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Quinta-feira, 4 de outubro de 2007

BEBIDA
Um vinho diferente, único
e "amarelo": o Château Chalon

Château Chalon: os 50 hectares mais importantes do Jura

Um pequeno vilarejo na região do Jura, na França, há muitos anos produz e dá nome a um vinho único, diferente de todos: o Château Chalon, um vin jaune ou "vinho amarelo", o vinho branco mais longevo que existe. Com apenas 50 hectares, esta é a AOC (Appellation d’Origine Contrôlée) mais importante do Jura, e faz o delírio de vários conaisseurs no mundo. Château Chalon é um vinho tão especial e importante quanto os monstros sagrados da França, como os vinhos Le Montrachet, Haut-Brion, Chambertin, Latour, grandes sauternes e grandes champagnes.

A "flor" do vin jaune

A produção dos vin jaune é muito particular. Após a colheita, a uva savagnin passa por um envelhecimento em barris de carvalho por 6 anos, onde sofre um processo semelhante ao famoso vinho fortificado espanhol Jerez e das cervejas belgas do tipo Lambic. O contato com as bactérias do ar produz uma película branca que os franceses chamam de "flor", termo em espanhol. Isso dá ao vinho nuances de uma oxidação muito bem-vinda, muitas vezes mal interpretada quando se tem o costume de achar que um vinho branco é somente aquele maracujazinho de um sauvignon blanc ordinaire e geladinho. Pouilly-Fumé não é assim, mas esse é outro assunto...

As nuances aromáticas do Château Chalon são mais para nozes, amêndoas, laranja, grande complexidade. Vinho branco de guarda muito longa, 15 anos ou mais, mas ótimo para beber agora também. Famoso por ser o grande parceiro da galinha de Bresse, umas das jóias da gastronomia mundial, o Château Chalon é perfeito também para acompanhar frutos do mar de sabor mais acentuado, como mexilhões, lagosta e cavaquinha.

Château Chalon 1992: parece que mastigamos de tão denso

 

Clavelin: garrafa tradicional e única

Degustei o Château Chalon 1992 do Domaine Baud importado pelo Club du Taste-Vin com uma sopa de frutos mar e um pãozinho afogado dentro. Grande vinho, untuoso, parece que mastigamos de tão denso. A garrafa tradicional modelo clavelin dá ainda mais charme ao Château Chalon. Nos anos em que a safra não é satisfatória todos os produtores da região preferem não comercializar o vinho. Recomenda-se decantar e não beber gelado, apenas fresco, a 14, 15 graus. Château Chalon é um dos símbolos mais importantes e menos óbvios do mundo do vinho.

 

SERVIÇO

Club du Taste-Vin
São Paulo: Rua Padre João Manoel 964 - Jardins - SP (11) 3086-1918
Rio de Janeiro: Av. Armando Lombardi 800/ loja H - Edifício Condado de Cascais - Barra da Tijuca
Telefones: (21) 2491-1200 / 2494-7648
www.tastevin.com.br

 

SAIBA MAIS

Domaine Baud
www.domainebaud.com

Vinhos do Jura
www.jura-vins.com/vins-jaunes-jura.htm

 

NOTA

O guia francês de vinhos biodinâmicos Guide Solar 2007 Vins Bio é uma ferramenta imprescindível para acompanhar as novidades sobre vinhos de pequenas produções adeptos da agricultura biodinâmica. Comprei na Amazon francesa. Chegou rapidinho.

 

NOTA DO EDITOR

Horacio Paone/NYT


O argentino Nicolás Catena Zapata esteve, mais um vez, em São Paulo para participar de uma prova de seus vinhos. Catena é a antítese de seus rótulos. Seu vinho fala alto. Nicolás murmura suas impressões — sempre finalizando suas frases com um sorriso gentil. Desta vez, trouxe na bagagem duas novidades: um tinto referência de baixíssima produção, o Catena Zapata Malbec Argentino, e uma experiência no campo dos vinhos de sobremesa, feito da uva sémillon. Este Malbec Argentino, que pretende ser um ícone da casa, vem de vinhedos de altitude, e é banhado por uma intensa luminosidade, um dos segredos de sua alta qualidade. O objetivo é uma bebida com expressão de fruta madura e elegância, o que Catena define como o "novo sabor", algo que também encontra nos rótulos de Guigal, na França e no Pingus, na Espanha. Acertou em cheio, mais um vez. As poucas garrafas serão disputadas entre a legião de fãs de Catena, mesmo com o preço lá em cima: deve sair por 186 dólares. Mas se o melhor malbec possível está engarrafado, qual seria o sonho de Nicolás Catena Zapata?
Produzir um pinot noir de qualidade, para chamar de seu, confessa, sem constrangimentos, aquele que se notabilizou por grandes chardonnays, malbecs e cabernet sauvignons de Mendoza. Experiências estão sendo realizadas. "Talvez em 2010...", sugere, com um sorriso esperançoso.

Roberto Gerosa

 

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