foi descoberto em decorrência de uma infecção e uma reação alérgica surgidas após uma cirurgia de hérnia inguinal há cerca de um mês.

Gianecchini está internado há uma semana no hospital Sírio Libanês, e não tem previsão de alta. O ator estava em cartaz com a peça Cruel, encenada às segundas-feiras e terças-feiras em São Paulo. O espetáculo foi cancelado por tempo indeterminado. No final da tarde desta quarta-feira, o ator divulgou uma nota através da TV Globo, de onde é contratado. Diz a nota: “Após ser internado com suposto sintoma de faringite, foi diagnosticado um linfoma não-Hodgkin. Estão sendo realizados novos exames para especificação adequada. Estou pronto para a luta e conto com o carinho e amor de todos vocês.”

Os linfomas não-Hodgkin incluem mais de 20 tipos diferentes. A maioria dos linfomas é tratada com quimioterapia, radioterapia, ou ambos os procedimentos.

Perguntas & respostas

  • 1. O que é linfoma? É o termo usado para designar os tumores cancerígenos no sistema linfático, formado por vasos finos e gânglios (linfonodos) que atuam na defesa do organismo levando nutrientes e água às células e retirando resíduos e bactérias.
  • 2. Quais os tipos existentes? Existem duas categorias: o linfoma de Hodgkin e o linfoma Não-Hodgkin. Há dezenas de tipos dentro dessas categorias – uma lista atualização constante. O linfoma de Hodgkin é mais raro e atinge na maioria jovens e pessoas de meia idade. Já o Não-Hodgkin, como o que afetou o ator Reynaldo Gianecchini e a presidente Dilma Rousseff, responde por 90% dos casos e atinge sobretudo pessoas com mais de 55 anos. Os linfomas são classificados em quatro estágios. No estágio 1, observa-se envolvimento de apenas um grupo de linfonodos. Já no estágio 4, há envolvimento disseminado dos linfonodos.
  • 3. Existe apenas um tipo de Linfoma não Hodgkin? Os linfomas não Hodgkin são, na verdade, um grupo de cânceres que correspondem a mais de 20 doenças diferentes. A maioria (85%) atinge os linfócitos B e menos de 15% são de células T.
  • 4. O que causa o linfoma? Em geral não é possível descobrir a causa. Mas são conhecidos alguns fatores de risco:

    – Sistema imune comprometido – Pessoas com baixa imunidade, em razão de doenças hereditárias, uso de drogas imunossupressoras e infecção por HIV, têm maior risco de desenvolver linfomas. Pacientes portadores dos vírus Epstein-Bar e HTLV1 e da bactéria Helicobacter pylori têm risco aumentado para alguns tipos de linfoma.

    – Exposição química – Os linfomas estão também ligados à exposição a certos agentes químicos, incluindo pesticidas, solventes e fertilizantes.

    – Exposição a altas doses de radiação.

  • 5. Quais os sintomas? O principais sintomas são aumento dos linfonodos do pescoço, axilas e/ou virilha; sudorese noturna excessiva; febre; prurido (coceira na pele); e perda de peso inexplicada, sem infecções aparentes. A lista pode incluir outros sintomas que dependem da localização do tumor. Se a doença ocorre na região do tórax, por exemplo, os sintomas podem ser de tosse, falta de ar e dor torácica.
  • 6. Como se diagnostica o linfoma? São necessários vários tipos de exames para determinar o tipo exato de linfoma e esclarecer outras características, reunindo informações úteis para a escolha do tratamento mais eficaz. Os métodos utilizados são:

    – Biópsia, ou retirada e análise de uma pequena porção de tecido, em geral linfonodos.

    – Exames de imagem.

    – Estudos celulares, que incluem, entre outros, a análise de cromossomos. Novos testes, bastante promissores, surgem a partir de trabalhos com a análise do genoma.

  • 7. Quais os tratamentos? A maioria dos linfomas é tratada com quimioterapia, radioterapia ou ambos. A quimioterapia consiste na combinação de duas ou mais drogas, sob várias formas de administração, de acordo com o tipo de linfoma. A radioterapia normalmente é usada para reduzir a carga tumoral em locais específicos, aliviar sintomas relacionados ao tumor e também consolidar o tratamento quimioterápico, diminuindo as chances de recaída em certas áreas do organismo mais suscetíveis.
  • 8. Quais as chances de cura? As chances de cura variam muito e dependem fundamentalmente do estágio em que a doença é diagnosticada e do tipo de linfoma. Hoje, o cálculo do risco baseia-se nesses dois fatores e no chamado índice prognóstico, que considera uma série de características do paciente. Algumas condições, como ter 60 anos ou mais, sofrer de anemia e ter presença elevada de determinadas enzimas no organismo, elevam o índice e portanto o risco.
  • 9. Existem formas de prevenção da doença? Assim como em outros tipos de câncer, é possível que dietas ricas em verduras e frutas tenham efeito protetor contra o desenvolvimento de linfomas. Os especialistas, contudo, lembram que ainda não existem formas de prevenção comprovadas.
  • 10. Quantos casos acontecem por ano no Brasil? Segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca), houve, em 2009, 4.900 novos casos em homens e 4.200 em mulheres.