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Varejo brasileiro tem pior resultado desde 2010

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO, 11 de outubro (Reuters) – As vendas no varejo brasileiro registraram em agosto a primeira queda mensal desde abril deste ano e o pior resultado desde março de 2010, refletindo o momento de desaceleração da economia.

O recuo foi de 0,4 por cento em agosto sobre julho. Em relação a igual mês do ano passado, as vendas avançaram 6,2 por cento, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira.

O dado mensal teve a segunda leitura negativa do ano e interrompe um trimestre seguido de crescimento.

“É um primeiro sinal negativo nesse período em que se fala da desaceleração da economia. A moderação do crescimento da economia pode estar repercutindo aqui”, disse a jornalistas o economista do IBGE, Reinaldo Pereira.

“Pode estar começando um processo de desaceleração do comércio, mas para confirmar isso com mais um ou dois meses.”

Analistas ouvidos pela Reuters previam queda mês a mês de 0,05 por cento –com faixa de respostas de recuo de 0,70 a alta de 0,30 por cento– e avanço anual de 7 por cento.

De julho para a agosto, a queda nas vendas foi quase generalizada, o que segundo Pereira confirma a possível tendência de desaceleração do setor.

Oito dos dez atividades pesquisadas apresentaram retração nas vendas. Por outro lado, segmentos de peso relevante na pesquisa como Supermercados e Móveis e eletrodomésticos tiveram queda nas vendas de 0,1 e 0,4 por cento, respectivamente.

“Os preços dos alimentos têm aumentado desde o começo do ano e têm inibido o consumo e, por conseguinte, o faturamento do setor varejista”, disse Pereira. “Os móveis estão no bolo da desaceleração geral da economia.”

Além da influência da freada econômica sobre as vendas, outros fatores como a crise internacional, preços mais altos e os primeiros sinais de aumento do dólar também contribuíram para a queda setor varejista, acrescentou o economista.

Segundo o IBGE, o comércio varejista ampliado, que incluiu os resultados do comércio de veículos e material de construção, ajudam a entender o atual momento.

O comércio varejista ampliado caiu 2,3 por cento entre julho e agosto, sendo que a venda de Veículos recuou 4,6 por cento e a de Material de construção encolheu 2 por cento.

“Aí entra a confiança do consumidor em se endividar num período de crise internacional. O consumidor pensa: não sei como essa crise vai me afetar, se vou perder meu emprego, então é melhor esperar um pouco antes de fazer uma dívida mais longa.”

COMPARAÇÃO ANUAL

Na comparação anual, todos os setores mostraram crescimento, destacando-se Móveis e eletrodomésticos e Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo.

A alta das vendas em geral, de 6,2 por cento, é positiva, mas desacelerou em relação a meses anteriores e foi também a menor para um mês de agosto de 2009.

“Ele deu uma desacelerada em agosto como a economia como um todo. Foi o menor resultado desde março”, afirmou Pereira

(Edição de Vanessa Stelzer)