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Quinta-feira, 18 de outubro de 2007

BEBIDA
Chás verdes japoneses: jovens
e frescos como um sushi

Sincha, uma raridade: comercializado apenas por três meses no Japão, de maio até junho

Na família dos chás, cada vez mais prefiro os verdes, principalmente os japoneses, com muita clorofila, mais frescos com pouca fermentação.

O chá verde se assemelha ao vinho branco na harmonização com comida, na sutileza dos aromas e na sensação de frescor. Um chá verde de qualidade me dá a sensação de prazer parecida com vinhos brancos delicados, como Condrieu, Hermitage branco, riesling, até mesmo a untuosidade de um grande borgonha branco. A China, pátria-mãe da cultura do chá, também produz ótimos chás verdes, mas a grande riqueza está nos oolong (média fermentação), pretos e envelhecidos (fermentados, tostados). Já os verdes são a grande especialidade do Japão. Os verdes japoneses de forma geral devem ser bebidos jovens, frescos como um sushi.

Há uma rica classificação por região e maneiras de se colher e tratar a camelia sinesis, a planta do chá. Em um patamar mais elevado estão o Gyokuro, o Kabuse e o Matcha. O Gyokuro, é o top dos verdes, um grand cru comparando com vinhos. Já o Kabuse, delicioso, pode ser considerado a um 1er cru - dependendo do produtor pode superar alguns Gyokuro. Importante na cerimônia japonesa, o Matcha é uma experiência emocionante no mundo do chá.

Colheita de sincha: nos primeiros meses do ano

Num segundo grupo da classificação, seguindo a mesma idéia dos vinhos onde o produtor faz a diferença, os do tipo Sencha, que podem também apresentar complexidade no nível do Gyokuro, e os raros Sincha, colhidos nos primeiros meses do ano, são provas que o chá verde é muito mais importante do que as garrafinhas geladas comercializadas mundo afora.

Sincha é conhecido como "chá novo" que na verdade é um Sencha colhido bem jovem e empacotado imediatamente. Uma raridade, quase uma trufa branca dos chás verdes. É comercializado apenas por três meses no Japão, de maio até junho, e o alto grau de vitaminas e flavonóides faz um Sincha especial custar mais caro do que um Gyokuro. O dois melhores Sincha que já provei são da importadora americana de chás japoneses, a Japanese Green Tea Online. Quem tem amigos morando no Tio Sam, como eu felizmente tenho (e encho o saco deles), vale a pena perturbar pedindo pelo menos um pequeno pacote de chá...

Da provincia de Uji vem o Shun Na Kaori Shincha, um chá rico de aromas e sabores e o top dos Sincha, o Kinami. A infusão sai tão amalgamada com a erva que o líquido é denso, turvo, valendo a pena passar num coador fino apropriado para chás.

Mesmo adorando o Sincha, gosto mesmo é de Gyokuro e Matcha, meus chás verdes favoritos. Gyokuro tem uma sensação gordurosa contrastando com o verde sutil, que é sensacional. O Matcha - fora a linda cerimônia do chá - , quando bem preparado, é das grandes delícias líquidas que existe.

Ainda nesse grupo, o Kabuse, que tem processo parecido com Gyokuro, está também na linha dos grandes verdes e é importado para o Brasil pela Tee Gschwendner.

 

ONDE COMPRAR

Tee Gschwendner (A Loja do Chá)
Em São Paulo (Shopping Iguatemi, tel. 11- 3816-5359)
e Porto Alegre (Moinhos Shopping, tel. 51 - 33119638)

Japanese Green Tea Online
www.japanesegreenteaonline.com

 

NOTAS

Em seguida da febre pelo chá verde toda deturpada em forma de lata, garrafinha, cheio de conservante, agora é a vez do chá branco.

Tenho lido bastante matéria sobre o chá branco, mas sempre com esse olhar de pílula, garrafa de plástico. Tomara que fique fácil encontrar algo como o grande chá branco o Yin Zhen (leia a coluna) por conta do modismo.

Imperdível o site japonês www.itohkyuemon.co.jp, que é a fonte dos chás comercializados pelo Japanese Green Tea. Está tudo em japonês, mas as fotos de doces preparados com chá verde já valem a visita virtual.

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NOTA DO EDITOR

O que é melhor do que provar a primeira safra, a de 1999, do vinho ícone da Miolo, o Lote 43? Beber todas as safras lançadas até hoje - 1999, 2002, 2004 e 2005 - ao mesmo tempo, claro! (O Lote 43 só é arrolhado em safras avaliadas como excepcionais pelos proprietários) A composição é sempre a mesma: 50% cabernet sauvignon e 50 % merlot, provenientes da mesma parcela de terra que dá nome ao vinho. Descansa sempre doze meses em barricas. Entre a primeira e última safra foram feitas algumas mudanças no vinhedo, na vinificação e principalmente no uso de barris, que eram americanos e passaram a dividir espaço com os franceses. As quatro taças, lado a lado, mostraram basicamente duas coisas: evolução e mudança de estilo. A garrafa de 1999, passados oito anos, tem um jeitão mais rústico e classudo, mais comum aos vinhos do passado. Boca e aromas evoluídos, passou bem pelo tempo, preserva potência, os taninos estão amaciados e tem maior acidez que os outros. Em 2002 começa uma pequena mudança, mas a bebida ainda está próxima da primeira safra, talvez com um tanino mais adstringente. Foi a menos elegante das quatro safras provadas. Em 2004, e principalmente 2005, uma das melhores safras nacionais dos últimos tempos, o perfil muda um pouco, o vinho é mais redondo, pronto, frutos e aromas mais presentes. Um vinho mais fácil e moderno. Tem o dedo de Michel Rolland ali, que foi contratado como consultor da empresa. Numa avaliação final - tratava-se de uma prova informal, entre amigos - as safras que ficaram nas pontas falaram mais ao coração, cada qual mostrando suas virtudes e estilo: do austero e classudo 1999 ao moderno e redondo 2005. A preferência por uma das duas acaba definindo, também, o perfil do consumidor.

Roberto Gerosa

 

 

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