Empresas de tecnologia da informação preveem contratação de mais de 5.000 profissionais até dezembro

Falta de especialistas na área é o principal entrave na hora de fechar as vagas

Empresas de tecnologia da informação preveem a contratação de pelo menos 5.000 profissionais da área até o fim do ano, de acordo com uma pesquisa feita com 500 empresas do setor pela Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação (Assespro) com exclusividade para a VEJA.com.

Segundo a associação, essa oferta de vagas pode ser ainda maior, uma vez que empresas de outros setores também estão em busca de profissionais especializados. “Estimamos que essa área precise de pelo menos 130.000 profissionais para crescer e transformar o Brasil em um expoente tecnológico. Carecemos, porém, de políticas públicas efetivas que coloquem o setor como uma das prioridades do desenvolvimento econômico”, destaca Roberto Mayer, vice-presidente da Assespro.

O Brasil tem hoje aproximadamente 1,2 milhão de profissionais de tecnologia da informação na ativa. Desses, apenas 400.000 atuam na indústria de tecnologia e o restante em outros setores. Segundo o último Censo do Ensino Superior, cerca de 50.000 estudantes se graduaram para trabalhar nos setores de ciência, tecnologia e engenharia da computação.

De acordo com Luiz Gonzaga Bertelli, autor do livro Escolha Certa: As Profissões do Século 21, a demanda de profissionais especializados nessa área será de pelo menos 300.000 nos próximos dez anos.

Apesar da alta oferta de vagas, o mercado de tecnologia sofre para encontrar profissionais capacitados. Caso da Just Digital, uma das duas únicas companhias no Brasil responsáveis por implementar o sistema Google Enterprise em empresas. Hoje com 33 colaboradores, o grupo pretende chega a pelo menos 50 no fim do ano, mas desde 2013 enfrenta a dificuldade na hora de selecionar os currículos.

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“As últimas vagas abertas receberam mais de 150 cadastros. Desses, só conseguimos entrevistar dez pessoas por vaga. A dificuldade está em encontrar um profissional que tenha conhecimentos técnicos e que saiba lidar com as dinâmicas de uma empresa. Não dá para ser um profissional fechado, que executa apenas uma tarefa. O interessado em trabalhar com tecnologia da informação precisa dominar conhecimentos de gestão e, principalmente, saber trabalhar em grupo”, explica Rafael Cichini, diretor de operações da Just Digital.

Para Cichini, um problema que agrava a dificuldade das empresas em contratar profissionais qualificados é a disparidade entre os currículos das universidades e os avanços tecnológicos, que criam uma grande defasagem de conhecimento. “As pessoas esperam que as universidades de renome lhes deem uma boa vaga, mas isso não é verdade, os cursos estão defasados e não acompanham o desenvolvimento das empresas. Muitas vezes um garoto que faz um curso livre de curta duração sabe mais do que outro que passou quatro anos na universidade”, explica.

Formação constante – Em algumas instituições de ensino, a solução encontrada para lidar com a necessidade de atualização dos alunos foi criar cursos de extensão paralelos à graduação. Essa foi uma das opções encontradas pela Faculdade Termomecânica para reduzir a taxa de abandono nos cursos de tecnologia. Segundo Paulo Marcoti, coordenador do curso de análise e desenvolvimento de sistemas, a taxa caiu 2,5% quando a instituição decidiu oferecer cursos de extensão a seus alunos e também elaborar aulas de reforço para suprir as deficiências identificadas já no vestibular.

“Não adianta o estudante ser brilhante, ele precisa ser formado para desenvolver um produto amigável para o usuário final e isso requer mais do que conhecimento técnico. Se a faculdade não oferecer isso, ele chegará ao mercado defasado”, explica.

Luan Gabellini, sócio da start up Betalabs, que cuida da gestão empresarial de 120 clientes, também enfrenta o problema da falta de profissionais capacitados para ampliar o quadro de trabalhadores da empresa. “Por vezes recrutamos estagiários e incentivamos a fazer cursos em uma determinada linguagem de programação, assim conseguimos reter o profissional e garantir que ele seja apto a trabalhar conosco. Mas tamanha é a dificuldade de encontrar gente na área que recentemente chegamos ao ponto de abrir mão da participação em ações para convidar antigos estagiários a serem nossos sócios, para mantê-los na equipe”, conta.

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Segundo a Impacta, uma das principais escolas de tecnologia do país, a demanda por cursos tem aumentando ano após ano, mas com certas variações que refletem a economia do país. “Ano passado, com os altos índices de venda de smartphones e tablets, a procura maior era por cursos de hardware. Esse ano o cenário mudou: com as empresas querendo aproveitar o filão dos grandes eventos esportivos, já temos maior procura nos cursos de programação e desenvolvimento de aplicativos”, explica Simone Condini, gerente de atendimento da Impacta.

Para Simone, ao contrário do que alguns possam pensar, o setor não está se esgotando. “Formamos em média 3.000 alunos nos cursos de curta duração e a maioria consegue um emprego ainda no meio do curso. Há empresas que nos procuram para conseguir a indicação de um profissional habilitado e por vezes não há candidatos para preencher essas vagas”.