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Cristina Ortiz e os concertos no Municipal

Por AE

São Paulo (AE) – Com os braços, ela desenha a música no ar. O rosto se contorce em uma mistura difusa de sensações. Enquanto ensaia o concerto n.º 2 de Brahms, a pianista Cristina Ortiz se irrita, briga, pede silêncio na plateia, folheia freneticamente a partitura, troca olhares a todo instante com os músicos da orquestra, reclama de si própria. Ao piano, explica ao maestro o som que quer ouvir. E, quando ele vem, arrisca uma brincadeira. Abre um sorriso. “Eu sou assim”, ela diz na tarde de quarta, após o ensaio. “Sinto a música com o corpo, respiro com ela, é tudo muito intenso, a todo instante. Música é paixão.”

Ortiz toca hoje e domingo no Municipal o concerto de Brahms, regida pelo maestro Abel Rocha – e, amanhã, entre um concerto e outro, sobe ao palco para apresentação ao lado do Quarteto da Cidade de São Paulo, com quem executa o quinteto de César Franck, peça que gravou no ano passado na Europa.

Conversando com a reportagem, ela fala sobre seu método de trabalho. Diz que não sabe “fazer de outro jeito”. E reconhece que a consequência é a fama de difícil e explosiva. Sem hipocrisia – e com uma honestidade rara – ela costuma dizer o que pensa. Da última vez que tocou com a Sinfônica Municipal, em 2010, no Festival de Campos do Jordão, após uma semana tensa de ensaios, resolveu não se apresentar pouco antes de subir ao palco. Acabou sendo convencida, mas o episódio deflagrou uma crise que levaria eventualmente à substituição do maestro Rodrigo de Carvalho. No ano passado, quando a direção da Sinfônica Brasileira resolveu fazer provas de avaliação para seus membros, foi a primeira a cancelar seus concertos em apoio aos músicos, sendo seguida mais tarde por nomes como Nelson Freire e Antonio Meneses. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

CRISTINA ORTIZ – Teatro Municipal. Praça Ramos de Azevedo, s/nº, Centro, telefone 3397-0327. Hoje, às 21h; amanhã, às 16h; dom. às 17h. R$ 20/R$ 60.