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Acusados de fraude na UniRio não aparecem para depor

As cinco pessoas suspeitas de fraudar o sistema de matrículas para entrar na Escola de Medicina e Cirurgia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio) não compareceram para prestar depoimento nesta terça-feira na comissão de sindicância que investiga o caso. Segundo o diretor do Instituto Biomédico da instituição, Antonio Brisolla Diuna, responsável pela investigação interna, não há mais dúvida de que os acusados estavam frequentando as salas de aula de forma irregular. A sindicância deve julgar à revelia a conduta dos cinco suspeitos – quatro mulheres e um homem.

Também nesta terça-feira, o Ministério Público Federal no Rio instaurou inquérito civil para apurar as responsabilidades no esquema de fraude e avaliar se houve algum ato de improbidade administrativa por parte de servidores públicos. A investigação criminal está sendo realizada pela Polícia Federal. A principal suspeita é de que haja um esquema de venda de vagas ociosas na universidade.

“É claro que seria interessante ouvirmos esses estudantes para saber como eles vieram parar aqui. Naturalmente, eles sabem e podem até apontar algum possível responsável pela presença deles indevida em nossa universidade. Agora, se eles não comparecerem vamos fazer isso à revelia”, disse Diuna, que já ouviu depoimento de cinco funcionários até o momento. Apesar do Ministério da Educação e do reitor da UniRio, Luiz Pedro San Gil Jutuca, esperarem para quarta-feira um relatório preliminar sobre a investigação interna, o presidente da comissão de sindicância disse que vai precisar de mais tempo para concluir o processo.

Segundo Diuna, a portaria determinando o início da apuração é do dia 28 de março. A comissão tem prazo máximo de 30 dias renováveis por mais 30. Em nota, o Conselho Federal de Medicina (CFM) repudiou o caso e anunciou que pretende esclarecer junto ao Ministério da Educação (MEC) se há casos semelhantes de fraudes em outras escolas de medicina do País. “Nossa preocupação que fraudes como esta esteja acontecendo em outras das 185 escolas de medicina do país”, disse o presidente da entidade, Roberto Luiz d’Avila.

A suspeita de fraude provocou alvoroço e revolta na universidade. Estudantes da Escola de Medicina, que nesta terça-feira completou 100 anos de existência, estavam indignados. “Levei quatro anos para conseguir entrar na UniRio”, disse Diego Drummond Hubner, 27 anos. “Se eles tinham dinheiro para comprar uma vaga, poderiam ter usado esses recursos para estudar numa faculdade privada ou para frequentar cursinhos”, reclamou.

Estudante do oitavo período, Stephanie Ferreira, 24, desconfia que o esquema de venda de vagas já vinha funcionando há alguns anos. “Em 2008, a universidade teve que abrir 11 vagas extras porque houve problemas na convocação. Eu tirei uma nota excelente e vi várias pessoas com notas inferiores à minha serem chamadas primeiro. Na época, disseram que houve uma confusão interna”, disse Stephanie.