| BEBIDA Cerveja Karmeliet:
difícil beber com moderação  | | Karmeliet:
vários formatos de garrafas |
Na Bélgica,
pátria mãe das melhores cervejas do planeta, existem várias
classificações de região ou estilo de cerveja. As cervejas
brancas feitas com trigo, as Flanders Red e Lambic
já comentadas aqui na coluna, as de estação Saison, as trapistas
- obrigatoriamente produzidas na igreja - e as de abadia que nem sempre são
realmente feitas em igrejas, mas devem obedecer as antigas receitas dos monges
para obter o selo. Fora dessas classificações, as bebidas são
designadas Special ( especiais), caso da famosa Duvel e até mesmo uma de
minhas marcas favoritas, a Tripel Karmeliet. A Tripel
Karmeliet é produzida pela família Bosteels, responsável
pelas famosas Kwak, e a cerveja feita pelo mesmo método de Champagne, a
Deus. O herdeiro Antoine Bosteels usa uma receita de 1679 pertencente a um monastério
carmelita, uma cerveja de três grãos: aveia, trigo e malte. Essa
combinação gera uma das melhores bebidas que conheço.  | | No
tanque: combinação de três grãos |
Como
todas as cervejas especiais no mundo a Karmeliet tem seu próprio copo para
degustar, que lembra uma taça de vinho borgonha tinto. Colecionar os copos
das cervejas favoritas é praxe entre os apreciadores. A
Karmeliet é produzida em diversos formatos de garrafa, da tradicional 330
ml até grandes formatos. Assim como nos vinhos, as garrafas grandes guardam
líquidos mais untuosos, complexos. No nariz é uma explosão
de aromas: laranja, caramelo, damasco; na boca sabor muito longo e uma ligeira
doçura que torna a degustação mais fácil para maioria
das pessoas. Já tive oportunidade de degustar
com o cervejólogo belga Xavier Depuydt algumas Karmeliet envelhecidas -
foram experiências inesquecíveis, no nariz lembra um "bolo neutro
de mãe quando sai quente do forno", só que frio. Beber estupidamente
gelado só o que é muito ruim, numa bebida que realmente preste a temperatura nunca
vai ao extremo.  |  | | Copo
da Tripel Karmeliet: lembra uma taça de vinho borgonha |
Com
comida, fora o casamento perfeito com mexilhões, tem-se uma gama muito
rica de combinações com Karmeliet: peixes, pato com molho adocicado,
cordeiro e queijos em geral. Eu gosto de beber várias
cervejas diferentes. É monótono ficar a noite toda numa só.
Mas com a Karmeliet eu costumo gostar... e depois me esquecer de tudo que fiz
por conta do exagero. Tarefa difícil beber a Karmeliet com moderação... SERVIÇO •
Site oficial www.bestbelgianspecialbeers.be •
Belgian Beer Paradise São Paulo: Rua Normandia,
52, Moema, tel.: (11) 5044-3956 Rio de Janeiro: Avenida das Américas,
500, BL9, Lj 120, Barra da Tijuca, tel.: (21) 3153-7675. www.beerparadise.com.br •
Emiliano (SP) Rua Oscar Freire, 384, Jardins Tel.:
3068-4399 www.emiliano.com.br
| NOTA
 | Assim
como várias cervejarias belgas produzem queijos como a Chimay (que é até melhor
do que a cerveja), a Bosteels faz um paté artesanal de vísceras com a Tripel Karmeliet.
Por enquanto não existe importação no Brasil desses produtos com cerveja. |
Xavier
Depuydt também está à frente da primeira revista sobre cervejas na língua portuguesa:
a Beer. No primeiro número, um dossiê completo sobre a nobreza da Cantillon
e também a cervejaria de Blumenau Eisenbahn, que produz a estonteante cerveja
Lust, no nível das belgas, coisa séria. |  |
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