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Três em quatro pessoas que emprestaram nome para crédito estão inadimplentes

Segundo pesquisa do Geoc, metade dos devedores pretende liquidar pendências somente no ano que vem

A inadimplência do consumidor com os bancos se estabilizou em 4,4% em agosto, de acordo o relatório de crédito do Banco Central. Mas os calotes ainda preocupam, uma vez que metade dos devedores (47,3%) pretende liquidar as pendências somente no ano que vem e um em cada cinco brasileiros inadimplentes faz novas dívidas sem quitar débitos anteriores, provocando um efeito “bola de neve”. Os resultados fazem parte de uma pesquisa realizada este mês pelo Instituto Gestão de Excelência Operacional em Cobrança (Geoc) com 110 mil devedores do banco de dados das 16 maiores empresas de cobrança no país.

O aumento do endividamento não apenas pelo avanço do número de dívidas, mas também pelo “empréstimo do nome”. Mais da metade dos entrevistados (55%) informou ter emprestado o nome para parentes e amigos que estavam impossibilitados de obter crédito, sendo que 76% ficaram com o nome “sujo” pelo não pagamento da dívida.

Segundo o diretor do Geoc, Jefferson Frauches Viana, o ano não está sendo bom para a recuperação do crédito. No período da Copa do Mundo, diz, o índice de sucesso nas renegociações nos meses de junho e julho ficou entre 30% e 35% – abaixo do resultado do ano passado. “O primeiro semestre foi terrível.”

Além do evento esportivo, o avanço da inflação corroeu o poder de compra do consumidor e afetou o orçamento familiar. A pesquisa revela que para 41,2% dos entrevistados 2014 está pior do que 2013 e que 32,6% dos entrevistados assumiram mais dívidas do que no ano anterior. Também houve aumento no número de devedores, com metade dos entrevistados informando que conhece mais de quatro pessoas com dívidas em atraso.

O aumento do endividamento e da inadimplência ocorreu não apenas pelo avanço do número de dívidas, mas pelo “empréstimo do nome”. Mais da metade dos entrevistados (55%) informou ter emprestado o nome para parentes e amigos que estavam impossibilitados de obter crédito, sendo que 76% ficaram com o nome “sujo” pelo não pagamento da dívida.

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Saídas – Inadimplentes estão recorrendo a várias saídas para equilibrar as despesas com as receitas. De acordo com a enquete, 53,4% estão comprando menos itens supérfluos e 40,5% reduziram os gastos com lazer, como comer fora e ir ao cinema.

A “motogirl” e técnica em telecomunicações Mariana Miradouro Barboza, por exemplo, conta que chega a atrasar a prestação do financiamento do carro, que tem uma taxa de juros menor, para compatibilizar suas despesas com as suas receitas. Ela também “joga” com as contas de telefone celular e do radiocomunicador para conseguir equilibrar o orçamento. “Está sendo um ano difícil. Janeiro e fevereiro não teve muito trabalho de entregas, depois veio a Copa e os negócios pararam. As coisas só começaram a esquentar depois da Copa do Mundo.”

Controle – Outra pesquisa divulgada nesta terça mostrou que cerca de 2,5 milhões de brasileiros inadimplentes não sabem quanto devem e para quem devem, o que dificulta o trabalho das empresas de cobrança. Para ajudar no controle dos débitos, o Goec criou o site Dr. Débito (www.drdebito.com.br), que identifica as pendências, os credores e os valores devidos. O cadastro é gratuito, mas não é possível fazer renegociação de dívida por ele.

Neste mês começam dois feirões Limpa Nome. O da Serasa Experian (Super Feirão Limpa Nome) começa a partir da próxima terça-feira. O superintende da empresa, Júlio Leandro, diz que o evento contará com uma versão online (entre 4 e 11 de novembro) e uma versão presencial no estacionamento do Mais Shopping, ao lado do Terminal Santo Amaro (entre 4 e 8 de novembro). O feirão presencial e o feirão online contarão com 7 credores e 40 credores, respectivamente.

A Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito) também dará início a partir de 3 de novembro à campanha de renegociação de dívidas, com quatro rodadas de renegociação presenciais em Rio Claro (SP), São José do Rio Preto (SP), São José dos Campos (SP), Registro (SP) e Campo Grande (MS). A empresa não programou feirões online.

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(Com Estadão Conteúdo)