Novo caso de estupro em universidade: desta vez, na Unifesp

O crime foi denunciado em audiência pública nesta terça-feira, dia 02, mas a vítima ainda não relatou o caso à polícia

Um novo caso de estupro em ambiente universitário, desta vez na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), foi denunciado nesta terça-feira, dia 2, na terceira audiência pública da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), sobre violência na Universidade de São Paulo (USP) e em outras unidades de ensino.

O caso foi relatado pela advogada Marina Ganzarolli, fundadora e integrante do grupo feminista Dandara, da Faculdade de Direito da USP. De acordo com a advogada, o abuso aconteceu durante um evento esportivo da Unifesp, há cerca de duas semanas. “Uma aluna do curso de Relações Internacionais do campus de Guarulhos foi abusada por um colega do campus Osasco, mas, por estar muito fragilizada, ainda não teve coragem de denunciar e procurou o coletivo porque conhece o nosso trabalho. Isso mostra o quanto as mulheres se sentem desamparadas nesses momentos”, disse Marina.

A advogada disse que não pode revelar as circunstâncias e mais detalhes sobre o caso porque a vítima ainda não decidiu se vai levar o relato à polícia. Marina afirmou que o grupo recebe constantemente ligações de alunas de várias faculdades com denúncias de violações dos direitos humanos, sobretudo abuso sexual. “Só no mês passado, recebi pelo menos cinco denúncias”, conta ela.

Nas duas primeiras audiências públicas sobre o tema, realizadas no mês passado, foram relatados quatro casos de abuso sexual sofridos por alunas da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) em festas realizadas na unidade. Inquérito aberto pelo Ministério Público Estadual (MPE) investiga pelo menos oito estupros na faculdade, que decidiu proibir festas e o consumo de bebidas alcoólicas por tempo indeterminado.

Nesta terça, o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alesp, deputado Adriano Diogo (PT), ouviu ainda dois representantes do centro acadêmico da FMUSP. Eles negaram ter presenciado abusos em eventos da entidade e disseram condenar tais práticas.

O diretor da Faculdade de Medicina da USP, José Otávio Costa Auler Junior, foi convidado pela terceira vez para participar da audiência pública, mas, novamente, não compareceu ao evento.

(Com Estadão Conteúdo)