| RESTAURANTE Tudo sempre
acaba no Gero  |  | Anjou
Marie Besnard 2002: 2000 garrafas de ouro líquido | Lardo di
colonnata e tartar de atum: sempre extraordinários |
A
excelência do editorial gastronômico da família Fasano é
reconhecido por todos os gourmets e gourmands do país. Ao lado dos restaurantes
de grande minúcia Fasano, Parigi e Gero, a família entrou também
para o ramo de importação de vinhos com a Enoteca Fasano. A escolha
das ampolas ultraespeciais é feita pelo mestre Manoel Beato, o degustador
mais lúcido que conheço. Na equipe, também está o
super-somelier Gianni Tartari, que promove os encontros de degustação
da Enoteca. Degustei alguns vinhos importados pela
Enoteca Fasano na versão carioca do restaurante Gero, que aqui no Rio é
meu restaurante de todas as horas, quando estou feliz, triste, comemorando, preocupado,
tudo acaba em Gero. Ainda bem... Comecei com um branco
da região de Anjou, no Vale do Loire, produzido pelo Domaine Mosse.  | | Purê
a la Joel Robuchon com um ovinho em cima: pedido de criança |
O
casal Rene e Agnes Mosse são adeptos da agricultura bio-dinâmica
e produzem quantidades ínfimas de vinho, no máximo 2000 garrafas.
E o mais honesto: o preço não acompanha a raridade que é
uma garrafa de Domaine Mosse. Não é um vinho barato, mas tem muita
bobagem que custa o triplo. Bebi o Anjou Marie Besnard 2002, o melhor vinho da
uva chenin blanc que conheço ao lado do Coulée de Serrant. De um
vinhedo de apenas 1 hectare e vinhas de 60 anos de idade os Mosse extraem um ouro
líquido. Cor de vinho branco maduro, parecendo um cognac, armagnac, um
dourado que enche minha boca d'água. Uma explosão de frutas maduras
no nariz, damasco, nectarina, e uma notinha de mel. No paladar é eterno
como os grandes vinhos. Precisa ser decantado para liberar mais aromas, e a temperatura
de serviço não deve ser muito baixa. Eu bebo praticamente na temperatura
de um tinto leve, como Morgon. Escoltando o vinho,
uma porção de lardo di colonnata (leia
a coluna) e um tartar de atum que é sempre extraordinário.
Em seguida meu pedido de criança no Gero, um purê a la Joel Robuchon
com um ovinho em cima. Adoro ovos! Costuma brigar com vinhos, mas o Anjou topa
todas.  |  | | Gevrey-Chambertin
2005: fruta concentrada e elegante | Risoto de lingüiça toscana com
radichio: combinação de chorar |
O
segundo vinho foi de uma das melhores regiões da Borgonha, Gevrey-Chambertin,
safra 2005 produzido por Sylvie Esmonin, uma ótima surpresa para mim. Não
conhecia. É o segundo Gevrey-Chambertin da nova safra de 2005 que bebo,
Pacalet fez um delicioso também. Sylvie Esmonin produz vinhos de grande
corpo, fruta concentrada mas tudo harmonioso, elegante. Na mesa, um risoto de
lingüiça toscana com radichio murmurava no ouvido do vinho juras de
amor eterno. A combinação foi de chorar.  | | Ossobuco
de vitela e polenta: depois, caminhada na Lagoa |
Finalizei
a orgia com um ossobuco de vitela e a famosa polenta da família Fasano,
grande cozinha, clássica e perfeita. Depois,
uma caminhada na Lagoa para tentar amenizar os exageros, mas tudo sempre acaba
em Gero. Ainda bem! •
Gero Rua Aníbal de Mendonça, 157, Ipanema fone: 2239-8158 •
Enoteca Fasano São Paulo: Rua Amauri, 255, Itaim Bibi
fone:(11) 3168-1255 Rio de Janeiro: Estrada da Gávea, 899 3º piso
- Shopping Fashion Mall, São Conrado fone: (21) 2422-3688
| NOTA
Faz
tempo que não escuto um disco tão bom quanto o novo do violonista, arranjador
e compositor Arthur Verocai. Encore é seu terceciro disco, foi lançado
pela gravadora inglesa Far Out. Grandes músicos e cantores são companheiros da
extraordinária viagem que é a música de Verocai. O primeiro disco dele é dos mais
procurados pelos colecionadores de vinil mundo afora, chegando a preços de um
Montrachet sério. | | |