Ocupação da reitoria da UnB termina após cinco dias

Estudantes, que ignoravam ordem judicial desde domingo, deixaram o local depois da intervenção de uma oficial de Justiça

Os estudantes que ocupavam o prédio da reitoria da Universidade de Brasília (UnB) desde a última quinta-feira resolveram desocupar o local após chegarem a um acordo com a direção da universidade. Cerca de trinta pessoas que estavam no gabinete do reitor Ivan Camargo deixaram a sala de reuniões na noite desta terça-feira.

Com os rostos cobertos, os manifestantes quebraram uma porta de vidro e tomaram o prédio da reitoria para apoiar outros baderneiros: oito alunos que respondem por processo administrativo por organizarem “catracaços” no Restaurante Universitário (RU), no ano passado. Os estudantes exigem que a reitoria assuma por escrito o compromisso de não punir os alunos que invadiram o RU. A universidade abriu um processo administrativo para cobrar deles os 29.000 reais de prejuízo causados pela invasão do refeitório. O grupo redigiu uma carta em que listou alguns pontos que consideraram fundamentais para a saída pacífica. Entre as reivindicações estava ainda a responsabilização de centros acadêmicos por incidentes ocorridos em festas promovidas dentro da universidade e garantia de moradia digna para aqueles que recebem bolsa de assistência estudantil.

A carta foi escrita em conjunto com o defensor público Heverton Gisclan Silva. No fim da manhã, os estudantes decidiram em assembleia que as barricadas instaladas na entrada da reitoria seriam removidas para o último andar, onde fica a sala do reitor. Em contrapartida, a prefeitura do campus concordou em religar a água e luz dos ocupantes. O grupo de cinquenta alunos que invadiu a reitoria desobedecia desde domingo a uma ordem judicial que determinava a desocupação do prédio. O próprio Diretório Central dos Estudantes (DCE) se opôs à invasão.

Por volta das 19h30 os estudantes tiveram a informação de que o reitor havia concordado com alguns pontos da carta. Em breve discussão, os alunos optaram por desocupar o lugar, mas exigiram que o reitor assinasse a carta com a presença dos alunos. Irredutível, Ivan Camargo disse que só assinaria o termo após a desocupação completa do local. Os estudantes voltaram para o gabinete da reitoria e, aos cantos de palavras de ordem, permaneceram na entrada.

Às 20 horas, uma oficial de Justiça foi até o local para exigir a reintegração imediata do prédio. Assustados, os jovens voltaram para o gabinete e após rápida reunião, decidiram deixar o lugar. Os cerca de trinta alunos permaneceram concentrados no hall de entrada, aguardando o reitor para a assinatura do termo. Segundo o jornal Correio Braziliense, Camargo assinou carta de retratação redigida pelos estudantes.

(Com Estadão Conteúdo)