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China

24/07/1985 19:42

O que dizia a reportagem de VEJA

O que ocorre na China, mais uma vez, é um experimento cheio de novidades e imprevistos. Depois de ter surpreendido - e assustado - o mundo com a mais radical das revoluções comunistas, em que, especialmente durante os dez anos de Revolução Cultural (1966-1976), tentou levar a extremos jamais vistos a idéia do "social" e da condenação implacável de qualquer desvio "burguês", ou individualista, eis que a China dá meia volta e de novo mostra sua vocação para trilhar os caminhos da audácia. Trata-se de manobras de tirar o fôlego, ainda mais quando se sabe que a cada uma dessas bruscas viradas a China arrasta sua assombrosa carga de 1 bilhão de habitantes e a mais antiga das civilizações ainda vivas no planeta. Entenderá mal o que ocorre no país, porém, quem imaginá-lo - como às vezes sugerem as notícias que chegam ao Ocidente - transformado do dia para a noite num paraíso capitalista. Há um certo sentido de urgência em tudo isso, como se os chineses estivessem procurando recuperar o tempo perdido. O problema é que a China tenta mergulhar no futuro com os pés amarrados a um passado cujo peso e cuja herança se fazem sentir, nela, como em nenhum outro país do mundo.

O que aconteceu depois

No mesmo ano em que a reportagem de VEJA foi publicada, o reformista Hu Yaobang, secretário-geral do Partido Comunista havia sete anos, foi substituído pelo antigo premiê Zhao Ziyang. Em abril de 1989, a morte do líder reformista Hu desencadeou uma série de protestos de estudantes contra o governo, cujo auge foi o massacre na Praça da Paz Celestial. Milhares de dissidentes políticos foram presos e o mundo se manifestou contra a repressão chinesa. O impacto dos protestos, porém, logo foi sentido: em 1989, Zhao foi substituído por Jiang Zemin, que assumiu também a presidência da China em 1993. Seguindo os ensinamentos de Deng Xiaoping, Jiang manteve a marcha de reformas econômicas e alterou a Constituição para anunciar a busca de uma "economia de mercado socialista", em que o Partido Comunista manteria o poder, mas encorajaria a livre iniciativa econômica. Deng morreu em 1997, mas seu projeto de renovação continuou.

Em outubro de 1999, a China comemorou cinqüenta anos de comunismo ao mesmo tempo em que realizava uma manobra histórica: depois de treze anos de negociações, fechou um acordo para a esperada abertura de sua economia à globalização. O PIB chinês, que aumentou 5 vezes em pouco mais de duas décadas, fez do país a sétima economia do mundo - com perspectivas de se tornar a segunda até 2020. Em julho de 2001, durante o 80º aniversário de fundação do Partido Comunista chinês, Jiang Zemin anunciou que a agremiação passaria a aceitar a filiação de empresários e profissionais liberais. No mesmo ano, pela primeira vez, a lista dos homens mais ricos do mundo preparada pela revista Forbes trazia dois chineses. Em 11 de novembro de 2001, a China oficializou sua entrada na economia global e ingressou, de forma definitiva e com aprovação unânime, na Organização Mundial do Comércio (OMC). No ano seguinte, a economia da China quebrou um novo recorde: o país atraiu 52,7 bilhões de dólares e desbancou os Estados Unidos no ranking mundial de países que mais receberam investimentos diretos do exterior. No início de 2003, Jiang deu início à transição política do país. Ele passará o bastão ao pragmático vice-presidente Hu Jintao, de 58 anos, que deve comandar a quarta e talvez última geração de líderes comunistas chineses.

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