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Governo articula estratégia para votação de reformas no Congresso

Ministro da articulação política defende 'tirar laranjas podres do cesto', em referência às traições da base na votação da reforma trabalhista

O presidente Michel Temer recebeu neste feriado ministros e líderes da base aliada no Palácio da Alvorada para discutir a votação das reformas trabalhista e da Previdência. No encontro, eles fizeram uma avaliação da reforma trabalhista e analisaram o cronograma da semana no Congresso.

O líder do governo na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), afirmou que a aprovação da reforma trabalhista por 296 votos representou uma “vitória maiúscula” e que agora é o “momento de consolidação da base”.

O parecer da reforma da Previdência será discutido amanhã na comissão especial da Câmara, que deve começar a votar a matéria partir de quarta-feira. Para ser aprovado na comissão, é necessário ter metade dos votos presentes, desde que haja quórum mínimo de 19 parlamentares.

Segundo Ribeiro, o governo acredita em uma vitória “expressiva na comissão”. “Nós temos a convicção que temos a maioria ampla na comissão, estamos trabalhando ainda com alguns partidos, aquelas dúvidas que há em relação ao texto para ajustar o placar amplamente majoritário”, disse. 

Ele exemplificou que “muito” do que o PSB criticava “foi atendido” com as alterações promovidas nas últimas semanas pelo Planalto.

Sobre o convencimento da população dos pontos-chave da reforma da Previdência, Ribeiro concordou que trabalhar com a comunicação é um “desafio” para que se evitem a propagação de críticas com informações incorretas, como a de que o empregado precisaria trabalhar durante 49 anos para se aposentar.

Laranja podre

Na última sexta-feira, o responsável pela articulação do governo com o Congresso, o ministro Antonio Imbassahy (Secretaria do Governo), admitiu que a reforma trabalhista deixou alguns aliados insatisfeitos. Agora, o governo terá que fazer “os necessários ajustes” para evitar uma contaminação na base que amplie a dificuldade em torno da reforma da Previdência. Ele defendeu que é preciso “tirar a laranja podre do cesto”.

“Teve uma romaria, já vinha tendo esse tipo de inquietação, mas a partir da votação do [da reforma do] trabalho aumentou”, disse. “Há parlamentares da base que estão inconformados com a conduta de seus parceiros”, completou.

Segundo Imbassahy, o governo vai atender as solicitações “dentro da análise e interpretação”. “O que nos interessa é ter o voto (na reforma da Previdência), mas também não dá pra conviver com situação em que parlamentares que tem posições no governo, cargos, atenção que o presidente dispensa e não contar com o voto”, completou. “Não podemos arriscar ter menos de 308 por uma contaminação da base. Nem pensar. Temos que tirar a laranja podre do cesto”, ressaltou.

Questionado se na conversa também foi discutida a insatisfação com os “traidores” da base aliada que não votaram com o governo na reforma trabalhista, Ribeiro disse que “não foi o tema até porque o ministro Henrique Meirelles [Fazenda]” estava no encontro. “O que se está fazendo é, dentro de um diálogo, procurar ainda essa consolidação da nossa base. Já tivemos uma série de motivações e estamos trabalhando no diálogo. O que posso garantir que tem uma cobrança da própria base para isso.”

(Com Estadão Conteúdo e Agência Brasil)