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Dylan é o 2º músico a ganhar Nobel literário – e o 1º em 103 anos

Rabindranath Tagore recebeu o título em 1913 e compôs mais de 2000 músicas e o hino nacional da Índia

Bob Dylan surpreendeu ao ganhar o Nobel de Literatura de 2016, nesta quinta-feira. Mas o compositor americano não foi o primeiro músico a receber o prêmio, que é entregue desde 1901. Antes dele — 103 anos antes dele, mais exatamente — houve o indiano Rabindranath Tagore, músico e também poeta e prosador, premiado pela Academia Sueca em 1913.

Tagore, que, segundo o site da Academia Sueca, é o Nobel de Literatura mais popular hoje, nasceu em 1861 em Calcutá, na Índia. Ele participou do movimento nacionalista indiano e era amigo pessoal de Mahatma Gandhi. Seu nome é uma dos mais importantes da literatura de Bengala, região que compreende o oeste indiano e Bangladesh. Como escritor, tornou-se famoso em seu país e notório no Ocidente quando seus textos foram traduzidos para o inglês, muitos deles pelo próprio autor.

Seus trabalhos não eram dedicados exclusivamente à música, mas suas obras incluem poesia, romance e dramaturgia.  Durante sua vida, o indiano escreveu mais de 2.000 canções. Há, inclusive, um estilo de música bengali batizado em sua homenagem, o rabindrasangit. Entre as suas obras musicais mais famosas, estão nada menos que dois hinos nacionais: da Índia e o de Bangladesh.

Quando venceu o Nobel em 1913, a Academia Sueca declarou que o indiano era merecedor do prêmio “por seus sensíveis, profundos e belos versos, com os quais, com habilidade consumada, fez o seu pensamento poético, expresso em suas próprias palavras em inglês, se tornar uma parte da literatura do Ocidente”. Tagore escreveu suas obras tanto em Bengali como em inglês.

Além de ser o primeiro músico a ganhar um Nobel por suas obras, Tagore foi o primeiro não europeu a receber o prêmio. Em um ranking dos autores mais populares já premiados com o Nobel de Literatura, disponibilizado no próprio site da Academia Sueca, o indiano aparece em primeiro lugar, seguido pelo americano John Steinbeck e o colombiano Gabriel García Márquez.