Temer: oposição às reformas é política, e não técnica

Em entrevista à RedeTV, presidente defendeu as reformas trabalhista e previdenciária e mostrou confiança: 'Até hoje, não perdemos uma votação' no Congresso

O presidente Michel Temer (PMDB) classificou como luta política, e não de mérito, as oposições às reformas propostas pelo governo, incluindo as críticas que recebe do PT e da ex-presidente Dilma Rousseff. Temer afirmou que Dilma chegou a defender mudanças nas leis trabalhistas enquanto esteve no governo, mas que não conseguiu implementá-las. A proposta de Temer para modernizar a legislação trabalhista foi aprovada na Câmara dos Deputados na semana passada e agora tramita no Senado.

“É uma luta política, as pessoas não estão discutindo tecnicamente, porque se discutissem tecnicamente perderiam”, disse o presidente em entrevista para a RedeTV! exibida na noite desta quinta-feira. “A presidente Dilma, no passado, disse que era fundamental a reforma trabalhista, até em alguns momentos esboçou tentativas.”

O presidente afirmou também que os trabalhadores não ficarão fragilizados nas negociações com os patrões por causa da prevalência do acordado sobre o legislado, como prevê a proposta. “As pessoas que estão nos sindicatos, de empregados e empregadores, têm condições para afirmar acordos e vontades. Os sindicatos dos trabalhadores saberão e sabem negociar”, disse.

A legalização do trabalho intermitente, que permite a contratação por dias e horas específicos, vai gerar empregos, e não precarizar trabalhos, disse o presidente. Temer disse que as pessoas são contra o projeto da reforma trabalhista porque não leram a Constituição, que, destacou, já prevê a prevalência das convenções e dos acordos coletivos. O presidente disse ainda que não faltou conversa com a sociedade para propor o texto.

Reforma Previdência

Sobre a reforma da Previdência, Temer afirmou que a resistência ao projeto vem de “poderosos” que querem manter privilégios, e não dos “pobres”. “Quem está fazendo campanha [contra] são aqueles que ganham R$ 20 mil, R$ 15 mil, R$ 16 mil, que tinham cinco anos a menos para se aposentar”, afirmou. “Nós estamos equiparando o serviço público com a Previdência Geral, nós estamos equiparando com a classe política, para que todos tenham as mesmas condições”, ressaltou.

Para que o texto seja aprovado, o presidente afirmou que o Planalto vai intensificar o trabalho de falar ao povo “a verdade” sobre a reforma e assim convencer os deputados até aprovarem o texto. “Se o povo fica convencido, facilita o voto do deputado. É um trabalho que vamos fazer a partir de agora”, disse. O presidente evitou falar quantos votos o governo tem dos 308 necessários para aprovar o texto no plenário da Câmara, mas destacou que “até hoje, não perdemos uma votação.”

(Com Estadão Conteúdo)

Comentários

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  1. Silvia Valle

    Esse “presidente” está apegado ao passado. Só fala de gestão passada, essa Reforma é um Pacote de Maldades. Ele acha que falando que o PT achava que deveria ser feita nós vamos aceitar…

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  2. Pelo fala desse Sr a oposição no brasil deve ta forte hem, pois 73% são contra a reforma.

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  3. José Roberto

    Não perderam uma votação no Congresso porque esse presidente frouxo corrupto e seus políticos, são desonestos e sem caráter, fazem tudo na base do toma lá dá cá.

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  4. Marcos Cohen

    Será preciso desenhar? Aumenta o tempo de contribuição e diminui a aposentadoria do trabalhador do setor privado, mantêm privilégios, trata rurais como previdência e não assistência social, não apresenta números de uma auditoria independente, peca pela falta de tratamento igualitário, e diz que a razão é política? Ofende a inteligência até daqueles favoráveis a reformas.

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  5. Vitor Chvidchenko

    Por que essas aspas em “a verdade” sobre a reforma? Os jornalistas que escreveram essa matéria estão insinuando que o governo está querendo enganar a população, fingindo que a reforma é algo diferente do que realmente é? Como o próprio presidente disse, a questão é técnica, não há o que esconder. Portanto, seus jornalistas esquerdinhas do Globo, é VERDADE sem aspas, mesmo. Só quem é cego ideológico que “não gostou” da reforma sem nem entender o que ela propõe, e muito menos a situação financeira do país.

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  6. Flavio Feronato

    Só privilegiados são contra-reformas. Como donos de centrais por ex.

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  7. Asdrubal Nunes Freire Filho

    O Temer diz: Com as reformas irá ampliar a quantidade de emprego no Brasil. Lembro que na era da escravidão não faltava emprego, para os escravos.

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