RESTAURANTE Biriri,
genipapo, micoró e maturi Essa semana passei
três dias em Salvador, Bahia, o que significa comer magnificamente no restaurante
Paraíso Tropical, um tratado sobre frutas, ervas, e gastronomia genuinamente
brasileira. É muito especial quando um estabelecimento
destinado ao público tem uma "persona" dia e noite como a do
chef e proprietário Beto Pimentel. Grande piadista, autor da máxima
"de dia na agricultura, de noite na criatura", Beto tem a áurea
dos grandes artistas, que transcendem suas criações.  | | Sucos
em ponto de sorbet: frutas do nordeste aromáticas e ricas de sabores |
Assim
que se chega ao Paraíso, o ideal é pedir uma degustação
de sucos, que vem em ponto de sorbet. Eu sempre peço quase todas as frutas
do nordeste - cajá, biribiri, genipapo, jambo, seriguela, umbu cajá
-, que é inacreditável que não tenham sido difundidas pelo
país como mereciam; são aromáticas, muito ricas de sabores.
Eu deixar de beber vinho numa refeição é sinal que tem coisa
muito séria no lugar. Só esses sucos já valeriam a visita
ao bairro do Cabula, onde fica o Paraíso Tropical. Em
seguida as entradas, caldo de preguari e sururu, moluscos da região e os
pequenos peixes fritos miroró e pitininga. Eu saio atordoado de tantos
nomes difíceis de guardar. A estrela da casa
é o maturi, a semente verde do caju. Mais neutra do que a castanha, é
usada em várias criações de Beto, e também no tradicional
prato do Recôncavo Baiano, a frigideira de maturi, uma raridade assim como
o disco da banda de jazz baiana de fim dos 70, Sexteto do Beco, que é a
música da semana da coluna.  | | Criações
do chef e proprietário Beto Pimentel: gastronomia genuinamente brasileira |
Não
posso esquecer das guarnições; a farofa, que sempre levo uma sacola
para casa no clima muamba, e o pirão de leite com pedacinhos de bacon,
e legumes e verduras exóticas. Comentei sobre
comer ao ar livre semana passada, no Paraíso Tropical isso é um
presente, e também me agrada o fato de ser fora de mão do roteiro
turístico comum, sempre praia, orla, etc. Se
fosse levar um vinho, seria um Riesling ou um Tokay Pinot Gris da Alsace, França,
para os pratos principais e um branco do Loire como Vouvray, Torraine para a entrada.
Poderia ser um branco da uva Torrontés argentino também, um dos
vinhos mais originais da América do Sul.
ONDE
Paraíso Tropical (Rinha do Cabula) Rua
Edgard Loureiro, 98-B, Resgate-Cabula, Salvador, Bahia, tel. (71) 3384-7464.
Diariamente: 12h/23h
NOTAS
| • O camarão gigantesco à provençal do lendário restaurante Rufino's,
em São Paulo, é uma beleza, fora o melhor mexilhão ao vinagrete que já comi. Carta
de vinhos e chás muito boa. Uma carta que tem Mas De Daumas Gassac Branco nas
opções, merece atenção.• Bebi num jantar no Vecchio Torino em São Paulo outra garrafa do Cave
Ouvidor Peverella 2005, acompanhado por amigos que levaram o creme de la creme
da França e Espanha. Eu gostei ainda mais desse vinho, todos se surpreenderam
por ser um rótulo brasileiro. E mais, no Chile e Argentina, apesar de gostar muito
de alguns, não tem um vinho branco que me interesse tanto quanto esse de Garopaba,
Santa Catarina. Axé, Cave Ouvidor! | | |