| VINHOS A ascensão do vinho nacional A
reboque da polêmica Parkeriana me empolgo mais uma vez com um assunto que
é tabu entre os apreciadores de vinho no Brasil: o vinho nacional. Os pequenos
produtores brasileiros têm conseguido cada vez mais traduzir uma voz de
tipicidade num mundo de padronização.
A idéia não é comparar com os grandes vinhos europeus de
nobres famílias e solos livres das fábricas e seus poluentes que
são despejados no terceiro mundo... Eu sou
absolutamente obcecado por vinhos europeus, principalmente os franceses, mas "uma
coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa". É engraçado,
porque não sou um nacionalista de véspera de copa do mundo, mas
me emociona muito ver o país andar para frente quando pode. Meus
comentários sobre vinhos nacionais aqui na Veja on-line como o Vallontano,
o Tormentas e o Cave Ouvidor (leia
coluna) causaram curiosidade em muitas pessoas, recebo e-mails
diariamente sobre a ascensão artística, eu diria, do vinho nacional.
Na ocasião da minha degustação do novo menu da chef
Roberta Sudbrack fui apresentado a um pinot noir muito interessante
da vinícola Don Abel. Num terreno com cerca de 800 metros de altitude na
Serra Gaúcha são cultivadas as castas pinot noir, merlot, cabernet
sauvignon e chardonnay. Para esta coluna, fiz uma
degustação com todos os vinhos Don Abel, exceto o Cabernet Sauvignon
Premium, que não consegui uma garrafa, mas brevemente degustarei.
| Chardonnay 2006 Todos os vinhos da
vinícola Don Abel não passam por madeira, são frescos e frutados.
Este chardonnay é delicioso! No nariz notas de pêra, flores e boca
cheia. De todos os vinhos degustados, foi meu favorito. Com certeza, um dos melhores
brancos do país. |  |
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Merlot Premium 2005 Meu favorito dos tintos
Don Abel, o nariz tem uma nota salgada que aparece no vinhos do sul da França
e eu sempre adoro. Na boca tem fruta e corpo sem ser da escola de "vinhos
marombeiros" do novo mundo. |
Cabernet Sauvignon 2005 Muito interessante,
sem os cacoetes Parkerianos que vários vinhos incensados da Argentina e
do Chile estão sucumbindo. Uma compota de ameixas no nariz e boca com boa
persistência. |  |
 | Moscatel
Ótimo para acompanhar frutas e sobremesas não muito doces,
este espumante tem bom perlage e frescor. |
Pinot Noir 2005 Este eu já
havia degustado. Um vinho muito interessante. As características da casta
pinot noir aparecem num outro contexto. |  |
http://www.donabel.com.br/
| NOTA • A coluna sobre o Bebeto
Parker teve repercussão pop, it´s only rock and roll, but I like it!!!
Li os comentários, mas um deles alega que eu nunca teria lido os livros do Beto
Parker... Wow! Eu tenho a coleção completa com várias edições dos livros dedicados
a Bordeaux, Borgonha e Rhône. Sendo que o livro do Rhône foi assinado pelo próprio
Parker... O pessoalzinho gosta de falar assim "o Parker"... As descrições, a catalogação,
isso eu acho válido. A nota é que me irrita. Dissonâncias não são bem-vindas no
meio janota do vinho... | | |