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Confira todos os temas de redação da história do Enem

A redação representa 20% da nota final do estudante e os temas costumam estar ligados a assuntos da sociedade brasileira discutidos ao longo do ano

No Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) a nota da redação representa 20% do resultado final do candidato. Para avaliar as habilidades de escrita dos estudantes, a banca examinadora costuma selecionar temas atuais, discutidos no noticiário nacional ao longo do ano em que a prova foi elaborada.

“Os assuntos que aparecem nas redações são, normalmente, questões importantes que afetam a sociedade brasileira”, explica Gisele Lemos, professora de redação do Colégio Poliedro. “Por isso é bom ficar atento a leis, determinações ou modificações sociais que atinjam grupos específicos.”

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Para a professora, um caso exemplar foi o do Enem do ano passado, que teve como tema “a persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira”. Em março de 2015, havia sido sancionada uma lei que incluiu na lista de crimes hediondos (grupo de crimes tratados de forma mais severa, como o estupro e o genocídio) os casos de mulheres que foram assassinadas justamente pelo fato de serem mulheres. Antes desse dispositivo, chamada Lei do Feminicídio, a única lei especifica para agressão contra mulher era a Lei Maria da Penha, de 2006.

Ao abordar o tema, o Enem avalia cinco competências que, reunidas, vão compor a nota total da redação: domínio da norma culta, compreensão da proposta e escrita de um texto dissertativo, defesa de um ponto de vista com bons argumentos, conhecimento dos mecanismos linguísticos, e elaboração de uma proposta de intervenção para o problema em questão.

Dos 7,7 milhões de candidatos participantes do exame em 2015, mais de 53.000 tiraram nota zero na redação e apenas 104 tiraram 1.000, a pontuação máxima que um estudante pode obter. “Alguns alunos perderam ponto ou tiveram a nota zerada porque apresentaram argumentos que ferem os direitos humanos”, disse Gisele.

Evolução

 Ao longo dos anos, a prova de redação do Enem passou de temas mais abstratos, como o primeiro, de 1998, “viver e aprender”, até chegar a propostas bastante específicas a partir de 2000.

“Com o tema ‘direitos da criança e do adolescente: como enfrentar esse desafio nacional?’, em 2000, ficou evidente a preocupação do Enem com o papel social do candidato e seu interesse por questões fundamentais para a população brasileira”, afirma a professora. Naquele ano, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) completava 10 anos.

Sobre o Enem 2016, Gisele acredita que o exame deve seguir o modelo de problematizar questões ligadas a minorias sociais. “O tema deve focar algum dos grupos que ainda não tem direitos específicos assegurados por lei”, diz. O conselho da professora é que os candidatos fiquem atentos a mudanças nas leis brasileiras, ao noticiário e até a dados e estudos divulgados neste ano, principalmente pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Espelho

Em junho deste ano, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) liberou a consulta do espelho de redação de 2015. Através desse documento o aluno pode conferir como foi seu desempenho em cada uma das habilidades exigidas. A primeira vez que o candidato teve acesso ao espelho foi no Enem 2012. Naquele ano, os casos de textos que tinham a receita de como cozinhar macarrão ou o hino do time de futebol Palmeiras questionaram os critérios de avaliação da banca examinadora. O tema era “O movimento imigratório para o Brasil no século XXI”.

Confira todos os temas de redação na história do Enem: