Divertido, ‘Guardiões da Galáxia’ supera as expectativas

Em uma mistura bem-sucedida de 'Star Wars' com 'Os Goonies', o novo filme de super-heróis da Marvel entra para a lista das melhores produções do ano

Tirar da gaveta heróis pouco populares das histórias em quadrinhos tem se mostrado uma experiência gratificante para a Marvel, que conseguiu revitalizar o enferrujado Homem de Ferro, deu nova cara (e músculos) ao deus nórdico Thor, e agora supera todas as expectativas com Guardiões da Galáxia, que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira.

O habilidoso grupo de seres intergalácticos apareceu pela primeira vez no mundo das HQs em 1969, mas continuaram relegados ao papel de coadjuvantes até os anos 1990, quando ganharam revistas com histórias próprias. A promoção veio depois de trabalharem muito no universo Marvel, salvando o mundo com os Vingadores e lutando com outros heróis da linha de frente da empresa. Fato parecido aconteceu no cinema. Agora, em 2014, após mais de uma década que as franquias de heróis arrecadam bilhões de dólares em bilheteria, finalmente a trupe de heróis desajustados conquistou seu lugar na sétima arte. E eles não poderiam ter estreia melhor.

Na trama do cinema, o terráqueo americano e anti-herói Peter Quill (vivido por um excelente Chris Pratt) rouba um objeto almejado por diferentes alienígenas, entre eles o poderoso Ronan, o Acusador, da raça kree. A cabeça de Quill vai a prêmio, o que provoca a ambição dos estranhos e engraçados ladrões Rocket Raccoon (um guaxinim falante dublado por Bradley Cooper) e seu comparsa Groot (uma árvore com a voz de Vin Diesel). A dupla acaba disputando o terráqueo com Gamora (Zoe Saldana), uma alienígena verde, sexy e muito perigosa. Na confusão entre o trio e a tentativa de fuga de Quill, todos acabam presos. Na cadeia, eles conhecem Drax, o Destruidor (Dave Bautista). Está então formado o grupo de foras da lei que, logo mais, vai se incumbir da missão de salvar a galáxia.

 

A combinação de gente estranha, festa esquisita, e reviravolta irreal tinha tudo para ser um fracasso. Tanto que, por muito tempo, os críticos especializados comentavam curiosos o possível resultado do filme. A maioria deles saiu com um sorriso do cinema, graças a outro ingrediente duvidoso, o diretor e roteirista James Gunn, que tem experiências com comédias banais, como Para Maiores (2013), e terrores nojentos, caso de Seres Rastejantes (2006). Pelo jeito, ele tinha as melhores referências para compor um filme leve e extremamente engraçado, uma mistura de Star Wars com Os Goonies. Logo, Gunn já está confirmado para conduzir o segundo longa da série, previsto para 2017.

No fim da ópera, Guardiões é quase uma paródia de filmes de heróis. Um respiro de diversão, tarefa primordial a que, desde sempre, se propõem os quadrinhos da Marvel, mas que é usada em doses homeopáticas pelo cinema de super-heróis.

Com enredo, elenco, efeitos e direção bem amarrados, o filme ganha uma cereja no bolo com a excelente trilha sonora, composta por canções dos anos 1970 e 1960. David Bowie, Jackson 5, Raspberries, Marvin Gaye, entre outros se tornam personagens da trama conforme a história acontece. Culpa da “Awesome Mix Vol.1”, mixtape feita pela mãe de Quill, que abre e fecha o filme. Destaque para a banda Blue Swede e seu indefectível hit Hooked on a Feeling.

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