| BEBIDA Chás verdes
japoneses: jovens e frescos como um sushi  | | Sincha,
uma raridade: comercializado apenas por três meses no Japão, de maio até junho |
Na
família dos chás, cada vez mais prefiro os verdes, principalmente
os japoneses, com muita clorofila, mais frescos com pouca fermentação. O
chá verde se assemelha ao vinho branco na harmonização com
comida, na sutileza dos aromas e na sensação de frescor. Um chá
verde de qualidade me dá a sensação de prazer parecida com
vinhos brancos delicados, como Condrieu, Hermitage branco, riesling, até
mesmo a untuosidade de um grande borgonha branco. A China, pátria-mãe
da cultura do chá, também produz ótimos chás verdes,
mas a grande riqueza está nos oolong (média fermentação),
pretos e envelhecidos (fermentados, tostados). Já os verdes são
a grande especialidade do Japão. Os verdes japoneses de forma geral devem
ser bebidos jovens, frescos como um sushi. Há
uma rica classificação por região e maneiras de se colher
e tratar a camelia sinesis, a planta do chá. Em um patamar mais
elevado estão o Gyokuro, o Kabuse e o Matcha. O Gyokuro, é o top
dos verdes, um grand cru comparando com vinhos. Já o Kabuse, delicioso,
pode ser considerado a um 1er cru - dependendo do produtor pode superar alguns
Gyokuro. Importante na cerimônia japonesa, o Matcha é uma experiência
emocionante no mundo do chá.  | | Colheita
de sincha: nos primeiros meses do ano |
Num
segundo grupo da classificação, seguindo a mesma idéia dos
vinhos onde o produtor faz a diferença, os do tipo Sencha, que podem também
apresentar complexidade no nível do Gyokuro, e os raros Sincha, colhidos
nos primeiros meses do ano, são provas que o chá verde é
muito mais importante do que as garrafinhas geladas comercializadas mundo afora.
Sincha é conhecido como "chá novo" que na verdade é
um Sencha colhido bem jovem e empacotado imediatamente. Uma raridade, quase uma
trufa branca dos chás verdes. É comercializado apenas por três
meses no Japão, de maio até junho, e o alto grau de vitaminas e
flavonóides faz um Sincha especial custar mais caro do que um Gyokuro.
O dois melhores Sincha que já provei são da importadora americana
de chás japoneses, a Japanese Green Tea Online. Quem tem amigos morando
no Tio Sam, como eu felizmente tenho (e encho o saco deles), vale a pena perturbar
pedindo pelo menos um pequeno pacote de chá... Da
provincia de Uji vem o Shun Na Kaori Shincha, um chá rico de aromas e sabores
e o top dos Sincha, o Kinami. A infusão sai tão amalgamada com a
erva que o líquido é denso, turvo, valendo a pena passar num coador
fino apropriado para chás. Mesmo adorando o
Sincha, gosto mesmo é de Gyokuro e Matcha, meus chás verdes favoritos.
Gyokuro tem uma sensação gordurosa contrastando com o verde sutil,
que é sensacional. O Matcha - fora a linda cerimônia do chá
- , quando bem preparado, é das grandes delícias líquidas
que existe. Ainda nesse grupo, o Kabuse, que tem processo
parecido com Gyokuro, está também na linha dos grandes verdes e
é importado para o Brasil pela Tee Gschwendner. •
Tee Gschwendner (A Loja do Chá) Em São Paulo
(Shopping Iguatemi, tel. 11- 3816-5359) e Porto Alegre (Moinhos Shopping, tel.
51 - 33119638) •
Japanese Green Tea Online www.japanesegreenteaonline.com
| NOTAS •
Em seguida da febre pelo chá verde toda deturpada em
forma de lata, garrafinha, cheio de conservante, agora é a vez do chá
branco. Tenho lido bastante matéria
sobre o chá branco, mas sempre com esse olhar de pílula, garrafa
de plástico. Tomara que fique fácil encontrar algo como o grande
chá branco o Yin Zhen (leia
a coluna) por conta do modismo. •
Imperdível o site japonês www.itohkyuemon.co.jp,
que é a fonte dos chás comercializados pelo Japanese Green Tea.
Está tudo em japonês, mas as fotos de doces preparados com chá
verde já valem a visita virtual. | | Mais
sobre chás em Boa Vida: •
Chás
que envelhecem como vinhos 15 de dezembro de
2006 • Chá
branco, tão raro quanto as trufas brancas 1º
de fevereiro de 2007 •
Gyokuro,
o rei dos chás verdes japoneses 12 de
abril de 2007 •
Oolong,
um chá especial que vem da China, da Tailândia e do Vietnã
5 de julho de 2007 •
O
chá da longa vida que vem da África do Sul 5
de setembro de 2007
| NOTA DO EDITOR O
que é melhor do que provar a primeira safra, a de 1999, do vinho ícone
da Miolo,
o Lote 43? Beber todas as safras lançadas até hoje - 1999, 2002,
2004 e 2005 - ao mesmo tempo, claro! (O Lote 43 só é
arrolhado em safras avaliadas como excepcionais pelos proprietários) A
composição é sempre a mesma: 50% cabernet sauvignon e 50
% merlot, provenientes da mesma parcela de terra que dá nome ao vinho.
Descansa sempre doze meses em barricas. Entre a primeira e última safra
foram feitas algumas mudanças no vinhedo, na vinificação
e principalmente no uso de barris, que eram americanos e passaram a dividir espaço
com os franceses. As quatro taças, lado a lado, mostraram basicamente duas
coisas: evolução e mudança de estilo. A garrafa de 1999,
passados oito anos, tem um jeitão mais rústico e classudo, mais
comum aos vinhos do passado. Boca e aromas evoluídos, passou bem pelo tempo,
preserva potência, os taninos estão amaciados e tem maior acidez
que os outros. Em 2002 começa uma pequena mudança, mas a bebida
ainda está próxima da primeira safra, talvez com um tanino mais
adstringente. Foi a menos elegante das quatro safras provadas. Em 2004, e principalmente
2005, uma das melhores safras nacionais dos últimos tempos, o perfil muda
um pouco, o vinho é mais redondo, pronto, frutos e aromas mais presentes.
Um vinho mais fácil e moderno. Tem o dedo de Michel Rolland ali, que foi
contratado como consultor da empresa. Numa avaliação final - tratava-se
de uma prova informal, entre amigos - as safras que ficaram nas pontas falaram
mais ao coração, cada qual mostrando suas virtudes e estilo: do
austero e classudo 1999 ao moderno e redondo 2005. A preferência por uma
das duas acaba definindo, também, o perfil do consumidor.
Roberto
Gerosa | | |