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Criadora da página “Diário de Classe” vai abrir ONG

Estudante Isadora Faber, de 14 anos, ganhou notoriedade ao revelar no Facebook problemas de sua escola

Um ano após ganhar projeção nacional com a página “Diário de Classe“, no Facebook, em que denuncia os problemas de sua escola, a estudante Isadora Faber, de 14 anos, trabalha com seus pais para fundar uma ONG. Um dos objetivos da organização, segundo a adolescente, será descobrir formas alternativas para financiar reformas em escolas brasileiras. “Quero ajudar outros alunos”, diz.

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A página “Diário de Classe” foi criada em 11 de julho de 2012, inspirada na iniciativa da escocesa Martha Payn, que publica na web fotos da merenda de sua escola. Isadora utiliza a internet para contar sua rotina na Escola Básica Municipal Maria Tomázia Coelho, em Florianópolis, além de mostrar problemas estruturais da unidade.

A estudante já postou fotos de portas sem maçanetas, fios desencapados, carteiras quebradas e ventiladores que davam choque. Em razão de suas denúncias, chegou a ser hostilizada por professores e funcionários. Em setembro de 2012, foi intimada a ir à delegacia, acompanhada pelo pai, após sua professora de português fazer um boletim de ocorrência, acusando-a de calúnia e difamação.

Em novembro de 2012, Isadora contou que teve a casa apedrejada e que sua avó, de 65 anos, foi atingida por uma pedra na cabeça. Hoje, afirma que a situação está um pouco mais tranquila: “As ameaças pararam. Sei que há professores que não gostam do ‘Diário’ e, às vezes, fazem algumas indiretas, mas nada grave. Os funcionários, em geral, agem como se eu não existisse.”

As denúncias de Isadora surtiram efeito. Dois meses depois de iniciar o “Diário de Classe”, a estudante postou que sua escola estava sendo reformada. O banheiro para pessoas com deficiência física ganhou fechadura, a escola recebeu portas, pintura nova e bebedouros.

Com mais de 600.000 seguidores no Facebook, Isadora diz que sua vitória vai muito além da reforma da unidade: “A maior conquista é saber que vários diários surgiram pelo país e mais alunos se conscientizaram de que podem e devem exigir seus direitos. Isso me deixa muito feliz.”

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(Com Estadão Conteúdo)