Com Nicole Kidman, ‘Lion’ mostra sua ‘cara de Oscar’ em Toronto

Filme conta a história de um indiano adotado por um casal australiano que encontra sua família biológica graças à tecnologia

Nos últimos dias, muito se falou sobre filmes com “cara de Oscar”. Normalmente, essa descrição refere-se a biografias, produções baseadas em fatos reais ou em obras literárias, com histórias emocionantes e edificantes, daquelas que fazem rir e chorar sem pudores. Lion, do estreante Garth Davis, que faz sua estreia mundial no Festival de Toronto, é assim.

O longa conta a história de Saroo (Sunny Pawar), que tem uma vida miserável num pequeno povoado indiano. Aos 5 anos, ele ajuda a família a conseguir algum dinheiro – sua mãe carrega pedras para sustentar os três filhos. Um dia, Saroo insiste em acompanhar o irmão mais velho, Guddu (Abhishek Bharate), em um de seus trabalhos. Perde-se quando o trem onde descansa começa sua viagem sem passageiros até Calcutá, a 1.600 quilômetros dali. Saroo vaga pela cidade e topa com tipos suspeitos. É levado para um orfanato e adotado pelo casal australiano Sue (Nicole Kidman, completamente desglamorizada) e John (David Wenham).

LEIA TAMBÉM:
Com Ryan Gosling e Emma Stone, ‘La La Land’ é favorito ao Oscar
Natalie Portman brilha como Jacqueline Kennedy em ‘Jackie’
Envolto em controvérsia, ‘The Birth of a Nation’ decepciona

Vinte anos mais tarde (interpretado por Dev Patel), o rapaz decide procurar sua antiga casa com ajuda do Google Earth.
É uma história incrível, daquelas que a ficção jamais daria conta. Na primeira metade, o filme reconstitui as provações do pequeno Saroo, uma atuação impressionante de Sunny Pawar, que pode muito bem ser indicado ao Oscar. Dev Patel também oferece uma bela performance na fase adulta, como o rapaz que bloqueou o passado e de repente é invadido pelas memórias. Mas esta é a parte menos desenvolvida da trama, alongada e cheia de pontas soltas, como a relação de Saroo com seu irmão adotivo. Mas é um filme correto, até contido para o que poderia ser.

A questão é que “o filme de Oscar” não tem mais tanto prestígio com a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood – se é que foi tão preponderante algum dia. É só ver os vencedores dos últimos anos: Spotlight: Segredos Revelados, Birdman, 12 Anos de Escravidão, Argo não se encaixam totalmente na definição.

No caso do Oscar de produção em língua estrangeira, que levantou novamente essa discussão, não faz o mínimo sentido nas premiações recentes, com a vitória de longas como O Filho de Saul, A Grande Beleza e Amor. Dito isso, é bem possível que Lion esteja, sim, entre os indicados. Se vai ganhar, é outra história.