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Bilheteria chinesa deve ser a maior do mundo em 2017

Já neste ano, arrecadação das salas de exibição do país asiático deve chegar a 6,5 bilhões de dólares, um crescimento de 35% em relação a 2014

'Velozes & Furiosos 7', o filme de maior bilheteria na China em 2015

‘Velozes & Furiosos 7’, o filme de maior bilheteria na China em 2015 (VEJA)

Se hoje a estreia de um filme na China já pode mudar o seu resultado para o estúdio que o bancou, ela deve se tornar decisiva a partir de 2017, quando a bilheteria chinesa será a maior do mundo. Mesmo com a redução no crescimento econômico, o público que frequenta os cinemas no país sobe mais que o esperado e o mercado local deve alcançar faturamento de 6,5 bilhões de dólares neste ano, um crescimento de 35% em relação a 2014. Os dados são de pesquisa divulgada durante o US-China Film Summit, evento que reúne executivos de Hollywood e da indústria cinematográfica chinesa, por Mike Ellis, diretor das operações na Ásia da Motion Picture Association of America, reportada pelo jornal britânico The Guardian.

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Se a bilheteria chinesa continuar a se expandir na mesma taxa que apresenta hoje, chegará aos 11,9 bilhões de dólares no fim de 2017 e ultrapassará a americana, que este ano deve bater recorde e chegar a 11 bilhões de dólares, valor 6% maior do que em 2014. “Vimos um crescimento inacreditável na última década”, disse Ellis sobre o mercado chinês, acrescentando que o país tem construído cerca de quinze salas de cinema por dia, número que deve crescer para vinte no ano que vem.

Segundo a publicação, as possíveis explicações para o bom resultado desse mercado na China estão no crescimento dos cinemas multiplex, os complexos com mais de uma sala de exibição, e o surgimento de uma nova classe média com dinheiro para gastar com entretenimento.

Neste ano, os Estados Unidos já se beneficiaram bastante com a China, com quatro filmes americanos na lista das dez maiores bilheterias no país asiático. O primeiro deles é Velozes & Furiosos 7, que arrecadou 390,9 milhões de dólares por lá.

Homem de Ferro 3 (2013)

O novo filme da franquia Homem de Ferro, dirigido por Shane Black e produzido por Hollywood em parceria com a empresa chinesa DMG Entertainment, chegará aos cinemas da China com cenas adicionais sobre a cultura do país, filmadas em Pequim. Além disso, será inclusa uma sequência com Fan Bingbing, uma das mais importantes atrizes chinesas, que ficou de fora da versão destinada ao resto do mundo. 

A Viagem (2012)

O longa dirigido por Tom Tykwer e Lana e Andy Wachowski sofreu um dos maiores cortes da censura chinesa. Dos 172 minutos do filme original, 40, que continham sexo e violência, foram retirados da versão exibida na China, o que representa aproximadamente 23% do longa. Durante a estreia de A Viagem, Lana afirmou que o fato de terem censurado o filme era uma “droga” e sugeriu que os interessados assistissem à versão completa na internet. 

007 – Operação Skyfall (2012)

O filme do agente secreto James Bond, dirigido por Sam Mendes, sofreu cortes de cenas em que um segurança chinês é morto em Xangai e teve algumas de suas legendas alteradas para evitar referências a prostituição e tortura em prisões chinesas. Além dos cortes, o longa também teve sua estreia atrasada na China, que preferiu lançar produções nacionais em novembro de 2012, quando 007 – Operação Skyfall chegou aos cinemas da maior parte dos países. O filme só estreou por lá em janeiro de 2013, mas teve arrecadação de aproximadamente 59 milhões de dólares, o quarto mercado internacional mais lucrativo do longa. 

Looper: Assassinos do Futuro (2012)

O filme de Rian Johnson teve de alterar o local onde se passa parte das ações de Paris para Xangai, uma forma de assegurar o aporte financeiro da produtora chinesa DMG Entertainment. Somente a China exibiu o longa com todas essas sequências, enquanto parte das cenas foi cortada da versão final exibida em outros lugares do mundo. 

MIB³ – Homens de Preto 3 (2012)

Dirigido por Barry Sonnenfeld, o terceiro filme da franquia MIB teve treze minutos cortados de sua versão original para que pudesse ser exibido na China. Foram eliminadas cenas em que os agentes secretos, J (Will Smith) e K (Tommy Lee Jones), travam uma batalha contra alienígenas disfarçados de chineses. Aparentemente, os cortes valeram a pena, já que o longa conseguiu arrecadar cerca de 77,2 milhões do dólares no país, a maior bilheteria fora dos Estados Unidos.

Titanic 3D (2012)

A versão em 3D do filme de 1997, dirigido por James Cameron, teve de ser cortada para agradar a censura chinesa. Antes do relançamento no país, em abril de 2012, foram retiradas as cenas em que a atriz Kate Winslet aparece posando para Leonardo DiCaprio com os seios à mostra. Em entrevista ao jornal americano The New York Times, o diretor afirmou que aceitou os cortes por causa da importância do mercado chinês, que se confirmou ao oferecer a maior arrecadação do filme: 145 milhões de dólares, superando até mesmo o montante americano, de 57,8 milhões. 

Amanhecer Violento (2012)

O inimigo do filme original, lançado em 1984, era a União Soviética. Para o remake, seria substituído pela China. No entanto, os investidores não gostaram da ideia de perder o mercado asiático e o filme teve de ser redublado às pressas para fingir que os vilões eram norte-coreanos. Foi gasto mais de 1 milhão de dólares para alterar toda a produção, cenas foram editadas e símbolos chineses foram alterados digitalmente para dar lugar a norte-coreanos. 

Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora É Outro (2010)

O filme brasileiro dirigido por José Padilha foi a segunda produção nacional a ser exibida no circuito comercial chinês, seguindo Na Estrada da Vida (1983), de Nelson Pereira dos Santos. Por causa das cenas violentas que mostravam o confronto direto entre policiais e traficantes de drogas, o longa teve 24 minutos cortados para que pudesse ganhar os cinemas chineses. A arrecadação da produção no país ficou em apenas 2 milhões de dólares, pouco representativa para a o total, de pouco mais de 63 milhões de dólares. 

Karatê Kid (2010)

O remake do filme Karate Kid, dirigido por Harald Zwart, foi uma das maiores mudanças que o cinema hollywoodiano teve de empreender para agradar aos chineses. O longa foi financiado parcialmente pela China Film Group, empresa estatal que realiza e controla as produções cinematográficas exibidas na China. A história de Karatê Kid, que na versão original, de 1984, se passa nos Estados Unidos, mudou sua localização para a China. Também o herói do filme, Dre Parker (Jaden Smith), em vez de praticar karatê, decide aprender a luta chinesa kung fu. Mesmo com tamanho afago ao ego chinês, a produção ainda teve de cortar uma cena em que o protagonista aparece beijando sua namorada, Mei Ying (Wenwen Han), para ser exibido no país. 

(Da redação)