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Academia Sueca descarta tirar Nobel de Günter Grass

Alemão vem sendo criticado por poema em que ataca política de Israel para o Irã

A Academia Sueca descartou nesta terça-feira retirar o Nobel de Literatura do escritor alemão Günter Grass após a polêmica suscitada por um poema-manifesto em que critica o potencial atômico de Israel e critica a política do país em relação ao Irã. O texto foi publicado por um jornal alemão na quarta-feira passada e, no domingo, Grass foi considerado persona non grata em Israel, que proibiu a entrada do escritor.

“Não há nem haverá nenhuma discussão na Academia sobre retirar-lhe o prêmio”, disse nesta terça, em seu blog, Peter Eglund, secretário permanente da instituição que outorga anualmente o Nobel de Literatura. Englund afirmou que a decisão de premiar Grass em 1999 esteve baseada “em seus méritos literários”, algo que certamente pode ser aplicado “a todos os ganhadores”.

O jornal alemão Süddeutsche Zeitung e meios internacionais divulgaram na quarta-feira passada o poema ‘Was Gesagt Werden Muss” (“O que é preciso dizer”), no qual Grass afirma que o programa atômico de Israel é uma ameaça à “frágil paz mundial” e que um ataque do país contra o Irã poderia levar ao aniquilamento de sua população. O escritor rompeu assim um tabu na tradicional cautela da Alemanha que, por razões de responsabilidade histórica, evita qualquer crítica aos judeus.

Grass, de 84 anos, reconheceu em 2006 ter servido, aos 17 anos e durante nove meses, nas Waffen-SS, uma confissão tardia que nesse momento suscitou já uma grande polêmica. Ao longo de boa parte de sua carreira, Grass tinha se comportado como uma espécie de voz da consciência frente ao passado nazista de políticos e intelectuais.

O poema suscitou na Alemanha críticas de grande parte da classe política do país e também do âmbito intelectual e literário. No entanto, a dura reação do governo israelense foi qualificada de exagerada e até populista, tanto na Alemanha como em Israel, após o que começaram a surgir apoios ao escritor.

(Com agência EFE)