Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

O Brasil está estagnado no – mau – ensino

Na corrida global pela excelência, encabeçada por estudantes de Singapura, os brasileiros continuam entre os últimos

A cada três anos a OCDE (organização dos países mais desenvolvidos) divulga o ranking mundial do ensino. E toda vez que isso acontece fica evidente o atraso do Brasil. Nos dados anunciados hoje, há um outro aspecto ainda: os estudantes brasileiros não estão apenas no pelotão de trás como se encontram no mesmíssimo patamar que uma década atrás em ciências, a disciplina analisada nesta nova edição. Também em leitura e matemática o país não subiu de nível. É verdade que outros países, inclusive os europeus, deram uma estagnada. Mas pararam em nível já avançado. O Brasil, não: continua muito abaixo da média da OCDE e atrás de nações que investem menos na educação, como Colômbia, México e Uruguai. No número 1 da lista desponta Singapura.

Veja também

Entre os 540 000 estudantes, de 15 e 16 anos, nos 72 países avaliados, os brasileiros ficaram em 63º lugar na prova de ciências, 59° em leitura e 65° em matemática (ver rankings). Pode-se atestar o mau resultado do Brasil sob diversas prismas. Em ciências, 60% dos alunos não passam do nível 2 numa escala que chega a 7. Segundo relatório da OCDE, essa turma não detém conhecimento mínimo para a “participação plena na vida social, econômica e cívica”. Em outras palavras, mais da metade dos alunos brasileiros não tem o repertório básico para conseguir identificar e explicar fenômenos científicos bastante simples.

Os desdobramentos do mau ensino de ciências para a economia são mensuráveis. De acordo com a Organização Mundial de Propriedade Intelectual (WIPO), o Brasil fica na 19ª posição na produção de patentes em comparação com vinte países – à frente apenas da Polônia e atrás dos emergentes China, Rússia, Índia e África do Sul. “Para se tornar inovador, falta ao Brasil oferecer um bom ensino das ciências desde as primeiras séries escolares”, diz o matemático Jacob Palis, pesquisador do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa). Enfatiza ainda o especialista Claudio Moura Castro, colunista de VEJA: “Sem uma base científica, o país estará condenado a áreas econômicas que demandam menos tecnologia e inovação. ”

O Pisa comprova de forma inequívoca que mais dinheiro não é sinônimo de mais educação como tanto se alardeia. Em 2012, o Brasil investia por aluno o equivalente a 32% dos países mais ricos; avançou para 42% em quatro anos. Mas a escola brasileira seguiu empacada no rol das piores do mundo. Com um investimento 5,7% menor, proporcionalmente, o vizinho Chile está quase 20 posições acima. De acordo com o Instituto Idados, dentre 34 países, o Brasil é o quinto no percentual de verbas que destina para a sala de aula em relação ao PIB: 5%. “De nada adianta colocar mais e mais verbas em um sistema que claramente não deu certo”, alerta João Batista de Oliveira, do Instituto Alfa e Beta.

A experiência dos países que estão no topo do ranking do ensino, entre eles Singapura, China (Taiwan), Japão e Finlândia, nesta ordem, mostra que a alavanca para saltar no ensino reside em apostar todas as fichas no professor: esses países conseguem atrair os melhores alunos para a docência não só com salários iniciais atrativos, mas com uma carreira que abre espaço para que os mais talentosos avancem e sejam valorizados. Eles são exaustivamente treinados para encarar a sala de aula. Também o currículo nesses lugares vem sendo modificado para dar conta das demandas do século XXI – experiências que o Brasil deve observar agora que está elaborando o seu primeiro currículo nacional.

Os melhores alunos brasileiros, aqueles de renda mais alta e egressos de escolas particulares, apenas ombreiam com os medianos das nações que se dão bem na sala de aula. Menos de 1% dos estudantes daqui chegam aos patamares mais elevados de aprendizado, segundo o Pisa. Nos países da OCDE, o grupo da excelência é sete vezes maior. O Brasil precisa correr para não ficar fora deste jogo cada vez mais disputado.

Comentários

Não é mais possível comentar nessa página.

  1. Era de se esperar. O sistema educacional no Brasil sempre foi um dos piores do mundo, e depois que os ptralhas tomaram conta, o que foi mesmo que ensinaram nas escolas: Petismo, sexo, vagabundagem e por ai abaixo. Por exemplo, estudantes terminam as porcarias dos ensinos primeiro, segundo grau etc e nao sabem nada de historia nem mesmo do pais. Portugues entao… Meu Deus, e um massacre. Matematica, e outros… esquece. Como pode um pais funcionar deste jeito? E claro que tudo isso foi feito por decisao da classe politica maldita que temos neste pais, para manter o povo debaixo de seus pes. Bando de excomungados.

    Curtir

  2. Felipe Atoline

    E todos eles votarão em breve. Pobre democracia.

    Curtir

  3. “Pátria Educadora” Ta serto!!!

    Curtir

  4. Mauricio Reppetto

    Enquanto existirem porcarias do tipo de Apeoesp e APP, nada ira mudar.

    Curtir

  5. Em Cingapura, não existem “mais” presídios, também não “existem” mais criminosos sendo criados diariamente, sejam da “classe” política ou privada. Aqui, criamos drogados em praça pública, criamos bandidos em penitenciárias, vagabundos como políticos, e agora, em escala multidisciplinar, estudantes que não estudam e ‘adolescentes em conflito com a Lei’, que podem a vir a ser, ou bandidos em penitenciárias para ‘criarmos’ ou políticos vagabundos.

    Curtir

  6. MARCOSRAINHO

    Agradeçamos aos sindicatos dos professores.

    Curtir

  7. Denisar Belvedere

    Por que não publicam meus comentários?

    Curtir

  8. heron Malaghini

    marxismo tomou conta da educação brasileira fabrica de idiotas

    Curtir

  9. Damastor Dagobé

    era para se esperar traço pelo que se lê em comentários dos sites da internet…

    Curtir

  10. Claudio Stainer

    Temos que mudar ou não teremos mais nem alunos para desempenar frequência modulada a marretadas. Falta de dinheiro não é.

    Curtir