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COMIDA
Lardo di Colonnata, o mais
nobre dos bacons
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| Lardo di Colonnata: derrete na boca, loucura
total |
Minha luta com a balança
sempre foi sofrida. Adoro meus prazeres gastronômicos
proibitivos, mas sou um gordo que não gosta de
ser gordo. Não por estética, e sim pela
tal da saúde. Não vou mentir e dizer que
prefiro fazer exercício invés de ouvir
musica, ver um filme ou ler um bom livro. Eu apostava
que o planeta inventor da indústria milionária
da doença e dos remédios pudesse resolver
essa questão para quem não sente prazer
na atividade física, como eu. Infelizmente, até
agora, não rolou o milagre.
Este preâmbulo confessional
se deve à bomba calórica que é
o tema desta coluna. Trata-se de um acepipe com um alto
nível calórico (assim como o chocolate,
que todo mundo adora) e uma das coisas mais gostosas
que eu conheço: o lardo di Colonnata. Coloco
o lardo ao lado de iguarias como as trufas brancas e
pretas, a galinha de Bresse, e o caviar - esses grandes
baluartes da mesa.
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| Filet mignon recheado de lardo: um dos melhores
que já comi |
Lardo di Colonnata é o
bacon mais nobre que existe. Na boca é um conto
de fadas, derrete, loucura total. É produzido
da mesma forma desde o período medieval no norte
da Itália, em Colonnata, um município
de Carrara. A gordura do porco é curada de 6
a 10 meses em cubos de mármore Carrara, em caves
muito frias. O sal marinho, pimenta preta (do reino),
alho fresco, canela, alecrim, semente de coentro e salvia
são adicionados no processo de maturação.
Essas especiarias ficam na casca do Lardo; a contribuição
é sutil, ao contrário da maioria das ricotas
secas apimentadas do mercado, aquela sensação
de um canhão contra uma formiga.
O lardo di Colonnata tem uso
versátil na cozinha como complemento de muitas
receitas mundo afora. Fatiado, puro com torradas e acompanhado
de um vinho branco da Borgonha é uma das iguarias
que mais aprecio. Conheci o lardo nos templos gastronômicos
da família Fasano - no Gero, Parigi e no próprio
Fasano, que utilizam faz tempo o lardo em algumas receitas
ou mesmo fatiado com torradas corretíssimas.
Semana passada, o chef José
Baratino, do Emiliano, me arrebatou com um dos melhores
pratos que já comi tendo o lardo como ingrediente.
Um corte generoso e especial de filet mignon recheado
de lardo, assado num ponto perfeito, servido num leito
de uma bela redução de carne e cogumelos,
acompanhado por purê de batata, que é meu
prato do coração. Poderia comer só
purê de batata por meses e meses - eu adoro mesmo!
Os vinhos agradecem sempre, porque é a companhia
mais educada para todos eles, sem erro e sem briga.
Num prato como esse, a escolha
do vinho é bastante fácil: tintos em geral
de corpo médio, a gosto de cada um. No meu caso,
um Borgonha, de preferência, ou vinhos do Rhône,
Loire e Provence.
Comer, comer... é o melhor
para poder crescer!
ONDE ENCONTRAR
• Emiliano
Rua Oscar Freire, 384, Jardim Paulista, São
Paulo
Tel.: 3068-4390
• Fasano
Rua Vitório Fasano, 88, Jardim Paulista,
São Paulo
Tel.: 3062-4000 e 3896-4000
• Gero
Rua Haddock Lobo, 1629, Jardim Paulista, São
Paulo
Tel.: 3064-0005
Rua Aníbal de Mendonça, 157, Ipanema,
Rio de Janeiro
Tel: 2239-8158
• Parigi
Rua Amauri, 275, Itaim Bibi, São Paulo
Tel.: 3167-1575/2560
SAIBA MAIS
www.lardodicolonnata.org
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NOTA do editor -
Roberto Gerosa
Tops nacionais
Ed
Motta é um defensor e entusiasta
dos vinhos nacionais de pequenos
produtores, que buscam uma personalidade
própria, como Cave Ouvidor, Tormentas
e Don Abel. Também sou. Mas empresas
como Aurora, Miolo e Salton, responsáveis
pela produção de grande volume
e pela criação de um importante
mercado de consumo, merecem atenção.
Aí vão três experiências
recentes que valem um registro:
| • Miolo
Merlot Terroir 2004. Michel "olha
ele aí de novo geeente!"
Rolland esteve no Brasil para o lançamento
de nova safra de vinhos da Miolo. O
polêmico consultor francês
aposta na merlot e no potencial do vinho
brasileiro, mas previne: "Terroir
tem sempre um limite..." O Terroir
2004 (100% merlot) está pronto
para beber, macio, e com taninos que
garantem tempo da garrafa; a madeira
está um pouco evidente demais.
Na apresentação oficial, foi o que mais
agradou entre os top de linha da Miolo
— e em uma degustação da revista Gula
que participei foi eleito o melhor tinto
entre mais de vinte rótulos: no ponto,
dá vontade de continuar bebendo. |
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• Talento
2002 (60% cabernet sauvignon, 30%
merlot, 10% tannat). O que melhor combina
com pratos regionais como um atolado
de bode, paçoca de carne seca
com manteiga de garrafa e um delicado
purê de jerimum? Estas e outras
receitas preparadas esplendidamente
no restaurante Mocotó, (www.mocoto.com.br)
em São Paulo, foram acompanhadas
por vários tintos, nacionais
e importados. O premiado Talento 2002
(já tem a safra 2004 no mercado),
da Salton, foi eleito por um grupo de
amigos que compartilhou estas delícias
como a parceria perfeita. Segurou todas
e brilhou. |
| • Aurora
Millésime 2004 (100% cabernert
sauvignon). Este vinho da Aurora só
é lançado nas safras especiais:
foi engarrafado em 91, 99 e 2004. Um
café de fim de tarde no nariz,
boa fruta na boca e final longo. Bastante
equilibrado. Os enólogos Antônio
Czarnobay e Mario Geisse buscam um caminho
para o vinho nacional, e não
uma cópia dos vinhos sul-americanos.
Foi meu primeiro e, lamentavelmente,
último encontro com Carlos Zannoto,
um entusiasmado dirigente da Aurora,
e uma das vítimas do acidente
do boeing da TAM. Zanotto apostava no
seu vinho: no meio da apresentação
do Millésime serviu um de seus
rótulos mais simples e provou:
qualidade começa pela base. |
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