Seca favorece turismo e demanda por voos domésticos cresce 3% em setembro

Viagens de turismo compensaram queda na procura corporativa por bilhetes no mês passado, informou a Associação Brasileira das Empresas Aéreas

Pelo menos um setor da economia esta lucrando com a estiagem prolongada que atinge várias regiões do Brasil: as companhias aéreas. Em setembro, a demanda por voos domésticos subiu 3% sobre um ano antes, puxada pelas viagens de passeio, informou a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), nesta terça-feira. “O clima ajudou o turismo”, resumiu o presidente da entidade, Eduardo Sanovicz. “Esta calor, o pessoal vai viajar”, acrescentou.

As viagens de turismo compensaram, com folga, a queda na procura corporativa por bilhetes, o que a Abear atribuiu a uma combinação de menor atividade econômica e cenário eleitoral, que postergam decisões de negócios.

A maior atividade nas viagens de lazer ajudou as companhias aéreas a realizar um maior planejamento das frotas, com o nível médio de ocupação dos voos subindo 1,3 ponto percentual sobre setembro de 2013, para 78,67%. No acumulado de janeiro a setembro, o nível médio de ocupação cresceu 4,2 pontos, para 79,5%

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Se por um lado, a maior participação do turismo aumentou a taxa de ocupação das aeronaves, por outro prejudicou a rentabilidade das empresas, reclamou o consultor técnico da Abear Maurício Emboaba. Em geral responsáveis por cerca de 60 por cento da demanda, as viagens de negócios também garantem maior rentabilidade às empresas aéreas, já que o preço médio dos bilhetes é bem maior.

A entidade, que representa as companhias aéreas Gol, TAM, Azul e Avianca, reforçou o discurso para que o governo federal reveja os critérios de tributação sobre o querosene de aviação, um dos principais custos das companhias. “Durante os últimos anos, conseguimos enfrentar as adversidades da economia. Com aumento da eficiência, mas nossa lição de casa esta chegando no limite” disse Sanovicz a jornalistas. “Agora dependemos muito de decisões do setor público para dar previsibilidade e estabilidade ao setor.”

(Com agência Reuters)