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UE e Japão se preparam para embargo ao petróleo do Irã

Por Parisa Hafezi e Fredrik Dahl

TEERÃ/VIENA, 10 Jan (Reuters) – Europa e Japão levaram adiante nesta terça-feira planos para cortes punitivos sobre importações de petróleo do Irã, onde uma autoridade disse que a indignação ocidental pela notícia de que Teerã está enriquecendo urânio em seu subterrâneo é apenas uma desculpa e que as sanções têm outros motivos.

Um dia depois de o Irã confirmar o início do enriquecimento em um bunker perto da cidade sagrada de Qom – e ainda de ter condenado à morte um norte-americano por espionagem – a União Europeia realizou uma reunião ministerial que deve igualar as medidas norte-americanas para dificultar as exportações do petróleo iraniano.

O Japão tomou precauções para o caso de se juntar ao embargo internacional na compra de petróleo bruto iraniano, pedindo à Arábia Saudita e aos Emirados Árabes Unidos que o ajudem a compensar qualquer redução.

O enviado do Irã à agência nuclear da ONU, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), foi contundente com relação às reações à notícia de segunda-feira, confirmadas pela AIEA, de que a instalação de Fordow estava enriquecendo urânio – algo que as potências ocidentais dizem ser para desenvolver armas nucleares, e não para uso civil, como garante o Irã.

Observando que Fordow estava sendo monitorada pela AIEA há dois anos, Ali Asghar Soltanieh disse à agência de notícias Isna, do Irã, que a reação ocidental tinha “objetivos políticos”.

A liderança clerical em Teerã, sob pressão das sanções que estão atrapalhando a economia antes de uma eleição parlamentar, acusa as potências ocidentais de tentar derrubá-la.

Em Bruxelas, a União Europeia disse ter antecipado em uma semana, para 23 de janeiro, uma reunião na qual ministros das Relações Exteriores do bloco, que rivaliza com a China como o maior freguês do petróleo bruto do Irã, devem confirmar um embargo ao produto.

Os 27 governos ainda debatem por quanto tempo algumas das economias fragilizadas e dependentes de petróleo podem ficar sem um fornecedor-chave.

Embora tenha sido uma mudança oficialmente administrativa para evitar um confronto com uma reunião de líderes da UE em 30 de janeiro, antecipar a reunião de ministros europeus pode aumentar o ritmo da implementação de sanções, seguindo os passos do presidente norte-americano, Barack Obama, que na véspera do Ano Novo suspendeu os pagamentos ao Irã por petróleo.

A decisão da República Islâmica de levar adiante o trabalho de enriquecimento debaixo da terra em Fordow pode acabar dificultando para as forças norte-americanas e israelenses lançarem ameaças veladas de uso de força contra instalações nucleares iranianas. Isso, por sua vez, pode estreitar a janela para diplomacia para evitar qualquer ataque.

Na segunda-feira, o Departamento de Estado dos EUA descreveu o enriquecimento de urânio em Fordow como “uma escalada das violações” do Irã às resoluções da ONU.

A França pediu medidas de “escala e severidade inéditas” contra Teerã. A Alemanha e a Grã-Bretanha também condenaram o país. Outros países, inclusive Grécia e Itália, que são grandes consumidores do petróleo iraniano, estão buscando adiamentos antes de cortar as importações.

SENTENÇA DE MORTE

A sentença de morte na segunda-feira para Amir Mirza Hekmati, de 28 anos, um ex-tradutor militar nascido no Arizona, com dupla cidadania americana e iraniana, irritou ainda mais Washington, que nega que ele seja espião e exigiu sua libertação imediata desde que foi preso.

As duas medidas acontecem num momento em que as novas sanções norte-americanas ao Irã estão provocando uma dor econômica real à República Islâmica.

A moeda rial perdeu 20 por cento de seu valor contra o dólar apenas na última semana, aumentando o custo de vida para 74 milhões de pessoas.

Enquanto os iranianos lutam para comprar dólar e assim proteger suas economias, alguns viram que suas mensagem de texto por celular foram bloqueadas quando incluíram palavras como “dólares” ou “moeda”. Autoridades negaram qualquer censura estatal.

Teerã vem respondendo às sanções com ameaças à navegação internacional que assustaram o mercado de petróleo. Uma eleição parlamentar em dois meses está aumentando as divisões políticas internas do Irã, embora a oposição à liderança clerical também esteja dividida, tanto no Irã quanto no exílio.