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Quinta-feira, 20 de setembro de 2007

BEBIDA
Cerveja Karmeliet: difícil beber com moderação

Karmeliet: vários formatos de garrafas

Na Bélgica, pátria mãe das melhores cervejas do planeta, existem várias classificações de região ou estilo de cerveja. As cervejas brancas feitas com trigo, as Flanders Red e Lambic já comentadas aqui na coluna, as de estação Saison, as trapistas - obrigatoriamente produzidas na igreja - e as de abadia que nem sempre são realmente feitas em igrejas, mas devem obedecer as antigas receitas dos monges para obter o selo. Fora dessas classificações, as bebidas são designadas Special ( especiais), caso da famosa Duvel e até mesmo uma de minhas marcas favoritas, a Tripel Karmeliet.

A Tripel Karmeliet é produzida pela família Bosteels, responsável pelas famosas Kwak, e a cerveja feita pelo mesmo método de Champagne, a Deus. O herdeiro Antoine Bosteels usa uma receita de 1679 pertencente a um monastério carmelita, uma cerveja de três grãos: aveia, trigo e malte. Essa combinação gera uma das melhores bebidas que conheço.

No tanque: combinação de três grãos

Como todas as cervejas especiais no mundo a Karmeliet tem seu próprio copo para degustar, que lembra uma taça de vinho borgonha tinto. Colecionar os copos das cervejas favoritas é praxe entre os apreciadores.

A Karmeliet é produzida em diversos formatos de garrafa, da tradicional 330 ml até grandes formatos. Assim como nos vinhos, as garrafas grandes guardam líquidos mais untuosos, complexos. No nariz é uma explosão de aromas: laranja, caramelo, damasco; na boca sabor muito longo e uma ligeira doçura que torna a degustação mais fácil para maioria das pessoas.

Já tive oportunidade de degustar com o cervejólogo belga Xavier Depuydt algumas Karmeliet envelhecidas - foram experiências inesquecíveis, no nariz lembra um "bolo neutro de mãe quando sai quente do forno", só que frio. Beber estupidamente gelado só o que é muito ruim, numa bebida que realmente preste a temperatura nunca vai ao extremo.

Copo da Tripel Karmeliet: lembra uma taça de vinho borgonha

Com comida, fora o casamento perfeito com mexilhões, tem-se uma gama muito rica de combinações com Karmeliet: peixes, pato com molho adocicado, cordeiro e queijos em geral.

Eu gosto de beber várias cervejas diferentes. É monótono ficar a noite toda numa só. Mas com a Karmeliet eu costumo gostar... e depois me esquecer de tudo que fiz por conta do exagero. Tarefa difícil beber a Karmeliet com moderação...

 

SERVIÇO

Site oficial
www.bestbelgianspecialbeers.be

Belgian Beer Paradise
São Paulo: Rua Normandia, 52, Moema, tel.: (11) 5044-3956
Rio de Janeiro: Avenida das Américas, 500, BL9, Lj 120, Barra da Tijuca, tel.: (21) 3153-7675.
www.beerparadise.com.br

Emiliano (SP)
Rua Oscar Freire, 384, Jardins
Tel.: 3068-4399
www.emiliano.com.br

 

NOTA

Assim como várias cervejarias belgas produzem queijos como a Chimay (que é até melhor do que a cerveja), a Bosteels faz um paté artesanal de vísceras com a Tripel Karmeliet. Por enquanto não existe importação no Brasil desses produtos com cerveja.

Xavier Depuydt também está à frente da primeira revista sobre cervejas na língua portuguesa: a Beer. No primeiro número, um dossiê completo sobre a nobreza da Cantillon e também a cervejaria de Blumenau Eisenbahn, que produz a estonteante cerveja Lust, no nível das belgas, coisa séria.

 

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