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‘A 5ª Onda’ não convence como saga teen — nem como filme-catástrofe

Adaptação fraca faz do longa uma produção entediante e esquecível

Uma nave alienígena paira ameaçadoramente sobre a Terra e, após alguns dias, inicia uma série de ataques, chamados de ondas. Este é o ponto de partida do filme A 5ª Onda, a nova superprodução adolescente que saiu da literatura e chegou aos cinemas com o intuito de ser a franquia teen da vez, lugar antes ocupado por séries como Jogos Vorazes, Crepúsculo, e Harry Potter. Porém, o longa estrelado pela promissora Chloë Grace Moretz não passa de uma onda de tédio, que deixa a desejar tanto como saga jovem, quanto como filme-catástrofe.

Baseado no primeiro livro de uma trilogia – iniciada em 2013 – assinada por Rick Yancey, o filme mostra a destruição do planeta em parcelas. A primeira onda alienígena acaba com qualquer sistema elétrico; a segunda causa tsunamis que exterminam aqueles que vivem no litoral; a terceira traz um vírus responsável por matar 98% dos humanos; na quarta, os aliens, chamado de Outros, revelam estar disfarçados entre as pessoas e começam a eliminar os sobreviventes. É na iminência de uma quinta onda que o longa apresenta a protagonista Cassie (Chloë), cuja mãe morreu doente e o pai assassinado, e agora precisa resgatar o irmão que foi levado para uma base militar.

Assim como no livro, o filme começa com uma longa sequência de flashbacks. Porém, a necessidade de deixar tudo mais ágil faz com que muito do mistério e tensão se percam. A adaptação também perde parte da liberdade da literatura ao amenizar para a audiência jovem cenas de tom violento ou sanguinário. Um bom exemplo é a terceira onda, na qual o vírus transforma os humanos em uma bomba de sangue que escorre por todos os lados, algo nem mencionado na versão cinematográfica. A falta de ousadia enfraquece o filme, que acaba dentro do padrão bobinho já repetido à exaustão em outras adaptações de censura livre.


Cassie chega aos cinemas como uma heroína fraca. O ritmo do filme, que tira dela qualquer poder de decisão, deixa a impressão que ela sobreviveu até o momento por pura sorte, e, somente no final, percebe-se que ela é uma boa estrategista e sabe lutar sozinha. Porém, na pressa do clímax, essas poucas ações se perdem. A essência lânguida da personagem é um tiro no pé, especialmente quando comparada a heroínas jovens recentes, como Katniss (Jennifer Lawrence), de Jogos Vorazes, e Tris (Shailene Woodley), de Divergente – duas fortes e independentes protagonistas. Vale lembrar que Chloë Grace alcançou fama após interpretar a durona Hitgirl de Kickass, então ela conseguiria se mostrar mais poderosa do que o diretor J. Blakeson decidiu filmar.

O ponto positivo é que a trama amorosa ficou encurralada no final da história, dando mais espaço às cenas de ação. Um alívio, pois ninguém merece uma nova versão de Crepúsculo, mas com alienígenas no lugar de vampiros.

O autor Rick Yancey também escreveu O Mar Infinito (Editora Fundamento), e se prepara para lançar The Last Star, em maio deste ano, finalizando a trilogia. Ainda não há confirmações de gravações dos próximos episódios, mas o plano de Hollywood é seguir com a franquia. Claro, se ganhar um bom dinheiro com o primeiro filme. Com tantos equívocos, o melhor é esperar para ver como a audiência vai responder ao longa.