PF investiga suposto vazamento da redação do Enem

Professores de um curso pré-vestibular de Petrolina, em Pernambuco, dizem que alunos já sabiam do tema antes do exame do domingo

A Polícia Federal de Juazeiro, na Bahia, iniciou nesta terça-feira as investigações para apurar denúncia de suposto vazamento do tema da redação da prova do Ensino Nacional do Exame Médio (Enem), no domingo. A apuração vai ocorrer após denúncia feita por professores de um curso pré-vestibular de Petrolina, em Pernambuco, cidade separada de Juazeiro pelo Rio São Francisco.

“Há indícios de que a história tem fundamento”, disse o delegado federal Alexandre de Almeida Lucena, que designou uma equipe para fazer um levantamento inicial da suspeita e coletar nomes de professores e alunos a serem ouvidos. O passo seguinte seria a instauração de inquérito policial. “Neste caso, vamos buscar saber como se deu (o suposto vazamento) e se alguém recebeu vantagem”, afirmou.

Mais de uma hora antes do início da prova do Enem, um grupo de estudantes que fazia o concurso procurou os professores do Curso Geo Petrolina Pré-Vestibular, que haviam montado um ponto de apoio para tirar dúvidas e esclarecer candidatos, próximo a locais de realização da avaliação. Os candidatos pediam ajuda para desenvolver a redação para o tema “trabalho e escravidão” – que de fato foi assunto da redação do Enem.

De acordo com o professor de português Marcos Freire, um dos estudantes, aluno do curso Geo, disse que o tema da redação havia sido vazado em São Raimundo Nonato, no Piauí, e que ele tinha recebido a informação. O boato se espalhou e outros candidatos recorreram aos professores. “Na hora, não acreditei na história do vazamento, mas atendemos aos alunos, discutindo o tema”, disse o professor Marcos Freire. Os professores Ramón Bandeira e Diego Alcântara também discutiram o assunto com os estudantes, de acordo com o coordenador do Curso Geo, Nivaldo Moreira.

Depois da prova, ao saber da confirmação do tema do Enem – “Trabalho na construção da dignidade humana” – veio a preocupação. “A questão é séria e terminamos nos envolvendo por não termos dado a devida dimensão ao fato”, avaliou Freire. “Vacilamos, deveríamos ter divulgado esta informação antes”, reforçou o coordenador do curso, Nivaldo Moreira, que é professor de física. Ele também se encontrava no local e testemunhou a procura dos estudantes e a história do boato do vazamento.

Os professores deram entrevistas à emissora de televisão local, TV Grande Rio, afiliada à Rede Globo, que divulgou a informação.

(Com Agência Estado)