Brasil terá novo ensino médio

Medida provisória do governo coloca do avesso um modelo feito para dar errado

Finalmente saiu. A tão debatida e aguardada reforma do ensino médio brasileiro está sendo anunciada agora, em Brasília. Será sacramentada por uma medida provisória, assinada pelo presidente Michel Temer. O texto subverte uma fórmula que leva ao fracasso e, seguido à risca, pode resgatar o Brasil das últimas posições que já se habituou a ocupar nos rankings que comparam jovens estudantes do mundo inteiro. Passa a vigorar imediatamente, mas as redes de ensino e escolas precisarão de tempo para se adaptar. Em 2018, a expectativa é de que já estará tudo diferente.

Primeiro e decisivo ponto positivo: a flexibilização. Hoje, 100% dos jovens fazem o mesmíssimo percurso durante os três anos do ciclo médio. São treze disciplinas obrigatórias ensinadas com idêntica profundidade –  ou superficialidade – a estudantes de interesses e capacidades distintas. De acordo com a MP, a grade deixa de ser engessada, permitindo ao aluno escolher a metade das matérias que irá cursar. Isso dentro de cinco áreas mestras: linguagens, matemática, ciências humanas, ciências da natureza e formação técnica profissionalizante.

A outra metade do currículo seguirá igual para todos. O que entra e sai da grade ainda está por definir, provavelmente até janeiro, dentro da Base Nacional Curricular. Mas que vão se enxugar conteúdos não há dúvida. Afinal, hoje o ensino médio consome uma média de 2400 horas. Como 1200 delas serão escolhidas pelo estudante, restarão apenas outras 1200 horas para acomodar a parte obrigatória. Matemática e português continuarão com a carga atual, durante os três anos, e inglês passará a ser uma exigência.

A nova fórmula – que aliás só é nova aqui, já que países de boa educação a conhecem há tempos – é um caminho para expurgar a atual rigidez do ensino médio. Sendo igual para todo mundo, pressupõe que todo mundo seja igual. Assim, não atrai a maioria, um desastre do ponto de vista da trajetória desses jovens e do país. Atualmente, 1,7 milhão de brasileiros entre 15 e 17 anos estão fora da sala de aula. De cada 100 alunos que ingressam no ensino médio, apenas 50 se formam, e mal. “O modelo atual precisa mudar já. É uma catástrofe”, resume Marcos Magalhães, presidente do Instituto de Co-Responsabilidade pela Educação (ICE).

Segundo e também decisivo ponto da MP: um dos trajetos possíveis ao longo do ensino médio será o curso técnico. Esses estudantes, é bom esclarecer, também cumprirão a ala obrigatória de disciplinas. O impulso para o ensino técnico é mais do que bem-vindo. Modalidade ainda vista no Brasil como de segunda classe, já produziu resultados espetaculares em países como Coreia do Sul, Suíça e Alemanha. Braços especialmente talhados para certos ofícios funcionam como mola para a economia. Atualmente, o adolescente pode fazer no Brasil o ensino técnico, mas antes disso precisa encerrar todo o roteiro de disciplinas do ciclo médio. O resultado é desastroso: muita gente debanda antes. Não à toa, menos de 10% dos brasileiros seguem esta rota, enquanto em países mais desenvolvidos eles passam da metade.

A medida provisória prevê ainda algo crucial, repassar verbas aos estados para que consigam implantar o ensino integral. Hoje os jovens brasileiros batem outro desses recordes desfavoráveis: estão entre os que têm jornada escolar mais curta, de quatro horas e meia. A média na OCDE (organização que reúne os países mais ricos) é de sete horas. Está claro que é preciso estudar mais e melhor para que a juventude daqui possa brigar por um lugar ao sol no disputado tabuleiro global. As mudanças agora anunciadas têm tudo para ser um primeiro passo.

Comentários
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  1. Micky Oliver

    E principalmente: escola sem partido!!!! Chupa petralhada!

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  2. Aloisio Barros

    O que quero mesmo é punição para os professores esquerdinhas que fazem a catequese em sala de aula à favor do PT. Isso tem que acabar urgente ou não mudamos nada nesse país.

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  3. Desde que…. escola sem partido…. com essa duas premissas, vamos dar certo no médio prazo !

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  4. Estudar não dói, estudar não mata. Precisamos parar com essa pedagogia do coitadinho freiriana.

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  5. Desejo muito que esse pais de certo mas nao confio em Temer! PMDB e a prostituta dos partidos! Detesto a esquerda e o Marxisismo mas tambem nao confio nesse presidente!!!! (perdao pela falta de acentos e que meu pc esta desconfigurado)

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  6. Marco Otacílio

    Começou a mudança, não importa que começa, o nome a religião, a cor ou a opção sexual, o que realmente importa é começar. Brasil pra frente sempre. Brasil sem partidos…

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  7. Rodrigo Santos

    Muito bom, só faltou falarem na valorização dos professores e na sua melhor capacitação, nisso ninguém fala.

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  8. jj guimaraes

    Educação para o filho do rico, educação para o filho do pobre, essa é a diferença. É essa dicotomia que faz com que nosso país, não tenha uma inserção no capitalismo global, ficamos sempre na periferia.

