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Quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

RESTAURANTE
Biriri, genipapo, micoró e maturi

Essa semana passei três dias em Salvador, Bahia, o que significa comer magnificamente no restaurante Paraíso Tropical, um tratado sobre frutas, ervas, e gastronomia genuinamente brasileira.

É muito especial quando um estabelecimento destinado ao público tem uma "persona" dia e noite como a do chef e proprietário Beto Pimentel. Grande piadista, autor da máxima "de dia na agricultura, de noite na criatura", Beto tem a áurea dos grandes artistas, que transcendem suas criações.

Sucos em ponto de sorbet: frutas do nordeste aromáticas e ricas de sabores

Assim que se chega ao Paraíso, o ideal é pedir uma degustação de sucos, que vem em ponto de sorbet. Eu sempre peço quase todas as frutas do nordeste - cajá, biribiri, genipapo, jambo, seriguela, umbu cajá -, que é inacreditável que não tenham sido difundidas pelo país como mereciam; são aromáticas, muito ricas de sabores. Eu deixar de beber vinho numa refeição é sinal que tem coisa muito séria no lugar. Só esses sucos já valeriam a visita ao bairro do Cabula, onde fica o Paraíso Tropical.

Em seguida as entradas, caldo de preguari e sururu, moluscos da região e os pequenos peixes fritos miroró e pitininga. Eu saio atordoado de tantos nomes difíceis de guardar.

A estrela da casa é o maturi, a semente verde do caju. Mais neutra do que a castanha, é usada em várias criações de Beto, e também no tradicional prato do Recôncavo Baiano, a frigideira de maturi, uma raridade assim como o disco da banda de jazz baiana de fim dos 70, Sexteto do Beco, que é a música da semana da coluna.

Criações do chef e proprietário Beto Pimentel: gastronomia genuinamente brasileira

Não posso esquecer das guarnições; a farofa, que sempre levo uma sacola para casa no clima muamba, e o pirão de leite com pedacinhos de bacon, e legumes e verduras exóticas.

Comentei sobre comer ao ar livre semana passada, no Paraíso Tropical isso é um presente, e também me agrada o fato de ser fora de mão do roteiro turístico comum, sempre praia, orla, etc.

Se fosse levar um vinho, seria um Riesling ou um Tokay Pinot Gris da Alsace, França, para os pratos principais e um branco do Loire como Vouvray, Torraine para a entrada. Poderia ser um branco da uva Torrontés argentino também, um dos vinhos mais originais da América do Sul.


ONDE

Paraíso Tropical (Rinha do Cabula)
Rua Edgard Loureiro, 98-B, Resgate-Cabula, Salvador, Bahia,
tel. (71) 3384-7464. Diariamente: 12h/23h

NOTAS
• O camarão gigantesco à provençal do lendário restaurante Rufino's, em São Paulo, é uma beleza, fora o melhor mexilhão ao vinagrete que já comi. Carta de vinhos e chás muito boa. Uma carta que tem Mas De Daumas Gassac Branco nas opções, merece atenção.

• Bebi num jantar no Vecchio Torino em São Paulo outra garrafa do Cave Ouvidor Peverella 2005, acompanhado por amigos que levaram o creme de la creme da França e Espanha. Eu gostei ainda mais desse vinho, todos se surpreenderam por ser um rótulo brasileiro. E mais, no Chile e Argentina, apesar de gostar muito de alguns, não tem um vinho branco que me interesse tanto quanto esse de Garopaba, Santa Catarina. Axé, Cave Ouvidor!



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No mundo do vinho, alguns alimentos são considerados difíceis de harmonizar, alcachofra, aspargos, chocolate e o dendê. Já provei muita coisa, mas os que acompanharam melhor foram vinhos tintos da Rioja, Espanha. Eles dialogam com perfeição com as Paellas, e o dendê é um açafrão dos trópicos.
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