Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Diogo Nogueira lança CD e DVD ‘Ao Vivo Em Cuba’

Sambista juntou música cubana a clássicos do samba no repertório do lançamento

Do pai, João Nogueira, Diogo Nogueira não aprendeu só sobre samba. Ouvia histórias sobre a revolução de Fidel Castro e Che Guevara na ilha de Cuba, no final dos anos 1950. Interessava-se pelos ritmos que, mesmo ainda garoto, reconhecia ter raízes semelhantes à música tocada no Rio de Janeiro. Foi pisando em Havana, capital cubana, no fim de outubro do ano passado, que ele percebeu que as semelhanças são maiores do que ele podia imaginar.

Foram quatro dias, pouco para ter uma percepção mais profunda da sociedade da ilha, mas o bastante para uma integração musical. Sua apresentação no Teatro Karl Marx, no centro da velha Havana e à beira do Golfo do México – e a mistura de samba com salsa e merengue – foi registrada e agora é lançada no projeto Ao Vivo Em Cuba, com show de estreia em São Paulo marcado para dia 14 de setembro, no HSBC Brasil.

Com uma tiragem total de 100 mil (60 mil DVDs e 40 mil CDs), o novo trabalho furou a fila entre os outros projetos do sambista. Mais um registro ao vivo que distancia o cantor dos discos de estúdio. O único, Tô Fazendo a Minha Parte, saiu em 2009, ao passo que, até o Ao Vivo Em Cuba, ele já havia lançado dois álbuns do tipo, com Ao Vivo (sua estreia solo, em 2007) e Sou Eu Ao Vivo (2010). “O disco de estúdio ficou para o ano que vem”, explica Diogo, já em processo de escolher o repertório. “Gravo ainda este ano.”

A integração com a música cubana, na apresentação, é representada pela faixa El Cuarto De Tula, uma canção do grupo cubano Buena Vista Social Club, registrada no disco que leva o nome da banda, de 1996. No palco do teatro Karl Marx, Diogo recebeu os Los Van Van, também locais, para a execução da canção. É o momento com maior sotaque espanhol do show.

De resto, a ideia do espetáculo era reunir grandes exemplares do cancioneiro popular brasileiro e interpretá-los num misto de samba com merengue, cumbia e salsa. Tem espaço para músicas como Ex-Amor (Martinho da Vila), Que Maravilha (parceria entre Toquinho e Jorge Ben Jor), Madalena (Ivan Lins), Coração em Desalinho (famosa na voz de Zeca Pagodinho), Vou Festejar (Jorge Aragão), além da homenagem ao pai de Diogo, João Nogueira, com Mineira, uma parceria de João com Paulo César Pinheiro. O repertório, que tem pouco sabor de novidade, é cantado pelo ganhador do Grammy Latino de melhor álbum de samba (com Tô Fazendo a Minha Parte) com elegância. “Selecionei um material que eu gostava, mas que talvez nunca mais tivesse a oportunidade de gravar”, justifica o cantor.

Durante os quatro dias em solo cubano, Diogo diz ter conseguido fazer poucas coisas, como conhecer uma escola de música infantil e passear pelo centro histórico. Tudo, no entanto, gravado em forma de documentário. O formato, chamado de Doc.Show, reúne a apresentação e trechos da viagem. E transforma um simples DVD ao vivo em um irreverente registro de um sambista em Cuba. E aí está o ineditismo.

(Com Agência Estado)