Cartas do assassino de John Lennon vão a leilão

Chapman escreveu quatro missivas afáveis ao policial que o prendeu, que agora coloca os textos à venda. Casa de leilões americana Moments in Time também vai oferecer disco com autógrafo de Lennon a seu matador

As cartas enviadas por Mark David Chapman a Stephen Spiro, o policial que o prendeu após o assassinato de John Lennon, executado em 8 de dezembro de 1980 em frente a seu prédio em Nova York, serão colocadas à venda por 75.000 dólares. O negócio vai ser feito pela casa de leilões americana Moments in Time.

Capa do vinil 'Double Fantasy' que pertencia a Chapman, assinado por John Lennon cinco horas antes de morrer

Capa do vinil ‘Double Fantasy’ que pertencia a Chapman, assinado por John Lennon cinco horas antes de morrer (VEJA)

Nas cartas, Chapman, que cumpre pena em uma prisão do estado de Nova York, mostra afabilidade com Spiro, diz que ele é um “ótimo policial” e que eles podem ser “amigos” e também pede que Spiro leia o famoso romance de J.D. Salinger, The Catcher in the Rye (O Apanhador no Campo de Centeio), que, segundo o assassino amalucado, explicaria os motivos do assassinato. Conta-se que Lennon lia o livro quando foi morto.

As quatro cartas foram escritas entre janeiro e maio de 1983. Depois disso, Chapman não voltou a enviar escritos para Spiro, que disse ter respondido ao preso algumas vezes. “Elas estiveram em meu poder durante trinta anos, agora tenho 66 anos, e penso: o que vou fazer com elas? Foi assim que decidi vendê-las”, disse Spiro à rede de TV americana CNN.

A Moments in Time também vai colocar à venda o exemplar do vinil Double Fantasy, lançado por Lennon e a mulher, Yoko Ono, em 1980, que conta com o autógrafo dedicado a Chapman. Antes de matar Lennon, Chapman se aproximou para pedir um autógrafo. O disco terá um preço de saída de 650 000.

Chapman já cumpriu 31 anos de prisão, mas, apesar de seus contínuos pedidos para ter sua liberdade decretada, a justiça americana vem rejeitando a possibilidade continuamente.