| BEBIDA Maravilhas italianas
em Sampa
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| Adriana Grasso, Ed Motta e o chef Luciano Pollarini na Enoteca Acqua
Santa: oásis do bem viver | Na
rua das grandes grifes em São Paulo, a Oscar Freire, encontra-se um oásis
do bem viver italiano para os amantes do vinho e da gastronomia, a Enoteca Acqua
Santa. A expert em vinhos e proprietária
Adriana Grasso, nascida na minha região favorita de vinhos na Itália,
o Piemonte, é a responsável pela seleção dos vinhos
da importadora, que é também uma loja e um ótimo restaurante,
assim com Le-Tire Bouchon
comentado semana passada aqui. Adriana
tem um editorial inteligente na escolha dos vinhos, grandes achados, vinhos de
muita personalidade. Fiz uma degustação
de alguns vinhos acompanhados por pratos maravilhosos e tradicionais italianos
preparados pelo chef e também expert de vinhos Luciano Pollarini, que era
do Arlechino, no Rio, que eu freqüentei muito nos anos 90.
| Começamos com um vinho branco sem
madeira siciliano produzido por Feudo Arancio da uva grillo (variedade do famoso
vinho Marsala), com o aroma de pêras típico dos brancos do sul da
Itália, que acompanhou perfeito um liguine com scampi e tomato. Adriana
lembrou na degustação o que para mim tem sido hábito - molho
de tomate sempre deve ser escoltado por vinho branco, ambos se beneficiam mais
pelo encontro. |  |
 | Em
seguida, dois vinhos do produtor Mezzacorona do norte da Itália, na região
do Trento. Um delicioso tinto da uva autóctone schiava, lembrando os austríacos
frutados e de corpo médio. O Sciava Valdadige 2005 é um vinho versátil
de combinação com comida, quase um rosé. |
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| Lasanha bolonhesa e o Teroldego Rotaliano:
totalmente emocional | Depois,
um Teroldego Rotaliano 2003 apareceu com um prato que estou sonhando até
agora, uma lasanha bolonhesa tradicional, um sabor totalmente emocional.
A felicidade já era grande nesse momento quando deparo com dois dos melhores
vinhos italianos que eu já degustei!
Um vinho 100% da uva sangiovese da Toscana que, sinceramente, ao lado do famoso
top dos Brunello Di Montalcino, o Soldera, é o vinho da uva sangiovese
que mais me impressionou.
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| Dobradinha com feijão branco e o
sangiovese Il Boro: elegante | Vinho
da família de Salvatore Ferragamo, no rótulo da garrafa assinado
como Il Borro. A sangiovese usualmente gera vinhos de corpo, potência e
cor. Eu costumo preferir os vinhos da uva nebbiolo do Piemonte pelo temperamento
borguinhone, mais elegante, frutado. Mas esse é o sangiovese mais borguinhone
que já provei; seria como Haut-Brion para Bordeaux. O acompanhamento estava
uma beleza, umas tripas, a conhecida dobradinha com feijão branco, tomate
e especiarias como canela. A vida é bela!
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| Ossobuco de vitela com Amarone safra 2000: acompanhamento
perfeito | Na conclusão
da degustação, um ossobuco de vitela muito macio, desmanchando no
garfo. Adriana propôs um Amarone. Achei que seria muito pesado para o prato
de vitela. Mas então a surpresa, um Amarone do produtor Villa Spinosa da
safra 2000. Características diferentes do que eu espero de um Amorone,
com palha, frutas secas, aroma presente de caça e uma fruta de grande elegância.
O acompanhamento foi perfeito, e o Amarone e o sangiovese ficaram rondando minha
cabeça desde o dia que provei, assim como as grandes obras da arte.
O peteleco final foi uma grapa de Brunello. E uma tarde de sono profundo no friozinho
que adoro de Sampa. |
ONDE ENCONTRAR •
Enoteca Acqua Santa Rua Oscar Freire, 155, Jardim Paulista,
São Paulo Tel.: 3081-7909. Leia mais informações em Veja
São Paulo.
| NOTA do editor - Roberto Gerosa Novo
Mundo Chile & Velho Mundo Portugal • O enólogo
Enrique Tirado é responsável desde 1999 por um dos grandes
monstros sagrados do vinho chileno: o Don Melchor. O supercabernet andino
vem colecionando prêmios e admiradores ao longo dos anos. Enrique Tirado
tem outra qualidade rara na fogueira das vaidades dos enólogos que se apresentam
por aqui: ele jamais assume sozinho a autoria do vinho. Num mundo do "eu
decidi isso, eu fiz aquilo", Tirado conjuga na terceira pessoa - e produz
um vinho de primeira. A safra que chega ao mercado, de 2004, chega pronta, direto
para o copo. Isso se tiver grana para levar para casa.
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• Filipa Pato
é um pequena produtora portuguesa da região do Dão e da Bairrada.
Filha de pai famoso do mundo do vinho - Luiz Pato - , ela trilha seu caminho com
independência e, principalmente, competência. De sua palheta de uvas
autóctones (aquelas que são nativas de uma região ou país)
ela extrai vinhos que são parceiros para a comida. São cinco rótulos;
somente 60.000 garrafas por ano. O destaque fica para o branco mais básico,
o Ensaios 2005, de arinto, que dá o frescor, e bical, responsável
pela cremosidade que envolve a boca. Uma delícia. 40 reais e a garrafa
é sua. Dos tintos, o Lokal Silex 2004 de touriga nacional - Filipa explica
que a touriga é uma uva natural do Dão, e não do Douro, como
se pensa - e alfrocheiro. Como descreveu um colega, tem uma ameixa desesperada
na taça. Seja lá o que isso signifique, é muito bom de sentir.
Apesar de jovem, Filipa traz a tradição do Velho Mundo na sua maneira
de trabalhar. Segundo ela, para fazer um vinho de qualidade é preciso viver
no lugar: "É necessário dormir lá e acordar lá
", ensina. | | |