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Sexta-feira, 9 de agosto de 2007

BEBIDA
Maravilhas italianas em Sampa


Adriana Grasso, Ed Motta e o chef Luciano Pollarini na Enoteca Acqua Santa: oásis do bem viver

Na rua das grandes grifes em São Paulo, a Oscar Freire, encontra-se um oásis do bem viver italiano para os amantes do vinho e da gastronomia, a Enoteca Acqua Santa.

A expert em vinhos e proprietária Adriana Grasso, nascida na minha região favorita de vinhos na Itália, o Piemonte, é a responsável pela seleção dos vinhos da importadora, que é também uma loja e um ótimo restaurante, assim com Le-Tire Bouchon comentado semana passada aqui.

Adriana tem um editorial inteligente na escolha dos vinhos, grandes achados, vinhos de muita personalidade.

Fiz uma degustação de alguns vinhos acompanhados por pratos maravilhosos e tradicionais italianos preparados pelo chef e também expert de vinhos Luciano Pollarini, que era do Arlechino, no Rio, que eu freqüentei muito nos anos 90.

Começamos com um vinho branco sem madeira siciliano produzido por Feudo Arancio da uva grillo (variedade do famoso vinho Marsala), com o aroma de pêras típico dos brancos do sul da Itália, que acompanhou perfeito um liguine com scampi e tomato. Adriana lembrou na degustação o que para mim tem sido hábito - molho de tomate sempre deve ser escoltado por vinho branco, ambos se beneficiam mais pelo encontro.
Em seguida, dois vinhos do produtor Mezzacorona do norte da Itália, na região do Trento. Um delicioso tinto da uva autóctone schiava, lembrando os austríacos frutados e de corpo médio. O Sciava Valdadige 2005 é um vinho versátil de combinação com comida, quase um rosé.


Lasanha bolonhesa e o Teroldego Rotaliano: totalmente emocional

Depois, um Teroldego Rotaliano 2003 apareceu com um prato que estou sonhando até agora, uma lasanha bolonhesa tradicional, um sabor totalmente emocional.

A felicidade já era grande nesse momento quando deparo com dois dos melhores vinhos italianos que eu já degustei!

Um vinho 100% da uva sangiovese da Toscana que, sinceramente, ao lado do famoso top dos Brunello Di Montalcino, o Soldera, é o vinho da uva sangiovese que mais me impressionou.


Dobradinha com feijão branco e o sangiovese Il Boro: elegante

Vinho da família de Salvatore Ferragamo, no rótulo da garrafa assinado como Il Borro. A sangiovese usualmente gera vinhos de corpo, potência e cor. Eu costumo preferir os vinhos da uva nebbiolo do Piemonte pelo temperamento borguinhone, mais elegante, frutado. Mas esse é o sangiovese mais borguinhone que já provei; seria como Haut-Brion para Bordeaux. O acompanhamento estava uma beleza, umas tripas, a conhecida dobradinha com feijão branco, tomate e especiarias como canela. A vida é bela!

Ossobuco de vitela com Amarone safra 2000: acompanhamento perfeito

Na conclusão da degustação, um ossobuco de vitela muito macio, desmanchando no garfo. Adriana propôs um Amarone. Achei que seria muito pesado para o prato de vitela. Mas então a surpresa, um Amarone do produtor Villa Spinosa da safra 2000. Características diferentes do que eu espero de um Amorone, com palha, frutas secas, aroma presente de caça e uma fruta de grande elegância. O acompanhamento foi perfeito, e o Amarone e o sangiovese ficaram rondando minha cabeça desde o dia que provei, assim como as grandes obras da arte.

O peteleco final foi uma grapa de Brunello. E uma tarde de sono profundo no friozinho que adoro de Sampa.


ONDE ENCONTRAR

Enoteca Acqua Santa
Rua Oscar Freire, 155, Jardim Paulista, São Paulo Tel.: 3081-7909. Leia mais informações em Veja São Paulo.

NOTA do editor - Roberto Gerosa

Novo Mundo Chile & Velho Mundo Portugal


• O enólogo Enrique Tirado é responsável desde 1999 por um dos grandes monstros sagrados do vinho chileno: o Don Melchor. O supercabernet andino vem colecionando prêmios e admiradores ao longo dos anos. Enrique Tirado tem outra qualidade rara na fogueira das vaidades dos enólogos que se apresentam por aqui: ele jamais assume sozinho a autoria do vinho. Num mundo do "eu decidi isso, eu fiz aquilo", Tirado conjuga na terceira pessoa - e produz um vinho de primeira. A safra que chega ao mercado, de 2004, chega pronta, direto para o copo. Isso se tiver grana para levar para casa.


Filipa Pato é um pequena produtora portuguesa da região do Dão e da Bairrada. Filha de pai famoso do mundo do vinho - Luiz Pato - , ela trilha seu caminho com independência e, principalmente, competência. De sua palheta de uvas autóctones (aquelas que são nativas de uma região ou país) ela extrai vinhos que são parceiros para a comida. São cinco rótulos; somente 60.000 garrafas por ano. O destaque fica para o branco mais básico, o Ensaios 2005, de arinto, que dá o frescor, e bical, responsável pela cremosidade que envolve a boca. Uma delícia. 40 reais e a garrafa é sua. Dos tintos, o Lokal Silex 2004 de touriga nacional - Filipa explica que a touriga é uma uva natural do Dão, e não do Douro, como se pensa - e alfrocheiro. Como descreveu um colega, tem uma ameixa desesperada na taça. Seja lá o que isso signifique, é muito bom de sentir. Apesar de jovem, Filipa traz a tradição do Velho Mundo na sua maneira de trabalhar. Segundo ela, para fazer um vinho de qualidade é preciso viver no lugar: "É necessário dormir lá e acordar lá ", ensina.


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