União Europeia abre caminho para um acordo comercial com Japão

A União Europeia (UE) abriu nesta quarta-feira a via para um tratado de livre comércio com o Japão, que deve favorecer o crescimento europeu, mas que ao mesmo tempo pode vir a converter-se em um perigo ao setor automotivo da região.

“A Comissão Europeia decidiu pedir aos estados membros (da União Europeia) sua aprovação para iniciar negociações com o Japão”, disse o comissário europeu de Comércio, Karel De Gucht, em uma coletiva de imprensa em Bruxelas.

A decisão foi tomada nesta quarta-feira pelo colégio de comissários.

Agora os estados membros terão que dar seu aval para iniciar as negociações, algo que pode acontecer na próxima reunião de chefes de Estado e de governo europeus, prevista para outubro.

Caso seja concluído o acordo com o Japão, a UE poderia ganhar um ponto porcentual de crescimento e aumentar em um terço suas exportações ao país asiático, disse De Gucht.

“Sejamos claros: precisamos destes empregos e deste crescimento”, disse o comissário, que considera que o acordo poderá criar 400.000 empregos.

A ideia do tratado preocupa a indústria, principalmente o setor automotivo, ao mesmo tempo em que alguns analistas duvidam que o Japão abrirá suas barreiras comerciais e suas restrições de acesso aos mercados públicos para as empresas estrangeiras.

Alguns dos membros do colégio de comissários opuseram reservas à decisão desta quarta-feira, segundo uma fonte interna, entre eles o francês Michel Barnier (Serviços Financeiros) o italiano Antonio Tajani (Indústria) e o alemão Gunther Oettinger (Energia).

“Sei que há incertezas, mas me comprometi a informar sobre os avanços em matéria de abolição das barreiras tarifárias um ano depois de iniciadas as negociações. Caso a situação não seja satisfatória, darei as negociações por terminadas”, disse o comissário.

De Gucht também falou dos temores da indústria europeia automotiva de que um acordo com o Japão venha a prejudicar o setor.

“Há muitos problemas por resolver no setor automotivo na Europa, mas temos que separá-los destes acordos de livre comércio”, disse De Gucht, recordando que um acordo de livre comércio em 2010 com a Coreia do Sul, outro importante fabricante de automóveis, foi favorável às exportações.

Em maio de 2011 a União Europeia e o Japão se opuseram a um acordo de livre comércio “completo e em profundidade” que cubra não só os direitos alfandegários, mas sim também os demais obstáculos ao comércio.

Em geral, a União Europeia tem buscado acelerar a implantação de tratados de livre comércio, sobretudo com os países emergentes, com o objetivo de estimular a economia.