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  9. Dely Thadeu Damaceno

    Muito boa notícia,agora precisa-se de rever mais duas coisas: 1-O E.C.A= onde os “jovens” aprendem que podem fazer qualquer coisa,desde a sua casa entrando e saindo das salas de aulas,onde não se respeitam nem pais, nem professores,pois “são de menor” e podem tudo! 2-Valorizar os antigos chamados em outras eras e países de “Mestres”,que hoje são subestimados tanto pelo governo quanto pelos pais e alunos!Salários dignos e ofertas de melhor preparação!

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  10. Gian M. Bass

    Espero que seja o início de uma nova Era na Educação!!!

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  11. Amanda Clemes

    Alguém me diz onde que isso é bom??? Ninguém é obrigado a ser bom em exatas. Aliás, no Brasil os estudantes são obrigados a isso sim, cada um deveria ser avaliado no que é bom e não no que o governo quer que sejamos bons.
    Deveria ser opcional se aprofundar em matemática química e fisica principalmente, digo por mim e pela maioria dos meus colegas que sairam do ensino medio e não fizeram nada relacionado com exatas. Deveriam enxugar todos os conteúdos que serão desnecessários futuramente para a maioria e colocar no lugar algo que envolva política, sociedade e cidadania. Mas pra que educar nossos jovens para serem bons cidadãos e bem politizados, se povo bom é povo ignorante, nao é???
    Isso aí, enche a cabeça dos estudantes de contas e tarefas trabalhosas, porém inuteis. Pelo menos assim eles não terão tempo pra questionar e revolucionar nada.

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  12. Avaliação de professores e doutrinação religiosa. Nenhum político fala.
    Ja é alguma coisa.

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  13. Marcio Bamberg

    Finalmente… Ufa!
    Daqui a dez anos, será percebida a mudança.

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  14. Luiz Renato Fogagnolo

    Que tapa na cara da Dilma e do PT!
    E essa quadrilha ainda tinha a ousadia e desfaçatez de se proclamar “pátria educadora” kkkkkkk

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  15. Só foi a Esquerda sair para as coisas começarem a melhorar. Trabalho e educação no lugar de vitimização e assistencialismo.

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  16. Sassá Mutema

    Não falem mal da esquerda ou seus comentários não serão publicados. A Veja é adepta do fabianismo.

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  17. Gyorlan alfaia

    Em vez de tentar ajudar o Brasil o atual quadro da veja(esquerdista) busca denegrir o progresso do ensino…

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  18. Não é tudo o que precisamos mas já é uma luz no final do túnel! Túnel esse, que vinha se tornando cada dia mais tenebroso! Graças a Deus!
    Porém, quanto ao ensino integral, isso é um periiiiigo! A qualquer momento, o povo totalmente analfabeto em política mais as urnas eletrônicas, apurações secretas de votos, etc… podem colocar o Brasil novamente em mãos erradas e aí, ter nossas crianças o dia todo recebendo veneno nas escolas é gravíssimo!

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  19. Os testes vocacionais poderiam ser aplicados antes da admissão no ensino médio, digo, que houvesse esta facilidade aos estudantes nas escolas.

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  20. Sim, escola sem partido. As escolas devem ensinar religião, por exemplo, mas passando pelas principais ideias sobre todas, e não catequizando para nenhuma delas.Do mesmo modo as linhas políticas. Sim, enviar as ideias de Marx, mas também dos outros, SEM IDEOLOGIA. O aluno que faça a sua escolha.

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  21. Leonardo Freitas

    O ontem e o amanhã…

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  22. Alex Thistle

    Apesar de ser a favor de mudanças, e contra a esquerda isso NUNCA vai funcionar no Brasil. Os alunos só ten capacidade de escolher o que “querem” estudar num país SERIO, o Brasil não é. Vai dar errado e muito, os alunos brasileiros em sua maioria nem sabem o que estão fazendo na escola que está um caos.

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  23. Vou esperar para saber a opinião dos especialistas em educação. Talvez a única coisa errada desse governo seja a imposição e a falta de diálogo. Deveria ter cautela com essas mudanças. De onde saíram essas mudanças? Era um projeto já debatido e massificado pelos especialistas, ou é apenas uma mudança na base do “eu quero” e da “canetada”? Que tem que mudar, eu concordo plenamente, mas que seja com critério e com muita responsabilidade. Apoio a mudança, ela é necessária, mas o impacto será grande e por isso deve ser muito pensada e debatida.

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  24. Gilvan Malaquias

    Bons sinais! Já não era sem tempo…
    Fora maxismo das: escolas, repartições públicas, igrejas em especial CNBB.
    Que nesse novo modelo consiga socorrer aos jovens desse nosso brasilsão…

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  25. Liberdade de expressão sim, Escola sem partido não.

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  26. Jaime Barbosa

    Roberto, às 16h50, qual o seu problema com as prostitutas? Sai pra lá…..

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  27. Jaime Barbosa

    Amanda, de 22/09 as 18h07, os produtos da atividade trabalhadora de um país que agregam um melhor valor, são aqueles onde a tecnologia de ponta está presente. Falar em tecnologia, em concorrencia com outros mercados…e não ser bom em física e química e matemática…é conversa pra boi dormir…fui

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  28. Norma Fidelis

    vai se ferra, NENHUMA materia devia ser obrigatoria TODAS as materia deviam ser escolha do aluno, principalmente MATEMATICA, muitos saem das escolas por causa da bosta da matematica, as pessoas so sao obrigadas a saber o basico da matematica entao vao se ferrar

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