“A escola que temos não faz sentido”, diz a presidente do Inep

No comando do Enem, Maria Inês Fini indica o que é importante no ranking e defende um novo modelo de ensino médio

Há cinco meses como presidente do Inep, o instituto dedicado às avaliações do ensino ligado ao Ministério da Educação (MEC), Maria Inês Fini comanda a gigantesca engrenagem do Enem, exame que ela mesma criou, em 2008, no governo Fernando Henrique Cardoso. Tinha então o propósito de aferir o desempenho dos estudantes do ensino médio. Agora passaporte de entrada para as grandes universidades do país, o Enem atraiu 8 milhões de estudantes na última edição. A VEJA, Maria Inês concedeu uma entrevista em que não poupou adjetivos – negativos – ao analisar os resultados divulgados nesta terça-feira.

Quase 40% das escolas avaliadas no Enem receberam nota vermelha. Onde está o erro? No próprio modelo de ensino médio. Esse resultado mostra que a escola que temos no Brasil não serve aos jovens. E não adianta fazer remendo. Uma reforma é urgente.

Isso vale para escolas públicas e particulares? Sem dúvida. Mesmo as particulares estão muito distantes do ideal. O ensino médio brasileiro é maçante e ineficiente.

Ainda assim, os colégios privados vão bem melhor do que os públicos. Isso a preocupa? Muito. O aluno da escola particular pode receber em casa os estímulos que o professor não dá, mas o da pública, não. Ele depende do que é ensinado na sala de aula. O Enem mostra que esses jovens estão aprendendo pouco e se perdendo no meio do caminho.

Com base em que diz isso? A metade dos estudantes de escola pública que chega ao final do ensino médio não faz o Enem. Ou seja: uma multidão de jovens não vê a possibilidade de continuar estudando. Certamente o descompasso da escola com seus projetos contribui para isso.

O que pais que querem matricular o filho no ensino médio devem observar no ranking do Enem? A nota da escola, claro, mas não só ela. Divulgamos outros dados fundamentais. É importante olhar para aquela coluna que indica o período em que os alunos examinados permaneceram no colégio; quanto mais, melhor. Também mostramos a formação dos professores, um item crucial. Agora, para escolher mesmo, é preciso visitar escola a escola e entender a linha pedagógica de cada uma.

O que chama atenção nas escolas que aparecem no topo do ranking? Muitas são como cursinhos pré-vestibulares, inteiramente voltadas para o Enem, que reflete um modelo enciclopédico de escola. Eu pergunto: qual é o sentido dessa maratona toda?

Como presidente do Inep, qual é a sua resposta? Essa maratona não faz sentido. Precisamos de uma nova escola de ensino médio e de um Enem melhor.

Comentários

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  1. Alex Cardozo

    A veja censura meu comentario, o ensino publico esta um lixo por causa da esquerda.

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  2. Democrata Cristão

    A esquerda defende que o pobre tenha canudo, tá aí, 50% dos universitários são analfabetos funcionais.
    Já a Direita defende que o pobre tenha e ame o conhecimento, pois conhecimento é fundamento dos países desenvolvidos. Sigamos a frente.

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  3. Marcio Bamberg

    Claro que faz sentido, afinal o modelo da escola com partido visa o que? O resultado está aí.

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  4. Letícia Tomazelli

    “exame que ela mesma criou, em 2008, no governo Fernando Henrique Cardoso” alguém sabe explicar?

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  5. Sergio Cihgral

    Historicamente, a educação no Brasil nunca foi exemplar; porém, nos últimos 15 anos acabou de fato. Esta foi mais uma contribuição nefasta iniciada no governo FHC e acentuada no lulo petismo. Uma nação que não investe no capital humano, sempre será dependente de capital econômico estrangeiro. Simples assim!

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  6. Cecilia Lenzi

    2008? Acho mais provável 1998…

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  7. Saudade do tempo que apenas jornalistas de gabarito escreviam e entrevistavam em Veja e a revista contava com revisores… dizer que o Enem veio de 2008 no governo FHC (???)

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  8. Hamilton Godoy

    O problema começa pela própria orientação do desgoverno que orienta para não ter reprovação, não ter regulamento que faça o aluno obedecer professores. Anteriormente os professores tinham credibilidade, hoje essa credibilidade está com o aluno. O Estado tão somente devolva a autoridade ao professor e terá uma melhora significativa na qualidade do ensino. Ninguém melhor que os professores para saber o deve ser mudado.

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  9. Tudo não passa de uma grande hipocrisia. Até parece que esses ‘gênios catedráticos’ não sabem que o problema vem desde o ensino fundamental, onde os professores são cada vez mais desrespeitados pelos alunos, pelos ‘pais’ desses anjinhos e principalmente pelos governantes demagogos que com medo da imprensa exigem que maus alunos sejam aprovados de qualquer forma para não constranger a ‘criança’. Depois que inventaram o famigerado ECA e os mestres psicólogos passaram a ensinar como criar um filho o desrespeito e a indisciplina imperam nas escolas tendo os professores se tornado reféns de tanta demagogia.

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  10. Felipe Atoline

    A escola atual é um sucesso estrondoso. Atingiu plenamente todos os seus objetivos. Tolo é quem pensa que a escola atual deve formar seres humanos minimamente proficientes em linguagem, matemática e ciências. A escola com partido forma militantes que ignoram todo o resto. E um exame jamais pode ser utilizado para avaliar e selecionar ao mesmo tempo. São objetivos antagônicos.

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  11. heron Malaghini

    Professor e suas controvérsias, quer mudança mas quando a mudança vem ele protesta, nao que dar educação que apenas ensinar a matéria, mas ta loco para dar aula de gênero, reclama da violência nas escola, mas é contra menoridade penal, etc

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  12. Ricardo Silva

    a minha seria: escola a partir dois anos de idade em ingles e espanhol até a quarta. da quinta acrescentaria, o alemão e o chinês. restante: português, redação, matemática, física. os demais seriam complementos no sentido de profissionalizar os jovens a partir dos quatorze anos, como a área de saúde, informática, eletromecânica, metalurgia, etc.

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  13. Laercio brilhante colocação – falou tudo! Aliás todos os comentários estão corretos na minha opinião!

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