| BEBIDA Um vinho diferente,
único e "amarelo": o Château Chalon  |  | | Château
Chalon: os 50 hectares mais importantes do Jura |
Um
pequeno vilarejo na região do Jura, na França, há muitos anos produz e dá nome
a um vinho único, diferente de todos: o Château Chalon, um vin
jaune ou "vinho amarelo", o vinho branco mais longevo que existe.
Com apenas 50 hectares, esta é a AOC (Appellation d’Origine Contrôlée) mais importante
do Jura, e faz o delírio de vários conaisseurs no mundo. Château Chalon é um vinho
tão especial e importante quanto os monstros sagrados da França, como os vinhos
Le Montrachet, Haut-Brion, Chambertin, Latour, grandes sauternes e grandes champagnes.  | | A
"flor" do vin jaune |
A produção
dos vin jaune é muito particular. Após a colheita, a uva
savagnin passa por um envelhecimento em barris de carvalho por 6 anos,
onde sofre um processo semelhante ao famoso vinho fortificado espanhol Jerez e
das cervejas belgas do tipo Lambic. O contato com as bactérias do ar produz
uma película branca que os franceses chamam de "flor", termo em espanhol.
Isso dá ao vinho nuances de uma oxidação muito bem-vinda,
muitas vezes mal interpretada quando se tem o costume de achar que um vinho branco
é somente aquele maracujazinho de um sauvignon blanc ordinaire e geladinho.
Pouilly-Fumé não é assim, mas esse é outro assunto...
As nuances aromáticas do Château
Chalon são mais para nozes, amêndoas, laranja, grande complexidade.
Vinho branco de guarda muito longa, 15 anos ou mais, mas ótimo para beber
agora também. Famoso por ser o grande parceiro da galinha de Bresse, umas
das jóias da gastronomia mundial, o Château Chalon é perfeito
também para acompanhar frutos do mar de sabor mais acentuado, como mexilhões,
lagosta e cavaquinha.  |  | | Château
Chalon 1992: parece que mastigamos de tão denso |
 | | Clavelin:
garrafa tradicional e única |
Degustei
o Château Chalon 1992 do Domaine Baud importado pelo Club du Taste-Vin com
uma sopa de frutos mar e um pãozinho afogado dentro. Grande vinho, untuoso,
parece que mastigamos de tão denso. A garrafa tradicional modelo clavelin
dá ainda mais charme ao Château Chalon. Nos anos em que a safra não
é satisfatória todos os produtores da região preferem não
comercializar o vinho. Recomenda-se decantar e não beber gelado, apenas
fresco, a 14, 15 graus. Château Chalon é um dos símbolos mais
importantes e menos óbvios do mundo do vinho. SERVIÇO •
Club du Taste-Vin São
Paulo: Rua Padre João Manoel 964 - Jardins - SP (11) 3086-1918 Rio
de Janeiro: Av. Armando Lombardi 800/ loja H - Edifício Condado de Cascais
- Barra da Tijuca Telefones: (21) 2491-1200 / 2494-7648 www.tastevin.com.br SAIBA
MAIS •
Domaine Baud www.domainebaud.com •
Vinhos do Jura www.jura-vins.com/vins-jaunes-jura.htm
 NOTA
O guia francês de vinhos biodinâmicos
Guide Solar 2007 Vins Bio é uma ferramenta imprescindível
para acompanhar as novidades sobre vinhos de pequenas produções
adeptos da agricultura biodinâmica. Comprei na Amazon francesa. Chegou rapidinho.
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| NOTA DO EDITOR
Horacio
Paone/NYT
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O
argentino Nicolás Catena Zapata esteve, mais um vez, em São
Paulo para participar de uma prova de seus vinhos. Catena é a antítese
de seus rótulos. Seu vinho fala alto. Nicolás murmura suas impressões
— sempre finalizando suas frases com um sorriso gentil. Desta vez, trouxe na bagagem
duas novidades: um tinto referência de baixíssima produção,
o Catena Zapata Malbec Argentino, e uma experiência no campo dos vinhos
de sobremesa, feito da uva sémillon. Este Malbec Argentino, que pretende
ser um ícone da casa, vem de vinhedos de altitude, e é banhado por
uma intensa luminosidade, um dos segredos de sua alta qualidade. O objetivo é
uma bebida com expressão de fruta madura e elegância, o que Catena
define como o "novo sabor", algo que também encontra nos rótulos
de Guigal, na França e no Pingus, na Espanha. Acertou em cheio, mais um
vez. As poucas garrafas serão disputadas entre a legião de fãs
de Catena, mesmo com o preço lá em cima: deve sair por 186 dólares.
Mas se o melhor malbec possível está engarrafado, qual seria o sonho
de Nicolás Catena Zapata? Produzir um
pinot noir de qualidade, para chamar de seu, confessa, sem constrangimentos, aquele
que se notabilizou por grandes chardonnays, malbecs e cabernet sauvignons de Mendoza.
Experiências estão sendo realizadas. "Talvez em 2010...", sugere, com um sorriso
esperançoso.
Roberto Gerosa
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