Em busca da excelência, jovens de sucesso inspiram filme

Documentário que chega nesta sexta aos cinemas retrata a vida de quatro estudantes que contam as dores e delícias de perseguir o êxito acadêmico

Aos 14 anos, ao ingressar no ensino médio, Caetano Altafim só tinha um desejo: queria ser jogador de futebol. Identificava-se pouco com o currículo engessado da escola e tinha talento para o esporte. Até chegou a se aventurar pelas categorias de base, mas uma contusão o tirou de campo. Foi um trabalho voluntário na Irlanda que despertou nele a vontade de ir para a universidade. No Rio de Janeiro, cursou direito e acaba de finalizar um mestrado na mais prestigiada instituição do mundo, a Universidade Harvard.

Caetano é um dos protagonistas do documentário Romance de Formação (veja o trailer abaixo), que estreia nesta sexta-feira nos cinemas e retrata a imersão acadêmica de quatro estudantes. Além de Caetano, participam Victoria Saramago, doutoranda em cultura latino americana pela Universidade Stanford, Fábio Martino, mestrando em piano na Universidade de Karlshure, na Alemanha, e Wilian Cortopassi, que cursa graduação em química na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Todos eles receberam algum tipo de bolsa para completarem seus estudos. “Esse foi um pré-requisito fundamental para a realização desse filme. Queríamos pessoas comprometidas com seu futuro profissional,” conta Julia de Simone, diretora de Romance.

Durante o mestrado, Caetano chegava a estudar 19 horas por dia. Deixou para trás família, amigos e namorada. “Quando digo que estudei no exterior, as pessoas acham que tudo é festa. Essa vida não tem nada de glamour. É trabalho, trabalho e trabalho. Mesmo os momentos de descontração estão intimamente ligados aos estudos”, diz o jovem. Os frutos começam a chegar. Caetano foi aprovado no exame da ordem dos advogados dos Estados Unidos e hoje trabalha em um escritório de Nova York. Nos próximos meses, pretende voltar ao Brasil.

A trajetória desses jovens não é exceção. Ela se confunde com a história de milhares de outros brasileiros que também estão em busca da excelência. Luiza Tangari não faz parte do elenco de Romance de Formação, mas percorreu um caminho similar ao de Caetano. Formada em direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), ela foi a tradicional Universidade de Cambridge, na Inglaterra, atrás de aperfeiçoamento. “Diferentemente do Brasil, aqui o principal foco é o desenvolvimento da sua própria opinião. Os professores nos mostram os caminhos existentes, mas cabe a você decidir se eles estão corretos ou se um novo caminho deve ser formulado”, diz. “É um percurso tortuoso e difícil. A saudade de casa é grande e o frio às vezes complica as coisas. Mas vale a pena.”

Wilian Cortopassi, o único estudante retratado no filme que estuda no Brasil, aposta na identificação dos jovens com os personagens do documentário. Wilian deixou o interior de Minas Gerais para cursar engenharia química na capital fluminense. Fez uma parada no Instituto Militar de Engenharia, mas a vida de cabo não era para ele. “Eu tinha desempenho exemplar nas disciplinas mais difíceis, mas reprovava em tiro”, diverte-se hoje o mineiro. Decidiu tranferir-se para a PUC-Rio e está prestes a se formar. Seu pai, vítima de câncer, é sua principal motivação. “Conviver com a doença de um ente tão querido me fez querer transformar em alguma medida a vida das pessoas.”

Hoje, Wilian alia química à medicina. Ele desenvolve atualmente dez projetos de pesquisa, tem quatro artigos científicos publicados e outros três que devem ser conhecidos em breve. Trata-se de um feito e tanto para um jovem de 22 anos. “Mas tudo tem seu preço. Vejo minha família duas vezes ao ano e tenho vida social limitada por completa falta de tempo. Mas não reclamo.” Em uma das cenas do filme, Wilian aparece despedindo-se de seus familiares na rodoviária do Rio de Janeiro. “Muitas estudantes que foram a pré-estreias vieram me dizer que se identificaram com aquela cena. A despedida é um ritual que se repete para quem decide estar longe.”

Gabrielli Dala Vechia vem de uma cidade quase tão pequena como Moeda, onde vivem os parentes próximos de Wilian. Como Luiza, ela não está retratada no filme, mas tem sua vida reproduzida ali. De Três de Maio, no Rio Grande do Sul, ela foi cursar um mestrado em Salvador – a 3.300 quilômetros de distância e muitos graus celsius de diferença. Em um ano e meio, viu a família quatro vezes. Sem arrependimentos, resume: “O amor pelo que se faz cura tudo e faz valer todas as milhas percorridas”.

Confira o trailer de Romance de Formação e de outros quatro filmes de levaram a educação para o cinema: