Enem: uma redação nota 10

Veja abaixo um exemplo de texto que atende a todos os requisitos e garante nota boa no exame

A pedido de VEJA, Rafael Pina, professor de redação do Colégio A a Z, do Rio de Janeiro, e um dos profissionais mais respeitados da área, escreveu uma redação rigorosamente dentro dos padrões exigidos pelo Enem. Ele comentou cada parágrafo, explicando o processo de construção da narrativa. Pina escolheu obesidade como tema por considerar que o assunto tem forte potencial de cair no exame de 2016.

Inimigo da balança

Notícias recentes indicam que mais da metade dos brasileiros com idade superior a 18 anos encontra-se acima do peso, e quase 20% são obesos. Tão preocupante quanto os números do sobrepeso é o seu crescimento acelerado: a obesidade infantil, por exemplo, quadruplicou em apenas uma década. A situação parece surpreendente para um país que ainda luta contra a tragédia da fome, no entanto agrava o quadro de má nutrição nacional. Nesse contexto, é necessário investigar os fatores que explicam essa mudança na balança do brasileiro.

– A demonstração de informatividade é um recurso valorizado pela banca do ENEM na contextualização do tema.

– A presença de uma tese no fim da introdução ajuda na revelação do raciocínio e na organização do texto.

Antes de tudo, é preciso perceber que a elevação da obesidade tem relação direta com a má alimentação. Na média, alimentos mais saudáveis costumam ser mais caros – basta comparar os preços de produtos orgânicos ou dietéticos aos de guloseimas e refrigerantes. Nessa perspectiva, especialmente em uma época de crise, o fator econômico incentiva indiretamente a preferência por refeições mais baratas, ainda mais com os frequentes estímulos na mídia a lanches rápidos, biscoitos, doces e chocolates.

– O desenvolvimento de uma redação do Enem deve priorizar a identificação das causas do problema em questão.

Essa limitação econômica, no entanto, poderia ser parcialmente driblada caso houvesse um maior conhecimento da população acerca do assunto. De fato, em um país com problemas graves no acesso à educação e à informação, a maior parte dos brasileiros desconhece os riscos do sobrepeso e os caminhos para uma alimentação mais saudável e barata. Sem esse conhecimento, o ganho de alguns quilos frequentemente acaba associado apenas a aspectos estéticos, o que nem sempre é suficiente para estimular a prática de atividades físicas, por exemplo.

– A transição adequada entre os parágrafos de desenvolvimento é fator relevante para a coerência e para a coesão da redação.

– Cada parágrafo de argumentação deve abordar um fator diferente do problema, a fim de garantir uma análise completa.

A obesidade, portanto, é um problema nacional de ordem econômica e social. Nesse sentido, o poder público deve reduzir os impostos sobre alimentos saudáveis e sobretaxar guloseimas e refrigerantes, para estimular novos hábitos à mesa. Além disso, o governo pode limitar propagandas de biscoitos e doces, sobretudo quando voltadas para o público infantil. Mais importante, porém, é investir em informação e consciência, por meio de campanhas do Ministério da Saúde, programas na mídia e palestras nas escolas. Com essas medidas, o “país do futuro” viverá dias mais saudáveis e sem medo da balança.

– É recomendável que o candidato inicie a conclusão com uma frase de reafirmação da linha de raciocínio do texto, com um conectivo de conclusão.

– Nas propostas de intervenção, o aluno deve sempre responder a três questões: quem, o quê e como

– É importante que o estudante trabalhe com diferentes agentes responsáveis pelas medidas, como governo, ONGs, mídia e instituições de ensino.

– Embora não seja obrigatório, o título pode garantir uma circularidade interessante entre o início e o fim da rdação.

Comentários

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  1. Ex-microempresário

    E se o aluno não for dos que acham que a conclusão é sempre “o governo deve resolver tudo”, tem chance de nota dez ??

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  2. Estava indo bem… Mas, quando colocou o Estado para solucionar o problema, mereceu um ZERO. O Estado não resolve problemas, apenas cria outros!

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  3. Farrista Vieira de Mello

    Eu sou contra ações que envolvam o poder público como salvaguarda do bem estar humano, mas em uma prova como o Enem, por questão estratégica, inevitavelmente eu o citaria como agente interventor. Não apenas ele, óbvio, sendo mais adequado que a solução pulverize-se em mais de um agente.

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