Whirlpool, que fabrica Brastemp, demitirá 3 mil funcionários no Brasil

Forte queda na demanda brasileira por eletrodomésticos e desvalorização do real prejudicaram resultados da empresa no primeiro trimestre do ano

A Whirlpool, controladora das marcas Brastemp e Consul, anunciou que cortará cerca de 3 mil postos de trabalho no Brasil, cerca de 15% do seu quadro de funcionários no país. A informação foi dada após a companhia reportar um lucro trimestral menor que o esperado e reduzir as projeções para o ano.

O desempenho da companhia no país foi afetado pela forte queda na demanda brasileira por eletrodomésticos e pela desvalorização do real. O Brasil é historicamente um dos principais mercados para a companhia, respondendo por mais de 10% das vendas globais no ano passado. Os eletrodomésticos de linha branca, o principal negócio da Whirlpool no Brasil, tiveram corte de imposto sobre produtos industrializados (IPI) desde 2011, num ímpeto do governo de estimular o consumo. Contudo, a medida foi revertida no final do ano passado.

No geral, o lucro da empresa no primeiro trimestre foi de 191 milhões de dólares (2,38 dólares por ação) e a receita, de 4,85 bilhões de dólares. Com ajustes, porém, o lucro por ação recuou para 2,14 dólares. Os resultados vieram abaixo das expectativas de analistas consultados pela Reuters, que previam lucro por ação de 2,34 dólares e vendas de 5,1 bilhões de dólares.

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O CEO Jeff Fettig disse, entretanto, que a empresa não fechará nenhuma fábrica no país. “Acreditamos que o Brasil será um motor de crescimento para nós no futuro”, afirmou.

Além do mercado brasileiro, a Whirlpool também teve problemas com a China, onde as vendas estagnaram como resultado da desaceleração econômica, e na Rússia, onde a demanda caiu 30% em relação ao ano anterior.

(Com Estadão Conteúdo)