“Barreiras para melhorar a educação brasileira são políticas”, diz economista do Banco Mundial

No EXAME Fórum Educação 2015, o ministro Renato Janine Ribeiro reafirmou as metas de educação do país e especialistas criticaram a desvalorização do professor e os entraves políticos que atrasam a educação no Brasil

Para melhorar a educação brasileira, o principal entrave a ser superado são os obstáculos políticos, de acordo com Barbara Bruns, economista-chefe do Banco Mundial na área de educação para a América Latina e o Caribe. Em palestra no EXAME Fórum Educação 2015, Bruns ressaltou que o Brasil não valoriza os bons professores e que existem diversas soluções locais com bons resultados – basta reconhecê-las e replicá-las.

“As barreiras para o avanço da educação do país são políticas, não técnicas. Há excelentes exemplos de boas escolas e profissionais, mas, para que se tornem a maioria, é preciso que o Ministério da Educação se comprometa a recompensar os melhores educadores, punir os ruins e estabelecer avaliações rigorosas e treinamentos eficazes”, disse Bruns.

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As indicações são de uma pesquisa feita pelo Banco Mundial em 18 000 salas de aula durante cinco anos nos países da América Latina. Em todos eles, a melhora dos índices se deu quando os educadores receberam incentivos para fazer um trabalho melhor. No Brasil, entretanto, além da baixa remuneração e da falta de recompensas por um serviço de qualidade, os professores são mal treinados para gerenciar o tempo em sala de aula. Isso leva ao baixo foco dos alunos nos conteúdos (apenas 24% do tempo de aula, enquanto o ideal é que seja por volta de 80%) e ao pouco aprendizado.

“Para melhorar a atuação do professor é preciso que haja padrões mais exigentes para o ensino, uma prova nacional de conhecimento docente e avaliações individuais para recompensar bons educadores. A transição leva tempo, mas sem mudar essas normas os mais jovens não vão ganhar a educação que merecem”, disse Bruns.

Essas iniciativas de fôlego, no entanto, devem levar tempo para saírem do papel pois, no cenário nacional de crise econômica, não parece haver espaço para grandes projetos. O momento é de encontrar “alternativas de muito impacto, com poucos recursos”, de acordo com o ministro da educação Renato Janine Ribeiro. No início do evento, o ministro afirmou que a crise econômica é um momento para “começar a tirar do papel as metas da educação, aprendendo com os erros alheios e fazendo testes. Quando passar a crise, que afeta a toda a sociedade, vamos ter condições de cumprir as metas do Plano Nacional da Educação (PNE), com expertise”.

Comentando de que forma vai tornar realidade as metas do PNE, o ministro disse que o financiamento dos projetos o preocupa. “Fala-se em chegar a um investimento em educação equivalente a 10% do PIB. Isso não é fácil e não vejo atualmente maneiras para chegar a esse número.” Mais que medidas imediatas de como cumprir as metas, Ribeiro deu destaque ao debate sobre a melhor forma de definir e alcançá-las.

Excelência educativa – Assim como o Banco Mundial, a valorização dos professores e a maior liberdade para a contratação e remuneração de profissionais foram também os pontos centrais dos argumentos de Ricardo Paes de Barros, economista-chefe do Instituto Ayrton Senna, César Camacho, diretor-geral do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicara (Impa), Artur Ávila, pesquisador do Impa, Fernando Sakane, reitor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e Cláudio Lottenberg, presidente do Hospital Albert Einstein, que participaram do Fórum.

“É preciso um sistema mais livre para a contratação de novos professores e pesquisadores, que fuja ao excesso de regulações e ajude a captar os melhores profissionais”, disse Camacho. Segundo os especialistas, o engessamento das instituições públicas de ensino e pesquisa é uma questão que precisa ser superada para a criação de ilhas de excelência em educação no Brasil. “O mérito deve ser o principal fator de desenvolvimento de boas instituições educativas, que formem profissionais que vão ajudar no desenvolvimento do país”, afirmou Lottenberg.